A Galp anunciou um negócio de ampla escala com a Moeve, que é o nome da CEPSA desde 2024. A Moeve/CEPSA é uma multinacional espanhola do sector da energia e do petróleo, mas que de espanhola guarda o nome, pois, na realidade é detida em 61,36% por um fundo soberano de Abu Dhabi (Mubadala) e a 38,4% pelo grupo Carlyle, um dos grandes fundos de investimento com origem nos EUA, onde também pontua a Blackrock.
O negócio, tal como é apresentado publicamente, mantem no grupo Galp a operação em Upstream, ou seja, a que está ligada à gestão de direitos de exploração de petróleo, que, sendo hoje a mais lucrativa atividade do grupo Galp, é também aquela que menos contribui para a criação de emprego e para a economia nacional, na medida em que é, no essencial, uma atividade de gestão de parcerias e direitos de exploração.
O mesmo negócio transfere para uma nova empresa, com uma gestão acionista «equilibrada» entre a Galp e a Moeve, toda a rede de estações de serviços da Galp (1250) e da CEPSA (duas mil). A nova empresa, ibérica chamam-lhe, terá o foco naturalmente em Espanha, onde o mercado é significativamente maior do que em Portugal, além de provavelmente a maioria do capital ficar de facto no Moeve.
Por fim, o mesmo negócio transfere a Refinaria de Sines para uma nova empresa, onde a Galp deterá cerca de 20% e a Moeve quase 80%. Esta empresa deterá as três refinarias da Moeve em Espanha (Cádis, Huelva e Tarragona), as restantes unidades petroquímicas da Moeve e assumirá os projetos industriais em curso, quer no Hidrogénio Verde quer nos Biocombustíveis avançados, muito mais avançados em Espanha que em Portugal.
Este último negócio agrava os riscos para a Refinaria de Sines, a última refinaria portuguesa, e assim os riscos para o aparelho produtivo nacional, para a soberania nacional, e para os trabalhadores, diretos e indiretos, da refinaria. Sendo a própria Galp,
hoje, uma entidade cada vez mais desnacionalizada (o Grupo Amorim controla-a com uma participação real no capital não superior a 20,2%, sendo a esmagadora maioria do capital detido por empresas e fundos estrangeiros), o Estado português ainda detém 8,2% do capital da Galp.
Assim, ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português vem requerer a audição nesta Comissão da Ministra do Ambiente e Energia.
