Declaração de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral

Sobre a greve no sector de transportes

Sobre a greve no sector de transportes

Permitam-me uma palavra sobre a greve no sector de mercadorias. Desde logo para salientar que assistem aos motoristas de pesados fortes razões para exigir melhores salários e melhores condições de trabalho. Razões que foram parcialmente atendidas o ano passado ao fim de quase duas décadas com a negociação de acordo colectivo pela acção e luta dos trabalhadores e do Movimento Sindical Unitário, que algumas entidades patronais não têm respeitado. Não haja a menor dúvida: o PCP é inteiramente solidário com os trabalhadores do sector e as suas reivindicações.

Não é entretanto possível de iludir a operação que se desenvolve e as vozes que se vão ouvindo a dar lastro para pôr em causa o direito à greve.

Um caminho que vai sendo feito com uma greve decretada por tempo indeterminado com uma argumentação que instrumentaliza reais problemas e descontentamento dos motoristas cujos promotores não se importam de dar pretextos à limitação do direito à greve como se está a verificar.

Um caminho que o Governo trilha adoptando medidas – serviços mínimos, requisição civil, entre outros desenvolvimentos – que limitam o direito à greve neste sector e são susceptíveis duma invocação alargada.

O PCP entende que as soluções necessárias, exigem o desenvolvimento da luta consequente, acompanhada de uma negociação colectiva que resolva os problemas e reafirma a defesa do efectivo exercício do direito à greve.

Tendo sido ontem obtido um protocolo de acordo com novos avanços, no plano dos salários, dos direitos e das condições de trabalho, é necessário que se finalizem as negociações, que os motoristas beneficiem da aplicação desses avanços em 2020, sem prejuízo da negociação para os próximos anos e que seja garantida uma intervenção da Autoridade das Condições de Trabalho de modo a combater o desrespeito por parte do patronato dos direitos acordados.

Numa expressão dramática dizia um motorista que estava disposto a morrer de pé nesta luta. Se me for permitido nós apelamos para que mais do que morrer, a sua luta deve servir para viver de pé com dignidade e com direitos.

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