Segundo o governo inscreveu no relatório do Orçamento, a verba para a promoção de oferta e reabilitação habitacional é de 171 milhões de euros. Isto representa um corte de 40% face ao orçamento anterior. Pode fazer a propaganda que quiser, mas os fatos concretos são estes: corte na verba geral destinada à habitação, aumento forte na subsidiação à especulação imobiliária e um corte na oferta pública de habitação. Este governo segue a mesma opção que sempre combatemos: borlas fiscais para o poder económico que vai acumulando casas, prédios, quarteirões, bairros inteiros.
A explosão dos preços da habitação face aos salários aumentou mais que nunca este ano. O número de casas com a renda moderada de 2300 € disparou. O número de despejos aumentou 40% no último ano e os senhores acham pouco e querem facilitar ainda mais os despejos, aliás, levando ainda mais longe a lei cristas da vossa responsabilidade. Portugal está no topo nos países da OCDE com maior número de casas por 1000 habitantes. Não há falta de casas. As pessoas é que não as podem pagar. O problema é a especulação imobiliária. Não nos queira convencer que a situação desgraçada no país, na habitação, não tem nada a ver com a vossa política, nem nos queira convencer que os problemas da habitação se resolvem aumentando as rendas e facilitando os despejos.
O que é preciso é reforçar o orçamento para aumentar a habitação pública. O que é preciso é combater em vez de alimentar e premiar a especulação e a acumulação de casas vazias. O que é preciso é dar estabilidade aos contratos e à vida das pessoas.
Como é que o senhor ministro explica que haja mais dinheiro para PPPs no orçamento do que para a oferta de habitação? Como é que nos querem convencer que falta dinheiro para fazer o que é preciso quando são tão generosos com o dinheiro público para os grandes interesses do poder económico?







