Intervenção de Laura Tarrafa, Membro da Comissão Nacional do PCP para o trabalho junto dos agricultores, Encontro Nacional «Alternativa patriótica e de esquerda. Soluções para um Portugal com futuro»

Situação da Agricultura, das Florestas e do Mundo Rural

Situação da Agricultura, das Florestas e do Mundo Rural

Camaradas,

A situação no Mundo Rural está negra. A destruição de milhares de explorações agrícolas e o abandono de milhares de hectares de cultivo e pastagens são resultado dos profundos ataques da política de direita à produção nacional, à floresta e às populações.

Nas escassas oportunidades para escoar a produção, os agricultores fazem-no a um preço tão baixo que não cobre os seus custos. Do preço cobrado ao consumidor final, só 20% chega à família agrícola, e apenas 5% são lucros.

Os pequenos e os médios agricultores, que representam mais de 80% das explorações agrícolas em Portugal, recebem apenas 20% das ajudas directas da PAC, enquanto o grosso dos apoios são canalizados para a agro-indústria e para o latifúndio.

Camaradas, as ameaças são muitas.

Décadas de política de direita levam à importação da maioria dos produtos que precisamos para alimentar o País, vislumbrando-se novas ameaças à produção. Agora são razões ambientais, já foram outras, mas agora até o ambiente é invocado. O fim anunciado da produção nacional de carne bovina até 2050, constitui um ataque à soberania alimentar e é profundamente demagógico! E nós PCP conhecemos bem estes processos, o que está na calha é a eliminação de mais uns milhares de pequenos e médios produtores de carne e leite. Ao mesmo tempo o grande agronegócio, desta vez a Jerónimo Martins, anuncia investimentos de milhões de euros, certamente apoiados por muito dinheiro público, na criação de mega explorações superintensivas para a engorda de bovinos - só em Évora teremos uma exploração com mais de 10 000 cabeças. Para além das negociações de acordos comerciais internacionais nas costas do Povo, em que a agricultura familiar é um alvo a abater. A concretizarem-se estas políticas, continuaremos a assistir à liquidação das explorações familiares.

Os fenómenos climáticos extremos, como a tempestade Leslie e os brutais incêndios de 2017 e 2018, foram desastrosos para o sector. Ainda hoje, muitos são aqueles que aguardam ver a cor dos milhões anunciados pelo Governo.

O mesmo Governo que tenta resolver os problemas da floresta com autoritarismo e repressão sobre as populações, está a criar mecanismos que aprofundam a concentração da terra. A recente legislação que regulamenta as “terras sem dono conhecido” é um ataque à pequena propriedade, e tem como principal objectivo o esbulho das terras dos pequenos proprietários para as concentrar e entregar ao grande capital!

Camaradas, levam-nos a carne e ainda nos roem os ossos. O Governo do PS não questiona uma floresta de monocultura, o Governo PS não questiona um mercado ao serviço das grandes celuloses, com lucros astronómicos à custa das misérias pagas aos pequenos proprietários. Ao mesmo tempo, parece que se invertem prioridades, quando os subprodutos da floresta, como a biomassa, passam a ser substancialmente mais valiosos do que a madeira ou a resina. A terra deixa de servir para produzir alimentos mas sim para alimentar as centrais de biomassa.

Camaradas, não existe Mundo Rural Vivo sem trabalho, sem produção e sem serviços públicos. O abandono do interior não é a razão do desaparecimento de serviços, o abandono é a consequência destas opções da política de direita que nos massacram há mais de 40 anos. Não podemos permitir que continuem a encerrar linhas de comboio, estações de CTT, agências bancárias, escolas, serviços de saúde e espaços culturais.

Camaradas, hoje neste encontro é importante afirmar as pequenas grandes vitórias do mundo rural que muito devem ao Partido e ao seu papel nesta solução política, como:

- O aumento da ajuda simplificada para os afectados pelos incêndios

- O aumento do Regime de Pagamento da Pequena Agricultura;

- A aprovação do Estatuto da Agricultura Familiar, ainda à espera de orçamento para execução;

- E a majoração de 0,06 € nos subsídios ao gasóleo colorido e marcado.

Mas imaginem camaradas quanto maiores seriam as nossas vitórias se mais eleitos do PCP e da CDU tivéssemos! Por isso, é mesmo preciso avançar! Para:

- Garantir o escoamento e preços justos à produção nacional, o combate à ditadura da grande distribuição e às importações;

- Uma Reforma da PAC que sirva os interesses do Povo e do País;

- A reintrodução de mecanismos reguladores do mercado;

- O financiamento e operacionalização do Estatuto da Agricultura Familiar.

Com uma Política Alternativa Patriótica e de Esquerda, sim é possível um futuro melhor para a produção nacional, para o Povo e para o País.

Vivam os camponeses e o Mundo Rural!
Viva o PCP!
Viva a CDU!

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