Saúdo a presença nas galerias de estruturas sindicais e associações de investigadores e bolseiros, produtores e construtores da ciência e da investigação de excelência que se desenvolve em Portugal.
Em 2021 o astrofísico Nuno Peixinho, depois de anos de investigação sempre como bolseiro, viu um asteróide ser baptizado com o seu nome e perante esse facto que nos orgulha a todos, afirmou que era mais fácil dar um nome a um asteróide do que ter um contrato de trabalho, e de facto é assim, 3000 investigadores precários, alguns há décadas, uma realidade que se estende a mais de 8 mil de bolseiros de investigação.
“A ciência é o motor do progresso” esta é uma afirmação que consta em muitos discursos, e é provável que hoje aqui mesmo se repita durante o debate.
Mas é uma afirmação que esbarra na instabilidade e incerteza, na precariedade do trabalho, da vida e da produção científica e na negação de direitos, marcas da realidade do trabalho científico em Portugal.
Milhares de investigadores vivem anos e anos de bolsa em bolsa, mão de obra precária e barata que cobre necessidades permanentes de trabalho e garante o funcionamento de centros de investigação e laboratórios privados, mas também das Universidades estranguladas pelo subfinanciamento.
Milhares a quem são negados subsídio de desemprego, protecção na doença, na maternidade e paternidade, férias pagas e a estabilidade no trabalho e na vida.
Uma realidade, mais uma vez denunciada pelos bolseiros em Abril numa concentração em frente ao ministério da ciência, uma acção onde tive o privilégio de marcar presença.
Uma realidade que, há muito poderia e deveria estar resolvida não tivessem sido chumbadas as propostas do PCP aquando da revisão do Estatuto da Carreira de Investigação Científica.
Na altura houve quem se opôs ao fim da precariedade da vida e da ciência,
não queremos crer que hoje façam o mesmo e travem o acesso dos investigadores à carreira mantendo-os na precariedade, a adiar a decisão de ter filhos, sem conseguir arrendar casa, a viver na incerteza da renovação de contratos, a sacrificar a sua saúde à custa de empresas que se apropriam do seu trabalho.
Trabalho científico precário, significa vidas precárias, ciência e investigação precárias e um País adiado.
É para alterar esta situação insustentável que voltamos a apresentar um Projecto de Lei, para que de uma vez por todas se garanta a integração na carreira a todos os investigadores com vínculo precário.
PSD, CDS, Chega e IL querem, com o pacote laboral, impor a precariedade para todo o sempre, uma obsessão que está em confronto, como se prova todos os dias, com a necessidade de um sistema científico robusto, capaz de planear a longo prazo, de reter talento e ser independente de interesses alheios ao interesse nacional, de construir soberania tecnológica e autonomia estratégica e com investigadores com direitos.
Este é o momento para optar: ou se valoriza a investigação, a Ciência e a Tecnologia, ou se mantém na precariedade quem investiga e produz ciência.
Da parte do PCP há muito que a opção está tomada e o projecto que mais uma vez apresentamos fala por si.
Só há futuro na investigação, ciência e tecnologia com investigadores respeitados e valorizados.



