Intervenção de Ana Maria Magalhães, membro do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Debate - Desemprego, precariedade, pobreza - A face real da União Europeia

Movimento dos Trabalhadores Desempregados

Em primeiro lugar quero agradecer ao PCP o convite que endereçaram ao Movimento dos trabalhadores Desempregados para estar presente e a oportunidade que nos dão para partilhar convosco algumas ideias.

Venho trazer-vos a opinião deste sector que é infelizmente cada vez maior.
Não é justo ao perder o emprego, alguns desempregados percam até 50% do dinheiro que recebiam antes de perder o posto de trabalho, como acontece agora depois das alterações ao subsidio de desemprego. Não é justo que os desempregados sejam tratados como criminosos, que têm que andar a mendigar carimbos e a apresentar-se quinzenalmente nas juntas ou nos centros de emprego.
Porquê? Não foram eles como trabalhadores que provocaram esta maldita crise que ao que parece não tem fim.

Mas esta crise tem culpados. O estado com os seus maus contratos,com as suas más parcerias, as PPP, a sua falta de fiscalidade, as suas faltas de justiça, para quem tem dinheiro, porque para quem não tem a justiça até funciona, a opção de desmantelar o aparelho produtivo,etc.
Há já muitos anos,dizia um presidente de Direita dos Estados Unidos chamado Roosevelt que para ser uma nação é preciso produzir o seu pão, pois muito bem o que quero dizer é que temos que produzir para sobreviver.

Quanto aos senhores empresários não estão isentos de culpa uns porque são realmente maus gestores outros porque não se importaram nada por receber dinheiro para desmantelar as empresas, outros ainda porque não se importam nada de roubar o Estado em impostos outros ainda piores não têm pejo nenhum em roubar de quem trabalha os direitos conquistados, os salários dignos para fazer
funcionar a economia, que dizer este imperialismo, são gananciosos, são aves de rapina, a pátria deles é o dinheiro.

O MTD está revoltado com a falta de emprego que já ultrapassa os 18%. Esta situação faz com que ano após ano saiam do país mais de cem mil jovens à procura de vida melhor.
Muitos deles quadros técnicos que levam consigo um rico património, de mão de obra, não podemos ignorar que também outro não menos importante que é o património geracional.

A ideia que dá desde Mário Soares nos anos 80 até agora, o país está em saldos e a saque, vende-se tudo, privatiza-se principalmente o que dá lucro, importa-se quase tudo e exporta-se muito, sabem o quê? Carne humana.

Depois camaradas, estão tudo menos preocupados com as famílias. E porquê? Não é a família deles que se desmorona não são os seus filhos que têm que imigrar, não são as suas crianças que vão para a escola com fome, não são eles que têm que com a parca reforma, voltar a acolher os filhos e netos
e repartir a casa e o pão, não são eles que têm que viver ao molho como na idade média ou mesmo na rua, não são eles que pelas circunstâncias da vida têm de viver uns para cada lado desfazendo assim os laços familiares.

Estes senhores imperialistas e Governo de mão não têm noção nenhuma do sofrimento de um povo que sustenta a nação. E sem pejo abotoaram-se às mais valias para viverem em palácios e redomas de vidro e não têm vergonha de a pátria deles ser o dinheiro.
Mas alerta camaradas, nem o Presidente da República nem o Governo nem a Troika estão interessados em mudar este estado de situações enumeradas e muitas outras, mas nós dizemos bem alto, basta! Nem quem eles enganaram para lá estar lhes passou nenhum cheque em branco para lhes destruir o posto de trabalho e a família.
O Paulinho das feiras aprendeu a canção do pisca pisca, ora vira para a direita e pisca pisca, ora vira para o PS e pisca pisca. Sempre o imperialismo a reinar.
Atenção funcionários públicos, a pressa de os pôr a andar pode estar relacionada com a noticia de há algum tempo de a França querer investir perto da fronteira do Alentejo 7 milhões num prédio para vender serviços.

Por tudo isto camaradas só nos resta darmos as mãos e dizer bem alto, a luta continua, Governo para a rua!

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