Intervenção de Ana Pato, Membro do Comité Central do PCP, XIX Congresso do PCP

A resistência e luta antifascista

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Os comunistas sempre estiveram e continuarão a estar na linha da frente da luta pela democracia. É a causa da conquista e da defesa das mais elementares liberdades para as classes exploradas: a sua liberdade de organização, de expressão e também a elevação das suas condições de vida. A luta antifascista insere-se neste combate contra as expressões antidemocráticas e as formas mais violentas de opressão.

A humanidade foi testemunha dos horrores do fascismo no século passado. Os regimes fascistas não são resultado de motivos subjectivos como a maldade dos dirigentes políticos. Eles resultam de condições objectivas que emanam da própria sociedade capitalista. Perante a necessidade do capital reprimir a luta libertadora dos trabalhadores e dos democratas e, por outro lado, de prosseguir o caminho da exploração imperialista, a solução adoptada foi a da força e conduziu à constituição daquelas ditaduras terroristas do grande capital.

Por mais difícil e longínqua que parecesse a vitória, a força do povo foi capaz de derrotar o nazi-fascismo que ameaçou o mundo.

Enfrentamos novamente uma das mais profundas crises do sistema capitalista. As contradições agudizam-se. A necessidade da exploração e da repressão reforça-se. Interessa ao capital branquear o fascismo e rescrever a história para tornar mais fácil a adopção de quaisquer medidas e políticas conformes com os interesses da classe dominante. Mas porque a história nunca se repete exactamente da mesma maneira, o que é preciso dar a conhecer é a própria essência do fascismo, para lá das diferentes aparências que pode ter.

Na Europa, há grupos neo-nazis e partidos de extrema-direita que se organizam e ganham força social e eleitoral. É preciso combater as suas ideias e as suas acções. Mas nunca de forma imediatista e desligada do combate às razões económicas e políticas que lhes dão sustento. O fascismo pode vestir fato e gravata e às vezes até falar de democracia. Esse é mais perigoso porque é mais dissimulado.

É preciso contrariar a ideia errada de que a luta antifascista é uma tarefa do passado e que resistente antifascista é aquele que lutou antes do 25 de Abril. É cada vez mais necessário entender esta como uma tarefa dos dias de hoje e de todas as gerações.

É uma tarefa que diz respeito à preservação da memória histórica. É preciso combater a falsificação da história: denunciar que aquilo a que chamam Estado Novo foi uma ditadura fascista, combater a ocultação do papel dos comunistas na resistência organizada e da União Soviética na derrota do nazi-fascismo. Quanto melhor a humanidade e, em particular, as novas gerações, conhecerem os crimes do fascismo e a luta travada, menos fértil é o terreno para o surgimento de ideologias neo-nazis e para o apoio de massas a soluções ditatoriais, mais ou menos disfarçadas.

A luta antifascista é também a defesa das conquistas de Abril e das liberdades e direitos democráticos. Liberdade e democracia não são conceitos abstractos. É preciso mostrar e defender o seu conteúdo concreto tão atacado nos dias de hoje. Em Portugal, há trabalhadores que são despedidos por fazerem greve, há manifestações e reuniões gerais de alunos que são impedidas, há militantes do PCP e da JCP acusados por pintarem murais.

A luta antifascista não é apenas dos comunistas. É do interesse de todos os democratas. É necessária a unidade em torno destes objectivos. Foi uma tarefa do passado e é uma tarefa do presente. O trabalho unitário da União de Resistentes Antifascistas Portugueses confirma na prática a actualidade e as potencialidades desta frente de trabalho. É necessário consolidar e criar núcleos da URAP por todo o país.

Camaradas,

O capitalismo usa e usará a violência para impor a sua dominação, na medida das suas necessidades e na medida da sua força e da dos seus adversários. É nosso dever unir todos os interessados na defesa das liberdades e da democracia. É nosso dever mostrar o fundamento do fascismo e das medidas de carácter fascista. E, portanto, de forma consequente, é nosso dever de comunistas mostrar como esse fundamento só desaparece quando o povo derrotar o sistema que lhe dá origem.

Viva a JCP
Viva o Partido Comunista Português

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