Intervenção de Ana Gusmão, Membro do Executivo da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP, XX Congresso do PCP

As organizações de base - Células de empresa

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Camaradas,

No projecto de resolução política do nosso Congresso reafirmamos a prioridade fundamental que atribuímos à organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho. Não é nova esta orientação, nem poderia sê-lo no Partido da classe operária e de todos os trabalhadores. Trata-se do instrumento essencial da sua identidade de classe. Não sendo nova, reforça-se a necessidade de discutir como a levamos à prática, já que - reforçando o nosso trabalho junto da classe operária e dos trabalhadores, - reforçamos o Partido e a sua capacidade de transformação revolucionária da sociedade.

Das medidas elencadas uma se afirma fundamental: a criação, dinamização e reforço das células de empresa e local de trabalho.

Temo-lo reafirmado: A célula de empresa, a mais importante organização de base do Partido, liga o Partido aos trabalhadores e os trabalhadores ao Partido. É à célula do Partido, organizando os comunistas naquele local de trabalho, que cabe, partindo da sua realidade concreta, encontrar a reivindicação que une e mobiliza, enquadrá-la na luta mais geral dos trabalhadores contra a exploração, apresentar a perspectiva política que lhe responde e, nessa perspectiva, incluir os objectivos e as formas de luta. É à célula que cabe trabalhar para que ao alargamento do número e da força daqueles que se envolvem na luta pelos seus interesses corresponda uma elevação da sua consciência de classe e política e logo um reforço do Partido dos trabalhadores.

Compreende-se pois a prioridade que lhe atribuímos, mas não basta afirmá-lo, é preciso decidir e por em prática, sem hesitação, as medidas que a concretizem. Conhecemos as dificuldades: a destruição do aparelho produtivo nacional, o desemprego, a desregulamentação dos horários de trabalho, a precariedade, a repressão, entre outras Mais do que assinalá-las, cabe-nos usar dos nossos meios para as transpor.

Precisamos assim de persistir na orientação de organizar os militantes no activo em organismos de local de trabalho hierarquizando as empresas prioritárias ou estratégicas, responsabilizando mais quadros para concretizar as orientações decididas.

Onde ainda não temos célula precisamos de, envolvendo os militantes do Partido com tarefas nas ORT, definir planos de trabalho, procurar a «ponta», alargar o conhecimento da realidade, persistir no contacto e na presença do partido através da informação e propaganda específica, na intervenção de fora para dentro, contribuição imprescindível para a criação da célula.

E, como mais importante que «ir lá» é «estar lá», precisamos de, contactar audaciosamente com os trabalhadores mais conscientes, que se destacam na luta, para que compreendam que o Partido precisa tanto deles quanto eles precisam do Partido. Precisamos de nos dirigir de forma particular, aos dirigentes e delegados sindicais, membros de CT, e outras ORT.

Mas, camaradas, mais recrutamentos não significam à partida mais militância. É preciso cuidar da integração de cada um e atribuir-lhe uma tarefa, adaptar as formas organizativas à realidade e às necessidades do Partido, criando, se preciso for, organismos que agrupem camaradas dispersos em vários locais de trabalho, por sector ou área geográfica, reforçando os organismos de direcção e responsabilizando mais quadros pela criação de novas células.

Mas «estar lá» não chega. É preciso que a célula seja o Partido na empresa. E por isso onde as células já existem precisamos de melhorar o trabalho colectivo, procurar o horário o sítio e o dia certo da reunião para juntar camaradas dispersos em horários, secções e locais de residência tão diferentes, aproveitar a hora de almoço, o transporte para casa, a conversa individual, para que, ligadas à vida, as células cumpram o seu papel de direcção, no reforço da luta e do Partido, na transformação da luta económica em luta política.

Precisamos, em suma, de responder às dificuldades objectivas que nos são impostas redobrando os esforços, quebrando as rotinas no nosso trabalho, substituindo velhos hábitos por aqueles que mais se adeqúem à realidade de cada local de trabalho e da influência do Partido nele.

Camaradas,

Para alterar a situação política no país a favor dos trabalhadores precisamos de alargar a luta que transforma, só o faremos com mais força organizada, e essa só a construímos com mais Partido nas empresas e locais de trabalho.

Temos a orientação revolucionária, não nos faltará engenho, ao trabalho camaradas!

Viva a luta dos trabalhadores!
Viva o Partido Comunista Português!

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