Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP

Sobre a derrota da conspiração reaccionária

1. A manifestação contra-revolucionária anunciada para o dia 28 saldou-se por uma nova e brilhante vitória das forças democráticas e do Movimento das Forças Armadas. De norte a sul do País, as massas populares, vigilantes, firmes e corajosas, cortaram o caminho à reacção e, aliadas aos militares, conduziram ao fracasso a grande manobra que, no seu desenvolvimento, visava a liquidação das liberdades e a instauração de uma nova ditadura.

2. O Comité Central do Partido Comunista Português felicita vivamente todas as organizações e membros do Partido que tomaram nas suas mãos a iniciativa da luta para impedir a manifestação contra-revolucionária. O Comité Central envolve nesta saudação o Movimento Democrático Português e outras organizações democráticas, numerosos sindicatos, os militares e os meios de informação que tiveram destacada. participação nesta grande acção nacional de massas, assim como todos aqueles que, dedicada e valentemente, nela colaboraram.

O povo português de novo se irmanou unido numa grande batalha pela liberdade. A vitória alcançada reforça as bases de unidade para as futuras batalhas que nos esperam até às eleições para a Assembleia Constituinte e a criação de um regime escolhido pelo próprio povo.

3. As massas populares deram nova demonstração da sua consciência política, combatividade, firmeza e espírito organizativo e criador. O estabelecimento de barragens nas estradas e a sua grande eficiência, assim como as manifestações que logo se sucederam, constituem uma afirmação da força das massas, quando organizadas. Esta grande jornada encerra numerosos e ricos ensinamentos de extraordinária utilidade para a luta futura.

4. É completamente justo que as forças democráticas e o povo português se sintam fortalecidos com esta vitória, assim como a acção empreendida pelo Movimento das Forças Armadas que conduziu ao desmantelamento da rede fascista contra-revolucionária e à prisão de alguns responsáveis. Seria porém errado considerar que esta vitória afasta completa e definitivamente a ameaça da reacção. Esta continua sendo poderosa e dispõe de grandes meios e de fortes protecções. Se não se aprofunda a vitória, não passará muito tempo que não volte à ofensiva.

É necessário continuar o saneamento, levar a cabo a anunciada reorganização das forças militarizadas, manter bem viva a vigilância, proibir a actividade de partidos e organizações fascistas, descobrir e desarticular as organizações contra-revolucionárias clandestinas e punir os seus responsáveis.

Sustendo a ofensiva contra-revolucionária, o povo passou por sua vez à ofensiva. É necessário prossegui-la com vistas à consolidação da democracia e ao prosseguimento da descolonização. A unidade da classe operária, a acção comum das massas populares, a estreita cooperação das forças democráticas, a aliança do movimento popular com o Movimento das Forças Armadas — são condição e garantia da vitória final da democracia e da paz no nosso pais.

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