Intervenção de João Oliveira na Assembleia de República

Sobre o falecimento de Jorge Sampaio

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Senhor Presidente,
Senhores Deputados,

No momento em que a Assembleia da República assinala formalmente o falecimento do Dr. Jorge Sampaio, quero começar, em nome do Grupo Parlamentar do PCP, por apresentar as condolências à sua família, em particular à sua mulher e aos seus filhos, e também ao Grupo Parlamentar do PS.

O Dr. Jorge Sampaio deixa ao País a memória de uma personalidade relevante da vida política nacional das últimas décadas, tendo assumido elevadas responsabilidades políticas, incluindo as de secretário-geral do PS, e também institucionais, designadamente como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Deputado à Assembleia da República e líder do seu grupo parlamentar, membro do Governo durante os governos provisórios, Presidente da República e membro do Conselho de Estado.

A Jorge Sampaio é também reconhecido, e queremos aqui sublinhá-lo, o seu percurso democrático e de resistência e combate ao fascismo. Destaca-se, nesse percurso, o papel assumido na defesa de numerosos antifascistas nos tribunais plenários durante a ditadura, papel assumido com coragem e genuína dedicação. Um dos resistentes antifascistas defendido por Jorge Sampaio nessas circunstâncias recordava há dias que ambos se conheceram numa sua deslocação à prisão de Peniche, facto que se torna assinalável na medida em que era raro os advogados deslocarem-se às prisões políticas para contactar os resistentes antifascistas que representavam.

Assinala-se ainda que, já na qualidade de Presidente da República, Jorge Sampaio visitou a antiga prisão de Peniche e ali homenageou todos os presos políticos.

Jorge Sampaio foi também um homem empenhado no diálogo dos democratas e das forças democráticas, antes e depois do 25 de Abril. Destaca-se a sua participação na crise académica de 1962 e na intervenção democrática na farsa eleitoral de 1969, situações em que foi consciente aliado dos comunistas e outros democratas.

Cidadão empenhado na defesa de valores humanistas e democráticos, Jorge Sampaio deixa um testemunho relevante do sentido universal dessa luta nos combates que travou antes do 25 de Abril pela democracia e a liberdade em Portugal mas também na sua intervenção em defesa da independência e auto-determinação de Timor-Leste ou em defesa dos refugiados.

Lembrando-o em todas essas circunstâncias, o PCP lembra uma personalidade relevante da vida política nacional cujo percurso se cruzou com frequência com o percurso daqueles que, em circunstâncias diversas, lutavam para se libertar da ditadura e da opressão e para construir um futuro de liberdade, democracia, paz, progresso e melhores condições de vida.

Não esquecendo as divergências que a História já se encarregou de assinalar face ao posicionamento assumido pelo Dr Jorge Sampaio em vários momentos do seu percurso, o PCP quer hoje sobretudo assinalar, valorizando-as, as convergências que com ele foi possível construir, a bem dos trabalhadores e do povo que delas beneficiaram.

Por isso exprimimos as nossas condolências a todos quantos sofrem com a sua perda.

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