Intervenção de João Oliveira, Presidente do Grupo Parlamentar, Jornadas Parlamentares do PCP

"Não deixaremos de avançar com as soluções da política alternativa de que o país necessita"

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Camaradas e amigos,
Caros convidados,
Senhoras e senhores jornalistas,

Há muito que sabemos que o Governo não olha para a realidade do país preocupado com as dificuldades do povo e dos trabalhadores ou sequer colocando como prioridade a resolução dos graves problemas estruturais que caracterizam a nossa situação económica e social.

A perspectiva que o Governo tem da realidade nacional é a que se constrói a partir dos conselhos de administração dos grandes grupos económicos e financeiros e a propaganda governamental confirma-o.

Só na perspectiva dos grandes interesses económicos e financeiros faz sentido o discurso da recuperação, da retoma ou do crescimento porque foram esses grandes interesses os únicos para quem valeram de facto a pena todos os sacrifícios impostos aos trabalhadores e ao povo.

A dura realidade que enfrentam os portugueses, infelizmente é outra.

Agricultores impedidos de produzir ou arruinados na venda da sua produção, pescadores impedidos de ir ao mar ou obrigados a fazê-lo sem condições de segurança, pequenos e médios empresários esmagados pelos grandes grupos económicos e financeiros e perseguidos pelo Governo como se fossem contrabandistas, doentes amontoados em corredores de hospitais, trabalhadores da Administração Pública ameaçados de despedimento, empresas públicas fundamentais para o futuro do país entregues em bandejas de prata aos novos candidatos a donos disto tudo.

Esta é a realidade com que hoje se confrontam os portugueses, marcada por imensas dificuldades que é preciso denunciar. Mas é também uma realidade composta de inúmeras potencialidades que, devidamente colocadas ao serviço do país e do seu desenvolvimento, poderão garantir-nos um futuro diferente.

É essa alternativa, de aproveitamento das potencialidades do país a partir da produção nacional e do emprego com direitos, que queremos afirmar nestas jornadas parlamentares e foi também por isso que as decidimos realizar no distrito de Aveiro.

O distrito de Aveiro apresenta hoje uma realidade que, ampliada, é um retrato muito próximo do desastre nacional a que nos tem conduzido a política de direita, sobretudo nestes últimos anos de dose agravadas com a política dos PEC e da troica.

É um distrito com riquíssimas potencialidades económicas que decorrem da sua vasta orla costeira e áreas aráveis e cultiváveis, com uma população jovem e qualificada e um tecido industrial desenvolvido e dinâmico com grande peso das PME’s.

Porém, não só das potencialidades se faz esta síntese.

Aveiro é também um distrito marcado pelos mais de 80.000 desempregados, em que os mais jovens são obrigados a abandonar os seus concelhos em procura de emprego, onde agricultores e pescadores são confrontados com uma conjugação de políticas nacionais e comunitárias que os levam a ter de optar entre o abate/encerramento da sua exploração ou uma vida de trabalho duríssima para um rendimento ínfimo, onde a indústria sofre com elevadíssimos custos dos factores de produção, em que os PME’s são asfixiados por uma política fiscal de favorecimento aos grandes grupos económicos, como se constata nos sectores do calçado ou da cortiça.

Um distrito onde a degradação do Serviço Nacional de Saúde se sente dolorosamente há muitos anos, com os sucessivos encerramentos de serviços e valências, e em que o encerramento de serviços públicos faz a vida das populações cada vez mais difícil, em que a ameaça da municipalização de funções sociais do Estado se converte numa ameaça aos fundamentos da própria Constituição da República Portuguesa.

É esta realidade que queremos denunciar nas dificuldades que comporta mas também nas potencialidades que se evidenciam.

O programa destas nossas jornadas parlamentares envolve directamente aqueles que com o seu trabalho constroem o dia-a-dia deste país, que enfrentam as dificuldades criadas pela política do actual Governo com a noção exacta de como é necessário e urgente romper com este rumo.

Na agricultura, nas pescas, na indústria, na saúde ou na educação, nos serviços públicos, nos transportes ou na justiça, aprofundaremos aqui no distrito de Aveiro o nosso conhecimento e reflexão sobre os graves problemas que atingem a nossa vida nacional e não deixaremos de avançar com as soluções da política alternativa de que o país necessita.

Bom trabalho a todos.

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