Artigo de Ruben de Carvalho no «Diário de Notícias»

«Não»

Os textos de António Ribeiro Ferreira enviados de Bagdad levantam questões que não podem ser ignoradas.

Nem do ponto de vista político, nem do ponto de vista ético, nem do ponto de vista profissional.

Não estão em causa as opiniões de Ribeiro Ferreira acerca do conflito no Iraque.

Foram de incontido apoio à intervenção americana, ultrapassando por vezes talvez o razoável e evidenciando uma cegueira e um sectarismo difíceis de aceitar.

Trata-se, contudo, do exercício de um direito que inquestionavelmente lhe assiste.

Quanto ao fundo, o que Ribeiro Ferreira escreveu e enviou de Bagdad não destoa do que escreveu em Lisboa.

Mas o que se alterou substancialmente foi a forma - e a forma nunca é uma questão menor para um profissional da escrita. Ele sabe perfeitamente ser ela não apenas um invólucro, mas em si própria um conteúdo.

E o que essa forma denota é a transformação da defesa da guerra num incontido gozo que largamente excede o elementar respeito pelos dramas, pela dor, pela destruição, pela morte.

O respeito por universais valores da Humanidade impõe a impossibilidade de tolerar, seja a quem for, a indiferença divertida e, pior, a chacota face à tragédia da guerra.

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