Intervenção de Jorge Cordeiro, membro do Secretariado e da Comissão Política do Comité Central, Encontro Nacional do PCP sobre as Eleições de 2009

Eleições 2009 - Uma batalha de todo o Partido

Eleições 2009 - Uma batalha de todo o Partido

Três meses passados sobre o nosso XVIII Congresso, este Encontro Nacional é em si mesmo uma necessidade e uma exigência ditadas por razões excepcionais: um ciclo eleitoral complexo, um país arrastado para uma situação económica e social de uma gravidade sem precedentes, a imperiosa actualidade de inscrever no horizonte dos trabalhadores e do povo português a luta pela ruptura com a política de direita.

Uma ruptura que abra uma janela de esperança, capaz de mobilizar energias e de afirmar uma corrente de exigência de uma nova política, uma política de esquerda, que assegure um futuro e uma vida melhor.

Um Encontro que é ponto de partida, de mobilização de energias e de unificação de uma acção política chamada a responder ao reforço do Partido, à dinamização da luta contra a politica de direita e à construção, pelo reforço eleitoral da CDU, de um novo rumo e de um outro caminho na vida política nacional.

Três eleições em quatro meses, três processos eleitorais numa campanha integrada, é este o desafio para o qual o ciclo eleitoral deste ano nos convoca tendo como horizonte a afirmação e reforço da influência da CDU.

Um reforço que é simultaneamente objectivo e condição, necessária e indispensável, para uma ruptura com a política de direita e a construção de um outro rumo e uma outra política, de esquerda, para o país.

Mais votos, mais mandatos, maior expressão eleitoral para dar mais força à defesa dos interesses nacionais, para prosseguir e ampliar o percurso de trabalho e realizações no poder local, para dar corpo à condição maior indispensável a uma política de esquerda ao serviço do povo e do país.

Não restam dúvidas da importância política que estas eleições comportam nem das exigências que a sua preparação reclama no plano da direcção e organização do trabalho partidário.

Partimos de um vasto e inestimável património adquirido pela experiência das muitas batalhas eleitorais anteriores. Mas também com consciência adquirida das exigências acrescidas e respostas novas no desenvolvimento da intervenção política que estas eleições impõem, quer pelo quadro político em que se realizam quer pela confluência do seu calendário.

Exigências que decorrem da resposta a dar à preparação de três actos eleitorais que, pela sua concentração no tempo, não são a simples soma do conjunto de elementos de programação e intervenção própria a cada eleição.

Exigências que resultam da necessária e indispensável articulação e integração da preparação das eleições com a acção geral do Partido, com a concretização das decisões do XVIII Congresso, com a resposta aos problemas do país e a luta dos trabalhadores e do povo.

Exigências novas, também, pelo que a sua realização e preparação colocam num quadro de uma profunda crise económica e social com o rasto de consequências nas condições de vida da generalidade da população do país.

O país não vai fechar para eleições. Os problemas, as inquietações e as dificuldades que marcam a vida do país e dos portugueses não só conviverão, nos próximos meses, com a preparação das eleições, como a elas se sobreporão.

Como não cessará a luta dos trabalhadores e de outras camadas e sectores sociais em defesa dos seus direitos perante a ofensiva que, a pretexto da crise e do seu aproveitamento, patronato e governo prosseguem para aumentar a exploração.

A crise económica e social aí está. No plano nacional a pôr em evidência as responsabilidades da política de direita pelo seu agravamento.

E no plano mais geral, a expor, como há décadas não era exposta, a natureza e o fracasso do capitalismo.

É neste quadro, em que convivem elementos que dão força e actualidade ao papel, valores e projecto do Partido com sentimentos de desânimo e descrença, que a nossa intervenção política e eleitoral será chamada a responder:

- Uma resposta que combata o «nivelamento» de responsabilidades onde navega a teorização fatalista do «todos iguais» para conduzir à renúncia por opções diferentes e opostas das que alimentam a alternância que tem perpetuado a política de direita;

- uma resposta que apresente, e faça crescer na consciência das massas, o PCP e a CDU como a força que pela sua acção, pelo seu trabalho e projecto é depositária da confiança dos trabalhadores e do povo e a opção certa para uma mudança de política;

- uma resposta que demonstre, pelo esclarecimento e convencimento, que é possível uma vida melhor e uma politica diferente e que é na CDU que reside a força que delas decide;

- uma resposta que identifique na CDU e no PCP o projecto de ruptura com a política de direita e a garantia segura e certa para devolver no futuro uma nova esperança de um país com justiça social, desenvolvido e soberano.

Concentração de energias, tensão das forças e meios partidários a começar nas eleições europeias, apurado sentido de direcção para garantir a articulação das múltiplas tarefas e respostas que a acção eleitoral e a acção geral do Partido reclama, resposta pronta e oportuna aos desenvolvimentos políticos, económicos e sociais – eis em poucas palavras o que se exige em dimensão da nossa intervenção política nos próximos meses.

Fazer com que da dinâmica específica de cada eleição e da sua integração na dinâmica geral resulte uma acção que some e convirja para o objectivo do reforço eleitoral da CDU constitui o desafio e a responsabilidade maior colocada ao trabalho de direcção do Partido a todos os níveis.

