Intervenção de Alexandre Costa, representante do PAIGC - Guiné Bissau, Seminário: «África – desafios do desenvolvimento, do progresso social e da soberania»

Declaração do PAIGC - Guiné Bissau

Vossa Excelência «camarada Jerónimo de Sousa» Secretário-Geral do PCP; Caros camaradas membros de Comité Central do PCP; Ilustres convidados; Camaradas, militantes.

É com grande emoção e responsabilidade, que hoje mais uma vez respondendo a convite do PCP, Partido comunista Português, este partido que apoio a nossa luta de libertação, e que hoje continua ao nosso lado, dando-nos apoio em todos momentos da nossa vida, seja qual for as circunstancias que nos assiste. Para em conjunto reflectirmos sobre " Desafios do desenvolvimento, do Progresso social e da soberania de África".

Caros camaradas estamos numa encruzilhada os desafios de desenvolvimento são quase intransponíveis, porque o colonialismo não implantou essa árvore a tempo de dar frutos no momento oportuno, na vida, tudo se cultiva e se aprende, os valores democráticos são um processo que é necessário cultivar, passando pela educação da população sobre esses valores, se é verdade que ainda o ensino básico ainda não é de alcance de todos, a nossa língua oficial não tem uma cobertura nacional. O processo de socialização dos nossos povos é cada vez mais difíceis, devido a dificuldades económicas resultantes da herança do colonialismo e da politica neoliberal impostas pelas instituições financeiros internacionais, imposição de politicas económicas desastrosas, de privatizações que não resultaram e que provocou simplesmente o desaparecimentos de empresas que a apesar de dificuldades funcionavam minimamente, taxas de juros a pagamento de créditos bastantes altos, o desenvolvimento de Sector primário insignificante, os preços das nossas matérias primas são muito baixas, quase oferecidas, para que falar de outros sectores da economia. Com desmoronamento da antiga bloco socialista, as bolsas de estudos quase desapareceram, os nossos países sem capacidade de financiamento, a construção de instituições do ensino? qual será a nossa capacidade de aquisição da ciência e tecnologia ferramentas indispensáveis para o desenvolvimento humano.

Caros camaradas, a nossa luta de libertação visava o progresso social condição indispensável para uma independência económica, social e política, sinónimos da soberania.

No próximo dia 8 de Dezembro se realizará a "Cimeira "EU/ÁFRICA", que esperamos que seja um marco histórico no relacionamento entre o continente africano e europeu, sobre tudo que seja uma Cimeira entre as pessoas e para as pessoas, que sirva para corrigir as políticas neoliberais, que tem norteado o relacionamento entre estes dois continentes.

Consequentemente, que serva para criar mais escolas, valorização do ensino e educação, redução de taxas de juros, valorização de matérias primas e produtos manufacturados em África, aumento de investimento das empresas europeias em África, dando assim empregos a milhares de jovens que todos os dias se aventuram a atravessar o oceano Atlântico em perigosas pirogas, em procura de melhores condições económicas e humanas, mínimas de uma sobre vivência da raça humana.

A Europa confrontado com a crise da peste negra partiu em procura dessas condições mínimas de vivência social e humana, sete séculos depois, o fluxo inverteu-se, mais criou relações de amizade que todos nos orgulhamos, deixou-nos esta língua e traços culturas que nos diferencia dos outros e nos aproxima.

Portugal empreendeu a segunda globalização, com os descobrimentos, agora assistimos a esta terceira globalização a mais cruel, de acumulação de capital, e sem piedade, sem ter em conta o factor humano, será que a África, e as economias africanas estão preparadas para este fenómeno do Século? Oxalá.

Caros camaradas pedimos a Europa e ao mundo desenvolvido que os nossos diplomas e capacidades sejam valorizadas, ou sejam reconhecidas, a palavra medico, engenheiro ao doutor estão proibidas, delegando as nossas comunidade na imigração a empregos mal remuneradas, com protestos de terem estudado em Cuba ou no antigo bloco soviético, mais também há muitos que na Europa Ocidental terminaram os seus estudos e não conseguem emprego nas suas especialidades por serem de outras raças.

Agora a Europa fala dos emigrantes altamente qualificados da Europa de Leste e esquecem-se das nossas comunidades africanas.

Amílcar Cabral, terminava sempre os seus discursos com viva o PAIGC, força luz e guia do nosso povo.

Caros camaradas esta luz está quase a fundir-se, por favor não deixemos esta luz fundir-se, porque não haverá energia para guiar os nosso povos para os desafios de desenvolvimento e do progresso social, consequentemente a perda da soberania.

A luta é difícil e será longa, mais haveremos de triunfar.

Viva a amizade entre os povos.

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