Intervenção de David Brás, membro da Comissão Concelhia de Peniche, XX Congresso do PCP

Forte de Peniche: Defesa da memória histórica, a resistência antifascista e a luta pela liberdade e a democracia

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Durante a longa noite da ditadura fascista, participar num congresso do PCP, numa reunião ou encontro, significava correr o risco de ser preso, perseguido ou morto.

Milhares de camaradas nossos, e outros democratas e patriotas, foram encarcerados nas prisões fascistas. Aí foram brutalmente torturados e muitos deles mortos. As suas famílias eram perseguidas e vigiadas. O tenebroso aparelho da tortura privava-os do sono, das visitas, do contacto com os seus camaradas de prisão, de quase tudo.

Mas nunca os conseguiu privar da coragem, da dignidade, da esperança e da heróica resistência. que naquela madrugada florida de Abril, faria renascer a liberdade com a Revolução.

A Prisão do Forte Peniche foi um dos locais onde a criminosa repressão fascista viveu paredes meias com a resistência e a luta antifascista. Naquelas muralhas, nos edifícios da prisão política, no tenebroso segredo, no parlatório, e em tantos outros sítios do Forte de Peniche, residem memórias, experiências e História que fazem daquele local património único e insubstituível na preservação da memória histórica e na sua transmissão às novas gerações.

Foi com justa indignação que há meses atrás reagimos ao anúncio do Governo de concessionar o forte de Peniche a privados para fins hoteleiros.

A indignação deu lugar à luta. Mobilizamo-nos em defesa do Forte de Peniche como monumento nacional, estratégico para a preservação e transmissão da memória histórica sobre a ditadura fascista, a resistência antifascista e a luta pela liberdade e a democracia.

Nessa luta tivemos já uma importante vitória. O Governo recuou e valorizamos essa sua decisão.

Mas, a luta não terminou. Estamos só a meio do caminho. Este momento, de entendimento democrático do que é e deve ser a Fortaleza de Peniche, tem agora de dar resposta a uma antiga e justa aspiração: a sua recuperação, valorização e requalificação, em articulação com a Autarquia, enquanto Monumento Nacional ao serviço do povo português, e dos valores de Abril.

Por proposta do PCP o Orçamento do Estado para 2017 prevê a elaboração e concretização de um plano de intervenção urgente na Fortaleza de Peniche para deter a sua degradação, nomeadamente das muralhas e dos edifícios da antiga prisão política de alta segurança ali instalada pelo regime fascista.

É agora necessário dar expressão concreta a essa decisão definindo e concretizando um plano faseado, financiado pelo Estado, de valorização e requalificação da Fortaleza. Um espaço que dando expressão concreta à palavra liberdade alie à memória histórica a fruição cultural, a ciência, a pedagogia, as tradições, o lazer e felicidade de todos os seus visitantes.

Esta recuperação é possível e necessária. Essa vitória será uma justa homenagem aos mais de 2500 presos políticos de Peniche, muitos deles nossos camaradas, que deram o melhor das suas vidas pela liberdade, o progresso e a democracia.

Viva o XX Congresso
Viva o Partido Comunista Português
25 de Abril Sempre!

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