&quot;A não notícia&quot;<br />Ruben de Carvalho no &quot;Diário de Notícias&quot;

Alguma comunicação social escrita conseguiu, relativamente à Festa do Avante!, uma assinalável demonstração do que não se deve fazer em jornalismo: não falou do que aconteceu, mas do que não aconteceu.A operação iniciou-se com um artifício anualmente repetido: todos os partidos têm as suas rentrées políticas e a do PCP é a festa. Coloca-se ao mesmo nível uns almoços confidenciais organizados pelo PS e pelo PSD em qualquer parte com uma iniciativa espalhada por 180 mil metros quadrados, participada por centenas de milhares de pessoas e que constitui há quase três décadas a mais importante realização política e cultural de massas do País. Uma realização emblemática e referencial em todas as áreas, das artísticas às profissionais, das políticas às técnicas.O passo seguinte é completamente ignorar quem faz a Festa, quem vai à Festa para falar de quem a não faz e de eventualmente lá não irá.Houve sete mil jornadas de trabalho voluntário para erguer os pavilhões da Quinta da Atalaia: irrelevante. Estes milhares de homens, mulheres e jovens não existem: importante, isso sim, é qualquer figura que nunca foi notícia enquanto foi à Festa e passou a sê-lo pelo facto de este ano não ir.Ora falemos então de jornalismo.

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