Jornadas Parlamentares do PCP em Aveiro

Intervenção de Bernardino Soares

Artigos Relacionados

It look's like you don't have Adobe Flash Player installed. Get it now.

Intervenção de Bernardino Soares nas Jornadas Parlamentares do PCP em Aveiro

 Há muitas e boas razões para realizarmos estas Jornadas Parlamentares sobre o tema da crise económica e social e da defesa do aparelho produtivo e para o fazermos em Aveiro. 

A crise continua a ser o principal elemento do quotidiano da maioria dos portugueses, porque estão desempregados ou precários, porque o salário ou a reforma cada vez chegam para menos, porque os seus direitos de trabalhadores são espezinhados, porque o custo do crédito e dos bens e serviços essenciais sufocam os orçamentos familiares ou das pequenas empresas.

E não é porque nos últimos dias outros assuntos, sem dúvida importantes, têm ocupado as manchetes de jornais ou a abertura de noticiários de rádio ou televisão, que devemos esquecer que, para a maioria dos portugueses, a crise continua a ser a principal notícia do seu quotidiano. 

E quanto à crise já não há presunção de inocência, investigações a desenvolver ou suspeitos a questionar. Quanto à crise e aos seus responsáveis a condenação é inequívoca: é o Governo PS, com a cumplicidade dos anteriores, o responsável por ela. E nem se pense que a crise internacional lhes pode servir de álibi. O certo é que já havia crise nacional antes de chegarem os efeitos da outra. E é também certo que a fragilidade em que o Governo deixou o nosso país acentua os efeitos que vêm de fora.

É também evidente que se justifica fazer estas Jornadas em Aveiro. Não só porque aqui os efeitos da crise são especialmente intensos, mas também porque, ao querermos abordar a situação do nosso aparelho produtivo, aqui encontramos bem vincados os resultados da política de desmantelamento dos sectores produtivos que o Governo PS acentuou.

Nestas Jornadas Parlamentares, juntam-se os Deputados do PCP na Assembleia da República e os Deputados do PCP no Parlamento Europeu, procurando fazer convergir as experiências, as intervenções e as propostas na defesa do nosso aparelho produtivo e no combate à crise, já que é evidente que boa parte do que condiciona e prejudica a nossa economia e o nosso país, também se decide na União Europeia, tantas vezes com a conivência e o apoio do Governo e de eurodeputados de outros partidos.

Como sempre, as Jornadas Parlamentares do PCP assentam num conjunto largo de encontros e visitas que nos permitirão tomar conhecimento da realidade concreta deste distrito, em muito semelhante ao que se vive por todo o país. Assim contactaremos com os vários sectores produtivos (agricultura e sector leiteiro, pescas e piscicultura, indústria automóvel e corticeira) mas também com a realidade do importante sector da saúde e a situação geral dos trabalhadores do distrito.

Aproveitaremos também para avaliar algumas das promessas, dos anúncios e das medidas do Governo. Os portugueses já perceberam que o Governo “anda por aí”. Mas também têm consciência de que as inaugurações, as primeiras pedras, os protocolos prometendo apoio e obra, nem sempre têm correspondência em reais medidas, sobretudo quando prometem para o futuro o que não fizeram nestes anos de Governo.

Apelamos por isso a todos os portugueses para que estejam atentos à utilização das funções e do aparelho de Estado para fins de propaganda eleitoralista, ou para esconder o que não fizeram e deviam ter feito. E quanto mais o Governo PS tem consciência de que a sua política não corresponde ao que prometeu aos portugueses e muito menos ao que eles necessitam, mais tentará fazer o uso ilegítimo dos meios e das funções públicas. Que outro significado terá que o responsável pela máquina eleitoral do PS seja nem mais nem menos do que um dos principais ministros e logo aquele que tem a responsabilidade das respostas e apoios sociais?

Iniciamos por isso estas Jornadas Parlamentares com a determinação de construir o caminho de uma ruptura com a política de direita cada vez mais necessária, apontando as responsabilidades do Governo a apresentando as propostas alternativas necessárias neste momento. Ao trabalho!