Declaração de Francisco Lopes, membro do Secretariado e da Comissão Política do Comité Central, Lisboa
Sobre a acção do Presidente da República, um ano após as eleições presidenciais de Janeiro de 2011
Segunda 23 de Janeiro de 2012Artigos Relacionados
Declaração de Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central, Lisboa
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Domingo 1 de Janeiro de 2012Passado um ano sobre a eleição de Cavaco Silva como Presidente da República para um segundo mandato, o País está mais pobre, mais dependente e menos soberano. O povo português vive um dramático agravamento das condições de vida, o desemprego e a precariedade atingem taxas nunca vistas desde o fascismo, aumentam a miséria, as desigualdades e as injustiças sociais. O aparelho produtivo nacional continua a ser destruído, verifica-se uma profunda recessão económica e Portugal vê comprometido o seu presente e futuro.
O mandato de Cavaco Silva tem-se pautado, como antes fizera com o Governo PS, pelo apoio e cumplicidade com a política do Governo do PSD-CDS-PP, que tem significado uma profunda regressão social e económica do país.
Podendo intervir através dos instrumentos ao seu dispor para impedir o rumo de desastre e abdicação nacional, Cavaco Silva tem optado por não o fazer, mesmo quando isso significa a prática sistemática de desrespeito pela Constituição da República Portuguesa, que jurou defender, cumprir e fazer cumprir.
Este é mais um mandato, à semelhança do anterior, em que o Presidente da República intervém beneficiando os grupos económicos e financeiros, contra os trabalhadores, o povo e o País. Cavaco Silva dá assim continuidade a um percurso que o torna num dos principais responsáveis pela situação a que o País chegou.
Neste último ano, sete aspectos se destacam entre muitos outros que caracterizam a sua prática.
Primeiro. O seu discurso de tomada de posse com um conteúdo demagógico, populista e retrógrado profundamente vinculado à política de direita das últimas décadas que é responsável pela grave situação em que o País se encontra.
Segundo. As suas afirmações legitimadoras da guerra colonial e do colonialismo que assumiram um carácter claramente reaccionário e passadista.
Terceiro. O seu apoio ao chamado memorando de entendimento, o Pacto de Agressão subscrito pelo PS, PSD e CDS-PP com o FMI, a UE e o BCE, que constituiu um golpe contra a Constituição da República no seu processo e conteúdo e é um instrumento que a cada dia que passa mais evidencia a sua dimensão brutal no plano económico, social, político, cultural e nacional.
Quarto. A sua intervenção, elogiada por Passos Coelho e ao lado das associações patronais, no sentido do estabelecimento do chamado acordo da concertação social, que representa um dos mais violentos ataques de sempre aos interesses e direitos dos trabalhadores.
Quinto. A sua desvalorização dos problemas dos trabalhadores e do povo, das profundas desigualdades e injustiças sociais existentes no País, bem evidenciada recentemente quando declarou que o valor da sua reforma não lhe chega para pagar as despesas. Sabendo-se que aufere de pensões de reforma vários milhares de euros por mês, tal afirmação constitui um insulto aos trabalhadores, aos desempregados e aos reformados e pensionistas, que têm de viver com vinte ou trinta vezes menos que os rendimentos de Cavaco Silva e em relação aos quais defende cortes e mais cortes de salários, de pensões, de apoios sociais e de serviços públicos.
Sexto. A sua permanente posição de hipocrisia, quando identificando muitos dos problemas do País esconde ao mesmo tempo causas e responsabilidades. Quando Cavaco Silva fala da agricultura, da indústria, das pescas ou do mar, não só passa uma esponja sobre as suas próprias responsabilidades enquanto ministro e primeiro-ministro e agora como presidente, mas também continua a caucionar o rumo de abandono e destruição da produção e de aumento da dependência do País.
Sétimo. O seu comprometimento com as orientações da União Europeia e a estratégia global do capitalismo assente na exploração, ingerência, guerra, domínio e ocupação que ameaça e atinge povos e países em todo o mundo.
Longe, muito longe, dum Presidente da República que assuma as suas funções no quadro dos poderes e deveres que a Constituição da República lhe confere; longe, muito longe, dum Presidente da República que, numa situação sem paralelo desde o fascismo, assuma a responsabilidade de defender e afirmar a democracia, a soberania e a independência nacionais – Cavaco Silva na Presidência da República é o provedor dos interesses do capital monopolista, dos seus lucros, do saque dos recursos nacionais. Cavaco Silva é e assume-se como garante deste rumo que aceleradamente está a promover a exploração, o empobrecimento e o afundamento do País.
Apenas um ano passado sobre as eleições presidenciais de 2011, a actual situação e a acção do Presidente da República confirmam os alertas que o PCP fez durante a campanha eleitoral. Neste contexto, o PCP só pode fazer um balanço profundamente negativo deste primeiro ano do segundo mandato de Cavaco Silva.
A solução para os problemas do País não passa por esta política, por este Governo, por este Presidente da República. O futuro do País, tal como o PCP sublinhou e sublinha, passa por uma ruptura com este rumo e por uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que aproveite os recursos e as potencialidades nacionais e as coloque ao serviço dos trabalhadores, do povo e do país.
O PCP apela aos trabalhadores e ao povo português para que convirjam numa cada vez mais forte corrente de protesto e de luta pela rejeição do Pacto de Agressão, desenvolvendo um vasto movimento popular, que congregue todas as camadas antimonopolistas, todos os democratas e patriotas.
O PCP apela à participação na grande manifestação nacional convocada e organizada pela CGTP-IN para o dia 11 de Fevereiro que culminará no Terreiro do Paço em Lisboa.
Com a confiança e a certeza que é da força dos trabalhadores, da juventude, do povo, da sua luta, que resultará a mudança capaz de garantir a concretização do projecto de democracia política, económica, social, cultural e de independência nacional que a Constituição da República consagra. Um projecto assente nos valores libertadores e transformadores de Abril que aponta o caminho do progresso social, de um Portugal com futuro.


