PCP nas cerimónias fúnebres de Hugo Chavéz

Depoimento de Albano Nunes - Grande afirmação de confiança no futuro

Representaste o PCP nas cerimónias oficiais fúnebres do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Comandante Hugo Chávez. Que impressões trazes dessa deslocação a Caracas?
O que mais me impressionou foi a extraordinária reacção popular à grande perda que o falecimento do presidente Hugo Chávez representou, não apenas para o povo venezuelano, sobretudo para as camadas mais desfavorecidas, mas para os povos da América Latina e para as forças progressistas e anti-imperialistas de todo o mundo.
Creio que também em Portugal foi possível ver imagens das imensas filas de pessoas, com vários quilómetros, que durante muitas horas aguardavam disciplinadamente o momento em que, apenas por alguns segundos, poderiam desfilar perante a urna do presidente Hugo Chávez, na Academia Militar. A mobilização popular tomou uma tal dimensão que o governo decidiu prolongar por mais sete dias do que o inicialmente previsto a duração das exéquias. Tudo isto confirma o massivo reconhecimento da obra protagonizada pelo Comandante. Mas o que é mais significativo é que a enorme dor provocada pelo desaparecimento físico do líder do processo bolivariano é acompanhada por uma grande afirmação de confiança no futuro e pela determinação em defender e aprofundar as conquistas alcançadas durante os 14 anos da presidência de Hugo Chávez. Lágrimas, muitas, mas sobretudo uma grande manifestação de apego aos valores de patriotismo, dignidade, progresso social e anti-imperialismo que são a marca da nova Venezuela. «Chaves no morrió, se multiplicou» é uma palavra de ordem que exprime bem o ambiente que se vive entre as massas populares venezuelanas.
 
O falecimento de Hugo Chávez, um líder com grande carisma e grande ligação ao seu povo, poderá dificultar a continuação do processo revolucionário bolivariano?
Novos problemas e dificuldades são inevitáveis, mas venho com um sentimento de grande confiança. A base de apoio popular ao processo bolivariano é muito ampla. As Forças Armadas confirmaram a sua lealdade à Constituição e há forças políticas – Partido Socialista Unido da Venezuela, Partido Comunista da Venezuela, e outras – que, unidas e reforçando os seus laços de cooperação e organização, estão em condições de levar por diante o processo e derrotar as manobras e conspirações da grande burguesia e da reacção aliadas ao imperialismo norte-americano e europeu. Tais forças hostis estão a movimentar-se. Jogam na divisão das forças que conduzem o processo e na desestabilização económica e social. Boicotaram a cerimónia na Assembleia Nacional em que Nicolas Maduro foi empossado como presidente da República. Fazem chicana jurídica em torno da Constituição, que odeiam, mas que demagogicamente acusam de não estar a ser respeitada. Há sectores que, temendo perder as eleições presidenciais, entretanto marcadas para 14 de Abril, preconizam o seu boicote e, em qualquer caso, preparam-se para contestar os seus resultados. Mas tal comportamento, encerrando perigos reais, o que denuncia é a fraqueza e a natureza golpista da chamada «oposição democrática» e o seu complôt com o imperialismo.
 
O desaparecimento de Hugo Chávez teve grande impacto internacional. Que testemunhaste a este respeito?
Confirmei o grande prestígio de que Hugo Chávez e a Venezuela bolivariana desfrutam no campo progressista e anti-imperialista. Nas cerimónias oficiais em que o PCP esteve representado estiveram presentes mais de 50 chefes de Estado ou de governo do mundo inteiro, com particular relevo para a América Latina, onde Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, países que integram a ALBA, tiveram grande destaque. De notar também a presença dos respectivos chefes de Estado e a importância atribuída a países que têm estado na mira do imperialismo, como é o caso do Irão. A firme oposição da Venezuela à política agressiva do imperialismo e a sua destacada contribuição para que o sub-continente latino-americano deixasse de ser o «pátio das traseiras» dos EUA granjearam grande prestígio ao presidente Hugo Chávez. As relações com a República Popular da China tiveram igualmente grande destaque na comunicação social. Estiveram ainda presentes numerosas representações de partidos políticos, organizações sociais e personalidades que têm uma posição solidária para com o processo bolivariano, como é o caso do PCP.
 
Atendendo às circunstâncias, como decorreu a tua estada?
Muito bem e de forma muito proveitosa para uma melhor compreensão do original processo revolucionário venezuelano. O principal consistiu na apresentação das condolências e dos sentimentos de amizade e de solidariedade do PCP às autoridades venezuelanas, a representação nas exéquias oficiais e a assistência à tomada de posse de Nicolás Maduro como presidente em exercício.
Mas foi também possível contactar com o Partido Socialista Unido da Venezuela e com o Partido Comunista da Venezuela, que convidou o PCP a assistir, no dia 10, à sua Conferência Nacional, onde se decidiu o apoio à candidatura de Nicolás Maduro, o qual esteve presente na Conferência e dirigiu uma calorosa saudação aos delegados.
De assinalar o acolhimento fraternal dispensado em todas as ocasiões ao nosso Partido. Esteve também presente a camarada Inês Zuber, membro do Comité Central do PCP, integrando a delegação do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica no Parlamento Europeu.

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