Intervenção de Armindo Miranda, membro da Comissão Política do Comité Central, Encontro Nacional do PCP sobre as eleições autárquicas

Campanha de Massas na Construção do Resultado Eleitoral

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Camaradas e amigos, as componentes que contribuem para a construção de um bom resultado eleitoral são como sabemos diversas.

O contexto político nacional e local, as candidaturas em presença, o trabalho realizado pela CDU, a informação e valorização que dele fizemos junto da população, assim como a eficácia que damos às acções da campanha, são apenas algumas delas. Mas, a componente de rua, de contacto directo com os trabalhadores e as populações, com tudo o que comporta de transformação, de conhecimento da realidade, esclarecendo, ouvindo e aprendendo mesmo com as pessoas mais modestas, dá à campanha um carácter de massas e tem uma importância essencial e mesmo determinante, na construção de um bom resultado eleitoral.

É a experiência vivida por cada um de nós, mas sobretudo, a que foi acumulada pelo grande colectivo partidário que o confirma.

O nosso Partido, que nasceu das fábricas sempre teve consciência da importância estratégica para toda a vida do Partido, do trabalho de massas e do contacto directo com o povo. Assim foi na luta pela liberdade durante o regime fascista, durante o processo revolucionário e na defesa das conquistas da revolução. E assim é na actualidade, na luta que travamos contra a política de direita e pela concretização de uma Política Patriótica e de Esquerda.

O trabalho a realizar para as eleições autárquicas, trata como sabemos, essencialmente questões locais. Mas como sempre, será também um momento muito importante para ganhar para a luta mais geral pela transformação da sociedade, milhares de outros democratas e patriotas sem partido, que connosco vão estar nesta batalha. E a campanha de massas que vamos realizar desde já em todo o país, dará uma grande contribuição para esse objectivo.

Disse já porque é agora que temos de avançar.

Vejamos a experiência de uma camarada e um camarada, que como outros já foram apresentados como cabeças de lista a Municípios que, queremos colocar ao serviço do povo, e que como outros certamente, andam já na qualidade de candidatos, em contacto directo com os trabalhadores e as populações. Passo a citar “O bairro a bairro, O rua a rua, loja a loja, casa a casa, pessoa a pessoa, nas praças e jardins, locais de trabalho, espaços de convívio, em todo o sítio onde se partilhem vontades, esperanças e dinâmicas, é de uma enorme riqueza pois, mostra o sentimento das populações, os seus principais anseios, problemas e aspirações Umas vezes somos surpreendidos pela grandeza dos problemas que nos são colocados. Outras vezes a dimensão dos problemas é pequena e o que nos espanta é o facto de ainda não terem sido resolvidos.

Nestes contactos feitos de igual para igual, cara a cara, sem sobranceria, é importante saber ouvir, incentivar o diálogo com quem se contacta porque, permite criar uma relação de confiança e mesmo afectiva com as pessoas.” Fim de citação.

Nestes dois casos, não há ainda outros candidatos decididos e apresentados. E aquilo que começou por se apresentar como uma dificuldade, ir apenas um candidato para a rua poderia dar uma imagem de fraqueza, está a revelar-se como uma decisão muito acertada. (Em regra vai o candidato ou candidata, um ou dois camaradas de apoio e mais dois ou três camaradas da freguesia, onde está a desenvolver esta tão importante tarefa, e cuja Comissão de Freguesia, antecipadamente, planificou e organizou o trabalho a fazer.)

Mais alguns acrescentos, na apreciação feita pelos camaradas.

- Como o ambiente não é de campanha eleitoral, são poucas pessoas, sem bandeiras, a conversa torna-se muito mais fácil e mais proveitosa.

- A actualização do conhecimento dos problemas mais sentidos pela população é de uma importância enorme porque amplia muito a eficácia da nossa proposta e intervenção.

- Não temos a concorrência das outras forças políticas. Ninguém mais aparece! Na rua, estamos nós, a população e os trabalhadores da autarquia, com quem também falamos.

- Trata-se de uma tarefa aliciante, compensadora e profundamente educativa, com consequências muito positivas, para todos os camaradas que participam e para todo o trabalho do Partido.

- E por último, mas não menos importante, responsabiliza e anima a organização local do Partido. Em regra, a candidata ou candidato, só sai da Freguesia, depois de bater todas as ruas, estabelecimentos e falar com todas as pessoas que se encontrem. E o que fica é um imenso trabalho, a continuar pelas organizações locais. Nomeadamente a dinamização da luta das populações e o enquadramento na campanha de camaradas e amigos com quem se falou durante o trabalho de rua.

Permitam camaradas, que vos deixe agora a experiência e opinião de um camarada, Presidente de um Município onde já exercemos o poder e que todas as semanas pelo menos em dois dias vai nessa qualidade, para junto do povo sem qualquer preparação prévia.

Passo a citar “As vantagens de ir ao encontro da população, sem anúncio e sem programa são várias. Primeiro porque corresponde à mais genuína prática de proximidade com as populações, para ouvir os seus anseios e opiniões, demonstrando que, ao contrário de outros, os eleitos da CDU “não vão lá só nas eleições”.

Depois porque esses contactos permitem ter uma perspectiva única e sem quaisquer filtros - seja de estudos, de técnicos ou até de outros camaradas -, das expectativas dos eleitores, acrescentando um conhecimento muito importante para as decisões de gestão ou até mais estratégicas que o eleito precisa de tomar nas suas funções.

Finalmente porque esses encontros livres com a população permitem não só ouvir, mas também explicar as opções tomadas, as razões de atrasos ou insuficiências do trabalho da autarquia, que por serem apresentadas de viva voz pelos eleitos se tornam mais credíveis aos olhos de quem as ouve. E permitem ainda, com grande liberdade, abordar as questões mais gerais das posições do Partido ou da situação política nacional, integrando-se assim no trabalho político mais geral.”

Muitos problemas colocados são de facto da competência do Poder central, como os baixos salários e reformas e o desemprego. Isto permite como foi referido, falar das propostas do Partido. Nomeadamente do projecto de desenvolvimento económico que, quando concretizado aumentará a produção nacional, a criação de riqueza e criará centenas de milhares de postos de trabalho. Com todas as consequências positivas na vida das famílias, para as receitas da segurança social e para a economia do país.

Camaradas, quando discutimos a necessidade de avançarmos já para este trabalho, são diversos os obstáculos a vencer. Queria deixar-vos o mais vulgar. É muito cedo! Há quatro anos, só fizemos isto muito mais tarde! È necessário definir primeiro os outros candidatos, nomeadamente o cabeça de lista à junta de freguesia. O primeiro argumento é anti-dialéctico e essencialmente rotineiro E os restantes candidatos devem juntar-se à equipe, conforme forem sendo decididos. Arredar todos os obstáculos e avançar para a rua, conversar com as populações, ouvir as suas opiniões e aspirações é por isso tarefa essencial de todas as organizações do Partido.

Com muita confiança, ousadia e determinação avancemos então e desde já para uma grande campanha de massas para a construção da vitória em Outubro.

Viva este grande Partido!
Viva o PCP!

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