Intervenção de Filipe Costa, membro do Comité Central, IX Assembleia da Organização Regional de Vila Real

«Sim, é possível valorizar a região com um PCP mais forte, organizado, interventivo e influente»

«Sim, é possível valorizar a região com um PCP mais forte, organizado, interventivo e influente»

Camaradas,

Valorizar a Região, como afirmamos no lema desta nossa 9.ª Assembleia, não é possível com a política de direita das últimas décadas, caracterizada pelo ataque aos direitos e rendimentos dos trabalhadores, pelo encerramento, privatização e ou concessão de serviços públicos essenciais às populações, pelo desprezo pela agricultura familiar, pelo desaproveitamento das potencialidades e recursos que a região tem, pela demissão do estado das suas funções sociais, pela extinção de freguesias, pelo agravamento da injustiça fiscal.

Valorizar a região não é possível com ilusórias medidas avulsas, pinceladas por laivos de aparente modernidade, promovidas pelos mesmos protagonistas e responsáveis pela emigração forçada da região, pela desertificação económica, social e demográfica e pelo empobrecimento do regime democrático que agora aparecem sob a capa de independentes, ou associados a movimentos de suposta defesa do interior.

A esses lembremos-lhes que são independentes mas é do progresso social, do desenvolvimento económico e da defesa soberana dos interesses dos trabalhadores e do povo e que os seus movimentos são contrários ao da roda da história.

Valorizar a região não é possível sem ampliar a luta dos trabalhadores, dos agricultores, das populações e de muitas camadas sociais descontentes com as consequências desastrosas das opções de sucessivos governos, PS, PSD/CDS e da integração capitalista da e na UE.

Valorizar a região não é possível sem romper com décadas de política de direita e sem uma proposta integrada de valorização e aproveitamento das potencialidades do distrito, enquadrada pela necessidade da construção de uma alternativa patriótica e de esquerda que aqui se reflicta:

- Na valorização do trabalho e dos trabalhadores, através do aumento geral dos salários, do combate à precariedade laboral, da melhoria significativa das reformas e pensões, da promoção de uma mais justa distribuição da riqueza;

- Na defesa e promoção da produção nacional, aproveitando os recursos do subsolo, desenvolvendo a indústria extractiva, apoiando e valorizando o papel da agricultura familiar, defendendo a propriedade comunitária, apoiando as micro, pequenas e médias empresas e o sector cooperativo e associativo, rentabilizando a floresta enquadrada pela defesa do ambiente, promovendo o turismo a partir das características naturais e culturais da região;

- Na restituição dos serviços públicos retirados às populações, quer por via do encerramento, desclassificação e destruição, de centenas de escolas, agências da Caixa Geral de Depósitos, postos da GNR e esquadras da PSP, estações e postos dos CTT, linhas ferroviárias, hospitais e centros de saúde, tribunais e freguesias, quer por via da privatização ou concessão a privados como a recolha e tratamento de resíduos, a captação e distribuição de água e a casa do douro.

- No reforço do papel das funções sociais do Estado, através da criação de uma rede pública de berçários, creches e de apoio à infância, combate ao alcoolismo e à violência doméstica, do desenvolvimento da rede de cuidados continuados domiciliários e num plano de recuperação do parque habitacional de acordo com as necessidades de habitação social;

- No respeito pela autonomia do poder local democrático reforçando a capacidade financeira das autarquias e dotando-o de um efectivo poder regional decorrente da regionalização que, permita o desenvolvimento de políticas de combate às assimetrias regionais, ao despovoamento e desertificação do território.

O desenvolvimento da luta, a ruptura com a política de direita, construir a alternativa patriótica e de esquerda e valorizar a região não é possível sem o PCP e sem o seu reforço e alargamento da sua influência.

Sendo o reforço do Partido o elemento mais determinante à concretização destes objectivos imediatos é também o factor que depende essencialmente de nós, quer do ponto de vista da organização interna quer da entrada de novos membros.

Depende de nós reforçar o partido, recrutando jovens, mulheres, trabalhadores, agricultores, pequenos empresários e todos quantos se identifiquem com a nossa acção e proposta e não ficar à espera que sejam estes a vir falar com o partido.

Depende de nós reforçar o partido levando mais longe a campanha dos 5000 contactos com os trabalhadores, esclarecendo-os sobre a identificação desta nova fase da vida política nacional e o que significou em relação a anteriores governos, valorizando os avanços alcançados, pela contribuição decisiva do PCP, e as suas limitações, por opção do PS que não quer ir mais longe e mantém-se amarrado aos interesses dos grupos económicos e submisso às imposições externas, afirmando o projecto e proposta alternativa do Partido, clarificando o que é a política patriótica e de esquerda e que o compromisso do partido é com os trabalhadores e o povo, convidando-os a aderir ao Partido valorizando o papel que podem ter na organização e na empresa em que trabalha.

Depende de nós reforçar o partido desenvolvendo o trabalho unitário, particularmente com as muitas dezenas de homens e mulheres sem partido que integram as listas da CDU, que subscrevem e apoiam as nossas candidaturas, que participam e convivem connosco no movimento associativo, cooperativo, camponês e sindical, que marcam presença nas nossas iniciativas como as comemorações do 25 de Abril ou as sessões públicas de comemoração do II Centenário do Nascimento de Karl Marx, e os que aderem a cada acção ou jornada de luta em defesa dos seus interesses.

Depende de nós reforçar o partido do ponto de vista da organização interna contactando com todos os membros do partido, estimulando a sua participação na nossa actividade, integrando as suas opiniões e preocupações no nosso trabalho, informando das nossas iniciativas e assegurando o regular funcionamento dos organismos.

Depende de nós reforçar o partido criando as condições objectivas para que cada militante possa pagar a sua quota, receber a imprensa partidária e os documentos de propaganda do partido, participar na formação política e ideológica, desempenhar uma tarefa.

Depende de nós reforçar o partido planificando a nossa acção e intervenção, identificando as debilidades, definindo prioridades e medidas concretas no quadro do trabalho de direcção que potenciem as características e capacidades dos seus membros, estimulando o trabalho colectivo por via da responsabilização individual e valorização da iniciativa de cada militante na assumpção de tarefas com carácter permanente.

Depende de nós reforçar o partido indo às empresas e locais de trabalho conhecer os trabalhadores e os seus problemas e reivindicações, indo às feiras e mercados conhecer as populações e os seus anseios, reunindo com o movimento associativo e cooperativo para conhecer o seu trabalho e dificuldades.

Sim, é possível valorizar a região com um PCP mais forte, organizado, interventivo e influente.

Sim, é possível reforçar o PCP porque depende de nós dar corpo e capacidade de realização ao seu projecto e objectivos com a militância, as capacidades, características e dedicação de cada um ao desempenho de cada tarefa necessária.

Nesta Assembleia, discutir o Partido e a região, apontar linhas de reforço da organização e de intervenção para superação dos problemas regionais, são objectivos a que se propõe, mas são também o contributo dos comunistas do distrito de Vila Real, para com o Partido mais forte, construir da alternativa patriótica e de esquerda que o país e a região exigem.

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