&quot;Por um novo ambiente dentro da CML&quot;<br />António Abreu na &quot;Capital&quot;<span class="titulo1">

Não será este o espaço onde, sistematicamente, reproduzirei discussões internas da CML, apesar de ser Lisboa que aqui me trouxe e de outro colunista semanal ser também vereador, mas da actual maioria. Mas, como compreenderá o leitor, em certos momentos isso é inevitável. Vem isto a propósito da última reunião pública da Câmara de Lisboa, que já teve o tratamento noticioso que cada um entendeu dar-lhe.Não estando previsto nas ordem de trabalhos, mas por actos da actual maioria, foram abordados as os atropelos aos direitos dos que trabalham na e com a CML, por eleição ou vínculo contratual, e a ética de relações, que da base ao topo, do autarca a qualquer trabalhador, se tem que estabelecer entre as cerca de dez mil pessoas em questão, para que a CML possa funcionar satisfatoriamente face à dimensão dos problemas e das expectativas que a população deposita em todos nós.Trabalhadores da CML, com o seu sindicato, deram conta das promessas feitas por Santana Lopes em plenário de trabalhadores na Cordoaria, em Outubro passado, e que a CML não tinha cumprido. Nomeadamente que não faria despedimentos, incluindo nesta designação a cessação de formas precárias de contratação, mas que, em alguns casos já duravam há anos e que preenchiam necessidades permanentes de serviço, em resultado da lentidão na integração desses trabalhadores nos quadros da Câmara. Foram referidos também o grande atraso em alguns concursos de ingresso e promoção, as más condições de trabalho que persistem em alguns locais e a falta de resposta ao diálogo com o sindicato.Doeu-me particularmente o despedimento de nove jovens .Por razões de responsabilidades pessoais durante oito anos, vi-os crescer e trabalhar com entusiasmo (passe o aparente paternalismo). São jovens promissores até para o desempenho das mais altas responsabilidades e que faziam parte da Divisão de Apoio Juvenil. Divisão que, assim foi afectada em 60 % dos seus efectivos com a seca “justificação” de que “não tinham vínculo, os seus serviços já não eram necessários e não se enquadravam na política de juventude da actual maioria”. Foram eles e outros seis, do quadro da CML, que durante os últimos anos organizaram ou co-organizaram ,com centenas de associações juvenis da cidade, uma actividade de grande valor. As Semanas da Juventude, as Semanas da Liberdade, a Maratona Fotográfica, o Festival de Teatro Jovem (Mostra-te), a Cena d’Arte (artes plásticas e performativas), o Tócabrir (bandas), o Ecran Total (video), a elaboração de propostas de apoio às centenas de associações juvenis, formais e informais, da maior diversidade possível de actividade, a organização e funcionamento de dois centros de informação juvenil no Campo Grande e nas Amoreiras, a entrega de espaços a associações juvenis, a feitura de um jornal e de uma agenda, a contribuição nos debates de onde foram propostas à CML iniciativas para a habitação, como o programa EPUL-Jovem ou as cooperativas, o trabalho incansável, com outros trabalhadores da CML, na organização e apoio às múltiplas acções que em 1999 se realizaram em Lisboa de apoio ao povo timorense, são parte de uma obra que lhes saiu da imaginação e do corpo.Com agregados familiares constituídos e encargos que vão deixar de poder satisfazer, sem qualquer aviso prévio, no decurso de dinâmicas de trabalho a que há mais de um ano a nova maioria se referia muito positivamente, receberam nas suas casas uma carta seca de despedimento sem qualquer palavra da sua actual vereadora e respectivo assessor: Pedro Vieira, de 27 anos, licenciado em Comunicação e Comportamento do Consumidor, Alexandre Maurício, de 24, licenciado em Ciências Políticas, Marta Martins, de 27,licenciada em Direito, Isaura Lopes, de 31, bacharel em Design de Moda, Sonia Tavares, de 32 licenciada em Administração Regional e Autárquica, Maria João, de 23,estudante de Serviço Social, Tiago Caeiro, estudante de 24,de Sociologia, Jorge Sousa, estudante de 26, de Antropologia e Pedro Magina, de 25,estudante de Sociologia.Na actual situação na CML não são, infelizmente caso único. Outros despedimentos têm ocorrido noutras áreas, atingindo até uma personalidade como o Arq. Ribeiro Telles, que colaborava com a CML ao abrigo de protocolos com duas universidades, que cumpriu os seus compromissos apesar das dificuldades de contacto, de lhe terem trocado de fechadura e de ter tido de contratar transporte para retirar os seus meios de trabalho !Para além dos saneamentos de dirigentes e técnicos, metidos em prateleiras e obrigados a verem os seus nomes listados em listas de “disponíveis”, que circulam nos diversos serviços para estes verem se estão interessados... Assim se trata o maior bem de que a CML dispõe: as pessoas. Ou será que as vítimas destes procedimentos a isso estão condenados por terem, como lhes competia, trabalhado com a anterior maioria? Maioria que soube trabalhar com profissionais de todas as formações políticas (Alguns dos assessores dos actuais vereadores foram-no dos anteriores que nunca indagaram sobre o seu pensamento político...Um arquitecto, ex-presidente do PSD, de uma Junta de Freguesia, entrou por concurso aos 65 anos na CML e tive gosto em trabalhar com ele...).Na reunião de Câmara , onde de tudo isto se tratou, os despedidos se manifestaram com dignidade, onde houve frieza e intolerância da vereação, apupos e choro, um agente policial recebeu ordens para não deixar entrar na sala de reunião um municipe (por acaso um Presidente de Junta de Freguesia), o que obrigou os vereadores do PCP a suscitarem a correcção da ordem sob pena de abandonarem os trabalhos se assim não fosse.Importa que tais procedimentos sejam rectificados. Que se desfaçam os ambientes de perseguição, de desconfiança. Que se cumpram as promessas. Que se respeitem as pessoas. Sob pena de o ambiente se tornar um inferno e de se prejudicarem ainda mais os municipes.

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