Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Comício do 82.º aniversário do PCP

Paz sim, guerra não!

[Extratos]

(...)Paz sim, guerra não!

As questões da paz e da guerra atingem nestes tempos uma dimensão que pode vir a ser trágica.

Bush tem vindo a deixar cair todas as máscaras.

Agora a questão já não se trata do desarmamento do Iraque mas sim de correr com o regime iraquiano, ocupar o Iraque e instalar no seu lugar um dirigente fiel e maleável.

A farsa da democracia, da perigosidade do ditador Saddam já deu lugar pela própria voz de Bush ao que realmente move a sua cruzada: a instalação permanente de tropas americanas no Iraque, tomar conta do petróleo, controlar a região e deixar as mãos livres ao criminoso Sharon.

Depois da segunda guerra mundial pela primeira vez um presidente de um país com toda a arrogância anuncia publicamente que o seu objectivo é derrubar um regime e colocar em seu lugar um outro da sua feição, numa guerra dita preventiva, passando por cima de todos os princípios do direito internacional e da letra e do espírito da Carta das Nações Unidas. Qualquer cedência à chantagem dos EUA em relação ao Conselho de Segurança seria o descrédito total deste órgão. Ainda ontem Bush disse que lhe assiste o “direito” de fazer a guerra com ou sem o aval da ONU.

É a arrogância imperial. Bush só não contava era com o clamor mundial da voz da opinião pública que se tem levantado nos quatro cantos do mundo. Por isso, Bush tentando vender a sua guerra diz agora, tal como o seu pai o fez na primeira guerra do Golfo, que a invasão do Iraque tem também por objectivo a perspectiva de um Estado Palestiniano, que como é sabido ele há muito mandou para as urtigas!

O absurdo e a hipocrisia de tal guerra é de tal modo que são cada vez mais os que a contestam publicamente.

Os vassalos, os neo-reaccionários e os que pensam obter algum proveito com o festim da ocupação, dizem que se trata de anti-americanismo! Mas quando se vêem as sondagens mesmo nos EUA e apesar de todas as campanhas temos de convir que há então milhões de americanos plenos de anti-americanismo! Não confundimos a luta pela paz, a administração Bush e o povo americano. Por isso, daqui saudamos as forças da paz que nos EUA levantam a sua voz, com coragem, contra a guerra de Bush e do petróleo.

Assim como daqui também queremos saudar as forças da paz que em Israel lutam por uma solução justa para a questão palestiniana e que ainda esta semana se movimentaram e intervieram para que uma delegação da JCP, que esteve retida 15 horas no aeroporto de Telavive, pudesse prestar a sua solidariedade ao povo palestiniano, à sua resistência e à Alta Autoridade Palestiniana. A espiral de violência é intolerável e inaceitável, como inaceitável é o silêncio dos EUA e do Governo português em relação às Resoluções da ONU face a Israel. É a política de dois pesos e de duas medidas.

O Governo do PSD/PP, isolado também na questão da guerra, continua a prestar vassalagem, a jurar fidelidade ao Império e a apoiar uma guerra preventiva. Mas publicamente não tem a coragem de o afirmar com clareza.

Até hoje ainda não disse uma palavra do que pensava do “Memorando” franco-alemão. Desculpa-se dizendo que Portugal não faz parte do Conselho de Segurança! É uma resposta hipócrita para esconder o seu seguidismo em relação a Bush.

Daqui desafiamos o Primeiro-Ministro a dizer aos portugueses se é ou não a favor de uma segunda Resolução da ONU, tal como quer os EUA e se apoia uma decisão unilateral da administração Bush. Esta questão não admite ambiguidades.

Nós continuamos empenhados em mobilizar todas as energias na luta contra a carnificina anunciada e continuaremos a intervir para que as forças da paz tenham a maior expressão e a maior abrangência possível, a não responder a manobras sectárias e a lutar pela sua convergência e unidade, pois a causa da paz está acima de tudo isso.

Neste último fim de semana estivemos presentes em Londres na reunião das coordenações nacionais “contra a guerra no Iraque” e certamente que estais de acordo com a decisão aí tomada e também já confirmada no nosso país pelas organizações que deram o seu apoio à manifestação do dia 15: no caso do conflito se desencadear, realizar nesse mesmo dia uma acção de protesto junto à Embaixada dos EUA e promover no sábado seguinte uma grande manifestação!

A corrente de milhões de homens, mulheres e jovens, que em todo o mundo têm erguido a sua voz de protesto, é uma força poderosa que pode não ser ainda suficiente para impedir a guerra mas que já condicionou governos e falcões e pode vir a ter um papel decisivo no futuro.

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