Intervenção de David Cullinan, Senador do Sinn Féin (Irlanda), Seminário «O Euro e a União Económica e Monetária. Constrangimentos e Rupturas»

O Sinn Féin e o EURO

O Sinn Féin tem-se oposto a cada passo de aprofundamento da União Económica e Monetário em referendo após referendo na Irlanda.

Não somos por uma Europa Federal. Somos por uma Europa Democrática que respeita a soberania dos estados nação e estamos a trabalhos com outros para construir uma Europa social baseada no desenvolvimento económico sustentável, oposto à austeridade, dando prioridade aos cidadãos e não aos bancos, lidando com a crise da dívida de forma justa e apoiando o crescimento, serviços públicos, trabalho e salário decente, e combatendo a temas globais como a pobreza e alterações climáticas.

A UE tornou-se anti-democrática e é governada pelos estados mais poderosos. Por duas vezes o povo Irlandês rejeitou tratados da UE para ser forçado a votar de novo.

A confiança da comunicação social dominante e do poder político na UE continua incontestado mas a confiança do povo foi severamente abalado pelo comportamento da EU durante a crise.

Na experiência da Irlanda, a Comissão Europeia foi o parceiro mais agressivo da Troika e usou claramente a crise para aumentar os seus poderes.

Nós opusemo-nos à entrada da Irlanda no Euro e apontamos 5 falhas inerentes na altura. Estas incluem:
- A falta de credor de último recurso;
- uma política monetária única para todos os países;
- a falta de responsabilização democrática;
- o efeito de uma parte do nosso país se juntar ao Euro enquanto outra parte (o norte) se manter de fora.
Infelizmente a história provou que tínhamos razão e as fragilidades da moeda foram expostas. Acreditamos que a criação do Euro foi um desejo político federalista, não uma política assente nos interesses das pessoas que vivem na UE.

O Sinn Féin é contra:
- quaisquer alterações adicionais em tratados que centralizem o poder;
- mais poder para a Comissão ou outras instituições da UE
- derivas acrescidas para o federalismo fiscal

O futuro:

A UE in parte criou a actual crise e pouco está a fazer para a resolver. De facto, as suas políticas inflexíveis, economicamente injustas e irrazoáveis estão a piorar a situação. Muitos países estão sobrecarregados de dívida insustentável, e estão a ser coagidos a implementar medidas de austeridade brutais e impraticáveis e vemos pouco investimento e crescimento que reduza o desemprego e crie empregos.

Acabar a Austeridade – Promover Crescimento e Investimento

A austeridade está a debilitar as economias, pessoas e famílias por toda a UE. Está na reduzir os níveis salariais, levando a um aumento do desemprego a longo prazo, estrangulando o crescimento doméstico e a degradar os serviços públicos. Em breve, não está a funcionar. É austeridade para os cidadãos comuns e resgates para os bancos e outros que criaram a crise.

Precisamos que a UE adopte uma estratégia mais robusta de crescimento e estimulo. Tal deve envolver um aumento substancial do investimento no Banco Europeu de Investimento. Aferindo tal investimento deve ser prioridade dos países mais necessitados. A UE foi capaz de encontrar €200 mil milhões para o Mecanismo Europeu de Estabilidade resgatar bancos, mas não foi capaz de encontrar uma fracção dessa quantia para investimento e criação de emprego. Isto precisa de mudar e a esquerda na Europa precisa de liderar o debate.

Apoiamos a Conferência sobre a dívida:

Muitos países da UE têm níveis insustentáveis de dívida bem acima de um rácio de 60% dívida/PIB. Uma redução da dívida é necessário. A UE, o Banco Central Europeu e os seus líderes políticos precisam de aceitar isto e trabalhar para atingir soluções realísticas. Apoiamos as exigências do Governo Grego em realizar uma Conferência sobre a dívida. Faz sentido. Redução da dívida pode ser atingido de várias maneiras.

Vamos falar sobre isso. Vamos chegar a soluções reais, tangíveis e executáveis. Algo é claro — a Grécia pode cumprir. Precisa de apoio através da Europa. A melhor forma para o Sinn Féin apoiar a Grécia é desafiar o Governo do Norte e Sul da Irlanda.

Deixar o Euro?

O Sinn Féin não apoio o Estado deixar o Euro. Acreditamos que os trabalhadores e desempregados podem perder muito mais se tal suceder.

Acolho a oportunidade de ser parte do debate. Reconheço que muitos na esquerda na Europa argumentam que a retira do Euro pelos seus estados membros e por razões bem intencionados. Respeitamos o vosso direito de o fazer.

Contudo não estamos convencidos que a retirada seria no melhor interesse da Irlanda por um número de razões:

Se sairmos — voltaremos ao Punt (libra irlandesa) que provavelmente será desvalorizada entre 25 a 50%. Isso seria catastrófico.

Actualmente toda a dívida pessoal e do estado está em euros. Tal seria aumento pela mesma % que a nova moeda diminuiria, aumentando assim a dívida e forçando a incumprimento.

O risco social e económico é demasiado grande

Não ouvimos ainda um caso convincente sobre como seria melhor a Irlanda retirar-se.

Acreditamos que devemos mantermo-nos e lutar por reforma. Devemos apoiar os nossos camaradas na Grécia e trabalhar com outros parceiros através da UE na esquerda e os que são anti-austeridade. Precisamos de continuar a construir movimentos sólidos de massas pela mudança na Irlanda e outros locais. Apesar de posições diferentes sobre o Euro precisamos de trabalhar pela causa comum de derrotar a austeridade, promover crescimento, e construir uma Europa social e uma Europa assente em trabalho e salário decente, crescimento sustentável, democracia e igualdade.

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