Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

90 anos de Ary dos Santos «Poeta da Revolução»

O Partido Comunista Português evoca, sob o lema “Poeta da Revolução”, os 90 anos do nascimento de José Carlos Ary dos Santos, nascido a 7 de Dezembro de 1936 em Lisboa.

Poeta da Revolução, Ary dos Santos colocou o seu imenso talento ao serviço dos ideais de justiça, liberdade e progresso social que sempre nortearam a sua criação artística e a sua intervenção política. 

Os seus poemas, traduzindo uma notável criatividade e sensibilidade humanas, acompanharam o caminho e a história da resistência ao fascismo e da Revolução de Abril, de que ele é, incontestavelmente, poeta. 

Ary dos Santos começou a escrever poesia muito novo e em 1953, com apenas 14 anos, é publicado pela família, contra a sua vontade, o seu primeiro livro Asas.

Em 1954 é reconhecida a qualidade da sua escrita com a escolha de alguns dos seus poemas para a Antologia do Prémio Almeida Garret.

Da sua vasta obra publicada constam títulos como A Liturgia do Sangue (1963), Tempo da Lenda das Amendoeiras (1964), Adereços, Endereços (1965), Insofrimento in sofrimento (1969), Fotos-Grafias (1970), Resumo (1972), As Portas que Abril Abriu (1975), O Sangue das Palavras (1978), 20 Anos de Poesia (1983) e VIII Sonetos (1984). 

A par da criação literária, desde 1958 trabalhou na área da publicidade onde se destacou pela criatividade nos slogans publicitários. 

Foi um dos grandes declamadores do século XX da sua própria obra e da de outros autores portugueses, como Luís de Camões (com Eunice Muñoz), com uma discografia que inclui Ary por si próprio (1970), Cantigas de Amigos (com Natália Correia e Amália Rodrigues), Bandeira Comunista (1977), Ary por Ary (1979) e Ary 80 (1980).

Ary dos Santos contribuiu ainda decisivamente para a inovação da canção e da música ligeira com a escrita de mais de 600 poemas, de onde constam A Desfolhada, Tourada, Cavalo à Solta, Menina, entre tantas outras que ganharam vida na voz de nomes incontornáveis da música portuguesa como Carlos Mendes, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Simone de Oliveira ou Tonicha. 

Teve importante ligação ao Fado. Escreveu para grandes nomes da história do fado, nomeadamente, entre outros, Amália Rodrigues (Meu amor, meu amor; Alfama), Beatriz da Conceição (Meu Corpo), Carlos do Carmo (Um homem na Cidade; O homem das castanhas; Os putos), José Manuel Osório (Desespero; Fado do Miradouro) ou Maria Armanda (Mãe solteira; Fado mulher).

A vigorosa actividade e o rasgo criativo e a profundidade política do gesto criador em Ary são inseparáveis. Para a história ficou o episódio da criação de A Bandeira Comunista, esboçada e ditada ao telefone, em Agosto de 1975, para o comício de solidariedade com as organizações atacadas pelos movimentos contrarevolucionários. Este episódio, um dos muitos e que pontuaram a vida do poeta e militante do PCP desde 1969, ilustra o lugar que ocupou a unidade indissolúvel entre a criação e a luta política na sua obra.

Um imponente e intemporal património artístico que, sem abdicar da singularidade das circunstâncias da sua redacção, se tornou parte irrenunciável do nosso legado cultural e de luta. Os seus poemas são uma parte grande do património colectivo do povo e dos comunistas portugueses. Dizê-los e cantá-los, hoje, significa prosseguir esse combate pelos ideais e conquistas de Abril.

O Partido Comunista Português, o seu Partido, comemorará os 90 anos do nascimento de José Carlos Ary dos Santos com um programa de iniciativas a decorrer até Maio de 2027, que será apresentado no dia 2 de Julho, em Alfama, e do qual se destaca a presença na 50.ª edição da Festa do Avante, a realização de uma exposição, novas edições da sua obra, um concerto em Lisboa, abordagens temáticas da sua vida e obra.

O PCP vai comemorar os 90 anos de José Carlos Ary dos Santos, sublinhando o intelectual destacado, o militante de convicções inabaláveis, a qualidade e a actualidade da sua obra poética de grande sensibilidade humana, a superior apreensão da vivência do mundo envolvente, a intensidade política e identificação profunda com os anseios e as aspirações dos trabalhadores e do povo.

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