Intervenção de Paulo Raimundo na Assembleia de República, Reunião Plenária

Os apoiantes da guerra são também responsáveis pelo aumento brutal e acelerado do custo de vida

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Por maior que seja a propaganda, a ilusão e os anúncios, a verdade é que Portugal não está melhor e a vida da maioria está pior.

Aumentos dos preços e do custo de vida, baixos salários e pensões, degradação dos serviços públicos, vidas difíceis em contraste com lucros recorde dos grupos económicos e multinacionais, é este o País real.

Quase três meses depois das tempestades que assolaram o País e destruíram vidas e os bens de milhares de pessoas, a vida está pior para quem desespera pelos apoios sempre prometidos mas que teimam sempre em não chegar. 

Ia ser tudo rápido, os apoios iam chegar de imediato, desta vez é que iria ser, mas tal como aconteceu com os incêndios, foram muitas as promessas, mas a realidade é a de sempre, esperar e desesperar e mais uma vez, as populações e os municípios entregues à sua sorte.

Milhares de casas por reparar, centenas de empresas com dificuldades em retomar a sua actividade, estradas e caminhos intransitáveis e sem condições, infraestruturas e equipamentos a exigirem rápido investimento. 

Os grupos económicos procuram limpar as suas responsabilidades, as seguradoras responderam tarde e de forma limitada e a realidade é que, quase três meses depois, energia e comunicações ainda não chegaram a todo o lado. 

A vida está mais difícil para quem recorre ao Serviço Nacional de Saúde. 

Dia 1 de Abril, parece mentira, mas é verdade, uma verdade que já acontece há demasiados anos. 

No Centro de Saúde do Cacém, às 7h da manhã, centenas de pessoas fazem fila. 
Os primeiros chegaram ainda no dia anterior, na tentativa de terem acesso a uma senha.

Os poucos que se safaram terão consulta nos próximos 3 meses, todos os outros se quiserem e se ainda puderem que voltem dia 1 de Julho para novamente tentar a sua sorte.

Faltam médicos, enfermeiros e técnicos no Serviço Nacional de Saúde e continuam a nascer bebés em ambulâncias porque os serviços foram encerrados. 

A vida dos que esperam por consulta e por cirurgia e dos milhares  ainda sem médico de família está pior.

A vida para quem já não aguenta os custos com medicamentos ou tratamentos, para quem tem de recorrer ao crédito para responder a um problema de saúde, está cada vez mais difícil.

A vida está pior para todos aqueles para quem está a sobrar a factura da guerra.

Dessa guerra de agressão dos EUA e de Israel ao Irão, que PSD, CDS, Chega e IL apoiam desde a primeira hora e para a qual arrastaram Portugal ao lealmente encascar as lajes transformando-a numa base de uma guerra criminosa. 

PSD, CDS, Chega e IL apoiantes da guerra, são por isso, também responsáveis pelo aumento brutal e acelerado do custo de vida, na habitação, nos alimentos, na energia, no gás, por todas as consequências na vida de cada um.

Um litro de gasóleo custa hoje em Portugal mais 50 cêntimos, um aumento brutal e como sempre muito rápido.

Um aumento que a imensa maioria dos trabalhadores, agricultores, empresários e o povo em geral sentem e de que maneira a pagar como nunca, ao mesmo tempo que há quem ganhe milhões com margens especulativas, essas margens que o Governo, mas também o Chega e a IL nunca querem tocar.

E bem podem vir agora todos tentar sacudir a água do capote, mas não se livram das vossas opções e responsabilidades e podem ter a certeza que serão julgados por todos aqueles para quem sobra sempre a factura das vossas decisões.

Tivessem a coragem de não envolver Portugal e condenar a guerra, tivessem a coragem de afirmar Portugal como um País soberano e empenhado na paz,  tivessem a coragem de enfrentar os que lucram com a guerra, tivessem a coragem de tomar as medidas de contenção dos preços, e a realidade de hoje não seria a mesma.

Falam, prometem e anunciam mas no fundo o que estão é a tratar, da vida e das negociatas dos grandes e dos poderosos, desses tais que julgam que têm Portugal nas mãos, esses sim, 
que vivem à sombra e à custa dos recursos públicos, dos benefícios e isenções fiscais, dos subsídios e das benesses de um Estado que tanto, aparentemente contestam, mas do qual não prescindem, para essa dúzia de grupos económicos que encaixaram 10 mil milhões de euros de lucros no ano passado e para os que giram na sua órbita, de facto o País está melhor mas querem sempre mais.

Dai a determinação em querer impor um pacote laboral que carrega sobre quem trabalha e já hoje enfrenta dificuldades, desde logo de acesso a uma casa para viver.

Querem um novo pacote laboral que mantenha tudo de negativo que já hoje existe e alterar para pior a legislação.

Os trabalhadores, o povo e a juventude aguentam muito, mas não vão permitir tudo e não vão aceitar ainda mais precariedade, ainda mais desregulação dos horários de trabalhado,  
ainda mais ataque aos seus direitos e salários. 

Cresce na sociedade o sentimento de exigência de mudança no sentido do progresso, dos direitos, da justiça social, da paz, de uma vida justa, é esse o rumo que se impõe e é com ele que o PCP está comprometido. 

 

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