Intervenção

Intervenção de Encerramento do Seminário Internacional

Em nome do Partido Comunista Português, quero agradecer uma vez mais a presença solidária de todos neste Seminário Internacional.

Quero agradecer as palavras amigas e solidárias para com a nossa Revolução de Abril, para com o nosso Partido e para com o nosso querido camarada Álvaro Cunhal cujo Centenário do seu nascimento comemorámos no ano passado, não só como uma justa homenagem aquele que foi um dos mais destacados obreiros da Revolução, mas sobretudo porque a sua vida, pensamento e luta encerra ensinamentos do maior valor para a nossa intervenção revolucionária na actualidade. Tais palavras constituem um valioso estímulo à nossa luta.

Mas quero sobretudo valorizar as experiências, análises e reflexões que aqui nos trouxeram e que, pelo nosso lado, teremos em conta na nossa própria reflexão e na nossa luta para derrotar a violenta ofensiva das classes dominantes para levar até ao fim a destruição das conquistas da nossa Revolução de Abril, para liquidar a nossa Constituição progressista, para reconfigurar o Estado português e colocá-lo, sem partilha, ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros e do imperialismo.

Uma luta que aponta como alternativa imediata uma política e um governo patriótico e de esquerda – que rompa com 38 anos de política de direita e com o processo de integração capitalista europeu – alternativa que vemos inserida na luta pela realização do nosso Programa de uma Democracia Avançada que por sua vez é parte integrante e constitutiva da luta pela construção em Portugal de uma sociedade socialista e comunista, tal como a Revolução Democrática e Nacional já o era.

O tempo de que dispusemos foi curto para um tema tão vasto.

Mesmo assim as contribuições trazidas ao Seminário permitiram evidenciar, não apenas a profundidade da Revolução portuguesa, original como todas as verdadeiras revoluções, mas as grandes alterações na situação internacional nos quarenta anos que nos separam de Abril de 1974.

Então vivíamos tempos de avanço das forças do progresso, do socialismo e da paz e, com incidência directa na situação de Portugal – um país simultaneamente colonizador e colonizado – a luta libertadora dos povos de Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste, aliados directos na luta do povo português contra o fascismo e o colonialismo, e com cujos movimentos revolucionários de libertação o PCP se orgulha de ter tecido relações de profunda amizade e cooperação.

Em resultado dos avanços do campo socialista, da derrocada dos impérios coloniais, da histórica derrota do imperialismo norte-americano no Vietname e em toda a Indochina, de importantes revoluções vitoriosas da Nicarágua ao Irão, do clima de desanuviamento internacional, criou-se uma correlação de forças no mundo que favoreceu a Revolução portuguesa e que, se não impediu, limitou a intervenção do imperialismo (que foi enorme) nos assuntos internos de Portugal.

Hoje, em resultado decisivo das derrotas do socialismo na URSS e no Leste da Europa, a situação, como aqui foi assinalado, é completamente diferente, com a violenta ofensiva do capital contra as conquistas e direitos dos trabalhadores; com a generalização das acções de desestabilização e guerras de agressão imperialistas; com o avanço do fascismo; com o crescimento do militarismo e o reforço da NATO que hoje mesmo no País de Gales discute a sua expansão e dá novos passos na sua estratégia agressiva. As ameaças de um conflito de catastróficas proporções são na realidade enormes e, reforçando o movimento da paz e a solidariedade anti imperialista, tudo deve ser feito para as afastar.

Mas foi também evidenciado que o imperialismo – mergulhado numa crise profunda – não tem as mãos livres para a sua política exploradora e agressiva; que por toda a parte, a começar pelos nossos países, os povos resistem e lutam contra o imperialismo, pela soberania nacional, o progresso social e o socialismo; que há motivos para confiar em que os nossos ideais libertadores acabarão por triunfar.

E que para isso, o reforço dos nossos partidos e o fortalecimento da nossa cooperação e solidariedade internacionalista, é de crucial importância.

Solidariedade com os povos vitimas da ingerência, subversão e agressão do imperialismo.
Para com os povos que lutam ainda pela sua libertação nacional como os povos da Palestina e o povo Saharaui, com cuja luta pela autodeterminação e independência o PCP tem desde sempre uma posição de apoio.

Para com os povos que, como na Ucrânia, resistem ao fascismo, ou que, como na Síria, lutam contra a agressão estrangeira e defendem corajosamente a sua soberania.

Para com os povos que constroem o socialismo, como Cuba, que enfrenta décadas de um bloqueio criminoso, ou que estão empenhados em esperançosos processos de mudança e transformação revolucionária, como na Venezuela.

Camaradas e amigos:

Agradeço uma vez mais a vossa presença e as vossas contribuições a este Seminário.

Somos partidos com trajectórias, experiências, situações nacionais, tarefas imediatas e programas diferenciados, mas temos um inimigo comum e convergimos nos nossos ideais libertadores

O fortalecimento da nossa amizade e cooperação – no respeito pela identidade e soberania de cada um – é uma exigência dos tempos que vivemos, tempos difíceis e perigosos, mas cheios de potencialidades revolucionárias.

Esperamos sinceramente que este Seminário, tendo como referência de partida a nossa Revolução de Abril, tenha contribuído para reforçar a nossa amizade e solidariedade recíproca.

Obrigado camaradas.

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