Um desafio que tem de levar em conta que cada uma das primeiras batalhas eleitorais soma e converge para as seguintes, ao mesmo tempo que a dinamização e progressos na preparação das várias campanhas incluindo nas que têm lugar posteriormente pode e deve constituir um factor de avanço nas batalhas que a antecedem.

O desenvolvimento em simultâneo de três campanhas, ainda que com intensidades e conteúdos diversos, exige maior apuramento na direcção da intervenção eleitoral para se assegurar a cada momento a resposta, de acordo com as prioridades que o calendário eleitoral impõe, ao conjunto da acção eleitoral.
A mais usual definição de uma campanha dividida nas suas fases de pré-campanha e campanha, que não pode deixar de ser observada para cada acto eleitoral, revela-se neste contexto mais complexa.

Em momentos densos de pré-campanha e mesmo campanha eleitoral de um dado acto eleitoral estarão em desenvolvimento fases de preparação, alguns não pouco decisivos, de outros actos eleitorais.

Um facto que obriga a que seja na conjugação do conjunto da intervenção eleitoral que se construam os factores que potenciem todas e cada uma as eleições. Programação, faseamento da propaganda ou a afirmação de candidaturas têm, assim, de ser concebidas no quadro desta construção integrada da acção eleitoral.

Uma das mais decisivas questões é a de transformar a dinâmica própria às eleições locais em contributo para as duas outras eleições. Decisiva porque da dinâmica local deve resultar um contributo para as outras batalhas políticas.

Decisiva porque dessa dinâmica local – e das possibilidades de envolvimento e de alargamento que propicia, ainda que movida por factores de motivação local – deve resultar a criação de uma base essencial para uma presença activa e uma intervenção organizada da CDU no período comum às três eleições.

Com a consciência clara de que 7 de Junho – data das eleições para o Parlamento Europeu - ganha neste calendário uma importância e significado decisivos.
Nelas é preciso concentrar todas as energias, todos os meios, todas as nossas forças.

Nenhuma das duas outras eleições posteriores, e dos objectivos que para elas temos, é indiferente ou separável do resultado que construirmos nas eleições europeias.

Quanto mais longe alcançarmos nas eleições de Junho mais amplas e confiantes perspectivas e possibilidades se abrem para as legislativas e autárquicas.

A dimensão da crise económica e social, os efeitos do desemprego e da degradação social e a ofensiva política e ideológica orientada para promover sentimentos de fatalismo e resignação exigem mais que nunca a promoção do esclarecimento, da mobilização e da luta como um factor essencial para afirmar o protesto e a exigência de mudança com expressão na participação política e no voto.

Uma campanha assente no contacto directo e no convencimento pessoa a pessoa, no esclarecimento e mobilização de todos quantos marcaram presença com a sua luta e protesto na oposição à política do governo – eis a principal prioridade de uma campanha que, centrada nos problemas concretos do país e das pessoas, mobilize vontades e agregue em torno da CDU uma corrente de esperança e confiança na construção de uma nova política e numa vida melhor.

Uma campanha capaz de antecipar as manobras destinadas a perpetuar as mesmas políticas, iludir responsabilidades ou animar soluções inconsequentes.

Uma campanha que afirme a CDU e as forças que a integram como a mais coerente e combativa força de oposição que, não apenas em palavras mas pela sua acção, marcou presença em cada dia e em cada uma das lutas que foi necessário travar contra a acção do governo e a política de direita.

Uma campanha que afirme a CDU como a grande força de esquerda, espaço de convergência e acção unitária de todos quantos aspiram a uma mudança de política, portadora de um claro projecto de ruptura com a política de direita, de cujo reforço depende uma viragem na política nacional e a construção de uma nova política e um novo rumo para o país.

A luta por uma nova política é inseparável do reforço eleitoral da CDU e da afirmação do PCP e do seu percurso e valores, dos elementos distintivos que a projectam como factor de mudança e de alternativa.

Afirmação da sua combativa presença em defesa dos direitos e das aspirações dos trabalhadores e do povo, força que se não resigna face à injustiça e desigualdades, e que aponta aos trabalhadores e ao povo com confiança que é possível uma política diferente, espaço de convergência democrática e de alternativa política, com propostas e soluções para o país, com provas dadas, trabalho feito e obra realizada.

Força de Abril e das suas conquistas, é na CDU e no seu reforço que reside a possibilidade de uma viragem na política nacional favorável aos interesses dos trabalhadores, à afirmação dos direitos económicos e sociais, à defesa dos interesses nacionais, ao combate às desigualdades e à construção de um país mais justo, desenvolvido e soberano.

É este o objectivo e a tarefa para a qual todos – militantes comunistas, activistas da CDU e das forças que a integram, milhares de homens e mulheres sem partido que aspiram a uma vida melhor – são convocados a concretizar com a sua energia, dedicação e empenhamento.

Um empenho enraizado na firme convicção de todos que sabem residir aqui a condição indispensável para a defesa da soberania e dos interesses nacionais e para a promoção de uma política local que assegure o progresso e o bem-estar das populações.

Um empenho enraizado na firme convicção de todos que sabem residir no PCP, e no reforço eleitoral da CDU, o único caminho para a ruptura com a política de direita e para a construção de uma política de esquerda que rasgue um horizonte de esperança num país mais justo, democrático, desenvolvido e soberano.

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