Intervenção de José Casanova, membro do Comité Central e Director do Jornal «Avante!», XIX Congresso do PCP

«Avante!» – papel único e insubstituível

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Na luta que o nosso Partido trava todos os dias, pelos seus objectivos de cada momento e pelo seu objectivo supremo de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, a imprensa partidária – o Avante! e O Militante - desempenha um papel de importância crucial.

É através da imprensa partidária que o Partido faz chegar aos trabalhadores e ao povo as suas opiniões, as suas análises, as suas propostas, as suas palavras de ordem – assim dando combate à brutal ofensiva de desinformação organizada levada a cabo pelos média dominantes, os quais, porque são propriedade do grande capital, fazem do PCP o alvo preferencial e prioritário dessa ofensiva.

É através da imprensa partidária que os trabalhadores e o povo são informados sobre o que se passa no País e no mundo, repondo a verdade onde os média dominantes espalham a mentira e a manipulação, informando sobre o que os jornais não dizem, as rádios não falam e as televisões não mostram.

E tanto assim é que podemos dizer, e comprovar, que quem não ler o Avante! não sabe parte grande do que se passa no nosso e nos restantes países do planeta – e só sabe aquilo que o grande capital quer, ou seja, aquilo que serve os interesses dos grandes e poderosos. Isto, não obstante esses órgãos da desinformação organizada se auto-proclamarem, hipocritamente, exemplos perfeitos de «liberdade de informação», de «isenção», de «imparcialidade», de «pluralismo»…

Nos tempos do fascismo, o Avante! era «a voz dos que não têm voz» - porque era o único jornal que, rejeitando a censura fascista e enfrentando-a – ou seja, conquistando a liberdade de informação, assumindo-a - dava voz aos trabalhadores e ao povo, às suas lutas, aos seus anseios e às suas aspirações. Hoje, com a generalidade dos órgãos de comunicação concentrados nas mãos dos detentores do poder económico – e comportando-se como a voz do dono - o Avante! volta a ser «a voz dos que não têm voz», e também nesse aspecto é o digno continuador do heróico Avante! clandestino.

A par de um anticomunismo que, cada vez mais primário, continua a disparar mentiras, calúnias, ódio, contra o socialismo e o comunismo em geral, a ofensiva contra o PCP ocupa lugar destacado nas preocupações dos média dominantes. O silenciamento da actividade do Partido, a deturpação ou a falsidade sobre a sua actividade, as suas propostas, os seus objectivos, fazem o dia-a-dia dos jornais, rádios e televisões que compõem o universo mediático nacional.

É grande o poder da ofensiva ideológica anticomunista, quer pela sua cuidada elaboração quer, especialmente, pela legião de órgãos de difusão de que dispõe. Sabemos que todos os dias, de todas as semanas, de todos os meses, de todos os anos, a desinformação organizada, ao serviço dos interesses dos proprietários dos média dominantes, faz entrar nas casas de milhões de pessoa, sob as mais diversas formas e os mais sofisticados disfarces, a opinião do grande capital – e quando logra transformar essa opinião mil vezes publicada em «opinião pública», atinge o seu objectivo principal. O que significa que um militante comunista que não leia regularmente o Avante! é um militante fragilizado, quer enquanto alvo da ofensiva ideológica do inimigo de classe, quer enquanto divulgador e defensor das orientações e análises do Partido.

Assim, a ofensiva ideológica a que os média do grande capital submetem o Partido, coloca ao nosso colectivo partidário múltiplas exigências. Exigências de resposta que - começando na necessária intensificação da actividade do Partido em todas as suas áreas de intervenção e, de forma particular, junto do proletariado - se complementam com a acção informativa e formativa da imprensa partidária.

Por isso, a difusão e leitura do Avante! e do Militante constituem uma tarefa partidária da maior importância. Uma tarefa tão importante como a mais importante das tarefas do Partido e para a qual, por isso mesmo, devemos mobilizar as nossas forças e esforços.

Mostra a experiência, camaradas, que o êxito dessa tarefa só pode ser atingido tendo como suporte essencial e decisivo a organização do Partido, a militância revolucionária – que é, afinal, a alavanca propulsora de toda a actividade partidária.

E mostra essa mesma experiência que, ali onde as organizações conseguem tomar medidas e organizar a venda militante do Avante! – com bancas de rua; com vendas nos mercados e nos terminais de transportes; com acções visando angariar novos assinantes... – as vendas crescem, aumenta a difusão e o Avante! passa a ser lido por mais trabalhadores e passa, assim, a cumprir melhor e com maior eficácia, a sua tarefa de órgão central do Partido Comunista Português – condição a que está ligado desde a sua criação nos tempos difíceis de 1931.

Da história do Avante! nesses tempos difíceis, é justo e necessário recordarmos aqui, no nosso Congresso, o camarada José Moreira, cujo centenário passa este ano. José Moreira era operário vidreiro na Marinha Grande, donde passou, em 1945, a funcionário do Partido, ficando responsável pelas tipografias clandestinas, até ser preso, em 1949. Registe-se que durante esses quase cinco anos nenhuma tipografia foi localizada pela PIDE. Prendendo-o, a polícia salazarista pensou que ia conseguir finalmente cumprir o seu sonho de desmantelar a rede de tipografias do Partido. Bastaria, para isso, que o preso falasse…

Só que José Moreira não forneceu à PIDE uma única morada, não falou: preferiu morrer a trair o seu Partido.

Com efeito, a PIDE torturou-o até à morte e, procedendo à habitual encenação do «suicídio», atirou o seu corpo da janela do segundo andar do edifício.

E as tipografias clandestinas continuaram a imprimir o Avante!, O Militante e os restantes materiais do Partido.

Eram tempos difíceis, esses, tempos difíceis que superámos com a luta, como hoje, lutando, superaremos o tempo difícil que vivemos. Este tempo que, em vários aspectos, não é mais fácil do que o tempo da fascismo. Este tempo que nos coloca responsabilidades, exigências e tarefas incontornáveis. Este tempo que precisa de nós, comunistas, da nossa determinação, da nossa inteligência, da nossa capacidade, do nosso saber, da nossa coragem. Este tempo que nos coloca a responsabilidade de resistir, mas de resistir à nossa maneira comunista, de resistir fazendo futuro, de resistir fazendo dos caminhos da resistência caminhos do futuro e para o futuro. Este tempo da coragem necessária, uma coragem da qual, assumindo-nos como comunistas, somos o motor e a vanguarda.

Por isso e para isso somos comunistas. Por isso e para isso somos militantes deste nosso Partido Comunista Português.

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