Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral

Os sucessivos governos defendem os interesses dos poderosos por opção e por conveniência própria

Os sucessivos governos defendem os interesses dos poderosos por opção e por conveniência própria

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"O alastramento das redes de corrupção, da proliferação de teias de negociatas, dos compadrios, da fraude e evasão fiscais" são o "resultado acumulado de uma política de anos ao serviço da recuperação capitalista e reconstrução dos grandes grupos económicos monopolistas e do seu domínio, protagonizada por sucessivos governos dominados pelos mesmos que hoje governam o País - PSD e CDS - e pelo PS" afirmou Jerónimo de Sousa no almoço-comício realizado em Peniche.

"A Constituição da República afirma como um princípio fundamental que o poder económico se deve submeter ao poder político, só que em Portugal o poder político deixou-se capturar pelo poder económico. Não governam para o povo, governam para defender os interesses dos poderosos por opção e por conveniência própria. Ao povo com a sua luta e o seu voto compete o direito de dizer basta, cumpra-se a constituição de um poder político ao serviço do povo português e não dos poderosos, dos mais ricos" destacou o Secretário-Geral do PCP.

Dando um novo exemplo da degradação da situação política e institucional, Jerónimo de Sousa referiu-se ao "visível alastramento das redes de corrupção, da proliferação de teias de negociatas, dos compadrios, da fraude e evasão fiscais que são de ontem e são de hoje: São de hoje, porque são o resultado das opções políticas deste governo, como se vê com o escândalo dos Vistos Gold e a detenção de altas figuras do Estado nestes dias. Esses vistos dourados que são uma imagem de marca deste Governo do PSD/CDS e que se revelaram, como previu e preveniu o PCP, uma porta aberta ao branqueamento de capitais, através da aquisição de património de luxo e uma fonte de corrupção; são de ontem e de hoje, porque são o resultado acumulado de uma política de anos ao serviço da recuperação capitalista e reconstrução dos grandes grupos económicos monopolistas e do seu domínio, protagonizada por sucessivos governos dominados pelos mesmos que hoje governam o País - PSD e CDS - e pelo PS, como se tem visto também, entre outros, nos processos do BPN, do BPP, do BCP e agora do Grupo GES/BES, cuja implosão é bem a imagem de marca de uma política assente na mentira, na especulação, na fraude, na promiscuidade entre negócios públicos e privados, como está patente também nestes processos, e agora nos Vistos Gold".

"Política de mentira e obscurantista que permanece e se tornou a política oficial deste governo de Passos e Portas. Bastaria ver o rol das trapaças construídas à volta do Grupo GES quando afirmavam que conheciam a situação do Grupo e iludiam toda a gente com a garantia de que estava tudo sobre controlo e sobre a própria intervenção do Estado no Novo Banco quando negavam o que agora confessam - que é o povo que vai ser chamado, uma vez mais, a pagar as falcatruas dos bancos. É inquestionável que hoje a degradação invadiu todas as esferas vitais para o funcionamento da nossa vida colectiva. Que não há sector da vida nacional que não experimente o impacto de uma política que se revelou catastrófica, com o Estado a ser invadido por redes de negócios obscuros com ligação a redes de empresários com práticas criminosas. Os últimos acontecimentos à volta do processo dos Vistos Gold mostram bem que este governo do PSD/CDS-PP não tem condições para continuar à frente dos destinos do País" disse.

Jerónimo de Sousa assinalou ainda que "são precisas respostas claras e não jogos de sombra. Como foi possível o envolvimento ao nível do topo das estruturas do Estado? Quem deu instrução para agilizar os procedimentos para fazer andar os vistos? Quem conduziu o SIS, que depende directamente do Primeiro-Ministro, para fazer a limpeza das provas no computador do SEF? São precisas respostas claras para que o muito que se conhece, e o que ainda falta conhecer, não fique submerso no lastro de encobrimentos que fizeram com que outros casos nunca tenham vindo à tona de água!"

O Secretário-Geral terminou a intervenção deixando sublinhado que o PCP está em condições de assumir as responsabilidades que o povo português lhe entenda atribuir, "Nós temos uma proposta de política alternativa inseparável de uma alternativa política capaz de a construir e concretizar, valorizando a luta dos trabalhadores e do nosso povo e apelando à convergência de democratas e patriotas, consideramos que só reforço do PCP pode ser o pilar da política alternativa. Partido de luta e proposta, partido sério com uma só cara que honra sempre a palavra dada. O que dizemos neste salão é o mesmo que dissemos na Assembleia da República e em todo o lado. Temos um projecto, temos um ideal e temos uma forma diferente de estar na política porque nós, Partido Comunista Português, estamos aqui para servir os interesses do povo e do país e não para nos servimos a nós próprios. Partido que está em condições de assumir as responsabilidades que o povo português lhe entenda atribuir, incluindo responsabilidades governativas. Partido que com o seu projecto e o seu ideal assume-se como portador da esperança por uma vida melhor num país mais desenvolvido e progressista".

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