Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Moção de solidariedade com a América Latina e Cuba

Durante muito tempo os povos da América latina têm sido vítimas das permanentes políticas de saque e dominação por parte do imperialismo norte-americano.
A Administração Bush continua agredindo as nações da América Latina e do Caribe; organiza e financia planos golpistas e terroristas contra os governos da Venezuela e da Bolívia e interfere diretamente nos processos eleitorais, apoiando abertamente seus lacaios, tentando a todo custo evitar a eleição de governos progressistas.

Em tais condições tem crescido a luta dos povos latino-americanos em todas as suas expressões: dos trabalhadores urbanos, dos sem-terra, dos indígenas, das mulheres, da juventude, da intelectualidade democrática, que se organizam em movimentos sociais, organizações populares, movimentos de libertação, partidos políticos e coalizões eleitorais de esquerda. Graças às lutas dos povos latino-americanos e à ação de governos progressistas, a Alça, projeto de caráter neocolonialista, malogrou, o receituário do “Consenso de Washington” e as políticas neoliberais responsáveis pela perda de soberania e pela deterioração das condições de vida das massas populares, têm sido rechaçados.

A Revolução Bolivariana da Venezuela é parte dessa luta. O governo venezuelano, encabeçado pelo presidente Hugo Chavez, consolida-se e avança, apontando uma perspectiva de aprofundamento da luta antiimperialista e de conquista do socialismo.
Também faz parte dessa luta o processo democrático-popular em curso na Bolívia, sob a liderança de Evo Morales, um claro exemplo de que os povos da América latina decidiram pôr fim a séculos de exploração e exclusão.
A eleição de governos democráticos em diferentes países latino-americanos, como a Frente Amplio no Uruguai, a recente reeleição de Lula no Brasil e a eleição de Daniel Ortega na Nicarágua compõem o quadro de desenvolvimento das forças progressistas no continente. A esquerda latino-americana assumiu com prioridade a luta para resgatar a soberania política e económica, o desenvolvimento de programas sociais que beneficiem as grandes maiorias e o lançamento de projetos de integração, dentre os quais se destaca a Alba.
Cuba socialista é parte destacada desse cenário de avanço da luta antiimperialista na região.


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No ano de 2005, no Encontro celebrado em Atenas, os partidos ali reunidos aprovamos uma resolução condenando o Bloqueio que o governo dos Estados Unidos aplica por mais de 45 anos contra o heróico povo de Cuba. Também demandamos a libertação dos cinco lutadores antiterroristas cubanos prisioneiros injustamente em cárceres norte-americanos de segurança máxima.
Contudo, nos doze meses transcorridos, a Administração Bush intensificou essa política criminosa. Há poucas horas, foi aprovada quase unanimemente uma Resolução condenando o bloqueio a Cuba.
Em Junho último, em uma nova escalada de agressões, a Administração norte-americana publicou o segundo informe do Plano Bush, que tinha sido aprovado em 2004. O novo Plano faz menção à existência de um capítulo secreto, cujo único conteúdo pode ser a realização de ações de desestabilização política, terroristas e militares.

Isto é algo sem precedentes e merece a condenação unânime da comunidade internacional a inaudita ação de dar a conhecer um Plano para derrocar um governo estrangeiro.
Durante mais de quatro décadas o povo cubano sofreu as consequências de todo tipo de ações criminosas, que contaram com o apoio do governo norte-americano, como demonstra a proteção ao conotado terrorista Luís Posada Carrilles, autor intelectual, há 30 anos, do atentado contra um avião da Cubana de Aviação, que custou a vida de 73 pessoas inocentes.

Devido à impunidade com que os grupos da máfia cubano-americana radicados em Miami têm atuado, cinco patriotas cubanos, correndo graves riscos, alertavam seu país para a realização de novos atentados terroristas, sendo por essa razão injustamente presos e condenados.
Em agosto último, sob pressões políticas do governo norte-americano, o pleno da Corte de Apelações de Atlanta anulou a decisão que havia sido tomada por um colegiado de  três juízes da mesma instância judicial, que um ano antes havia declarado ilegal  o julgamento realizado em Miami. Trata-se de mais uma demonstração de que a liberdade dos Cinco lutadores contra o terrorismo só será possível com a solidariedade internacional e especialmente do povo dos EUA.
Apesar de toda essa política de agressões e cerco económico, a Revolução Cubana continua desenvolvendo seu sistema de vigência integral dos direitos humanos, de ampla democracia popular participativa e dando apoio solidário e internacionalista a outras nações. Cerca de 30 mil trabalhadores da saúde prestam seus serviços internacionalistas em 71 países, a Operação Milagre garantiu que mais de 400 mil pacientes fossem operados da vista. Atualmente, formam-se em Cuba como futuros profissionais 24 mil estudantes estrangeiros, dos quais 20 mil na carreira de Medicina.

Por tudo isso, os partidos comunistas e operários aqui reunidos, além de manifestar nossa solidariedade com os povos da América Latina e do Caribe em geral, tornamos patente, uma vez mais, o nosso repúdio ao Bloqueio dos UA contra Cuba; exigimos que se dê publicidade ao informe secreto que pretende derrocar de maneira violenta a Revolução Cubana e exigimos a libertação imediata dos Cinco Heróis, comprometendo-nos ao mesmo tempo a desenvolver novas ações de solidariedade política em nossos países, com esta nação e este povo irmãos.

Lisboa, Portugal, 12 de Novembro de 2006

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