Intervenção de Tomé Pires, Membro da Direcção da Organização Regional de Beja, XIX Congresso do PCP

Organização Regional de Beja

Organização Regional de Beja

Em nome da Organização Regional de Beja, saúdo os delegados e convidados ao XIX Congresso do Partido.

Na preparação do Congresso realizámos cerca de 100 reuniões, debates e assembleias para discussão das Teses, das Alterações ao Programa, e eleição dos delegados, com mais de 1400 presenças. Os documentos em discussão mereceram o apoio e a concordância geral dos membros do Partido.

Não fechámos para Congresso, preparámo-lo ligado à vida e à luta. Luta que conheceu nas Greves Gerais e nas Manifestações Nacionais os seus pontos altos; luta em defesa dos postos de trabalho, dos direitos e dos salários, como os mineiros da «SOMINCOR», os trabalhadores da «MPI – Metalomecânica», da «Rodoviária do Alentejo» e da «RTS – Pré-fabricados de betão», em Beja; luta dos reformados e idosos; luta dos micro, pequenos e médios empresários de que são exemplo as recentes ações na área da restauração; luta contra o encerramento de escolas e serviços de saúde; luta contra a extinção de postos da GNR e dos CTT; luta contra o encerramento de finanças e tribunais; luta contra a extinção de freguesias e na defesa do Poder Local Democrático com importantes ações locais e distritais; luta pelas ligações ferroviárias diretas ao distrito com milhares de pessoas envolvidas em petições e manifestações; luta em defesa do IP8 e do IP2 como numa marcha lenta recentemente realizada.

É na luta que o Partido se reforça. E o Partido foi um dos temas mais abordados na fase preparatória. Apesar de avanços nos últimos 4 anos, como os cerca de 300 recrutamentos, a realização de mais de 40 assembleias de organização, e outras medidas de estruturação, direção e quadros, subsistem dificuldades e obstáculos que precisam ser ultrapassados, sobretudo na intervenção junto dos trabalhadores, nas empresas e nos locais de trabalho, para uma maior e melhor intervenção do Partido, sem desvalorizar a intensa intervenção política que tem havido no distrito.

Camaradas,

Somos uma região com um enorme potencial mas altamente empobrecida e paralisada, sistematicamente esquecida e prejudicada pelos sucessivos governos da política de direita do PS, PSD e CDS-PP, com altos níveis de envelhecimento populacional, despovoamento e desertificação, com milhares de desempregados, com aumento da pobreza e da fome, e forçando à emigração dos mais jovens e abandonando os idosos à sua sorte.

Não aceitamos que importantes investimentos públicos para o desenvolvimento regional – que têm a marca pioneira dos comunistas na sua proposta e reivindicação, hoje por todos reconhecidos e que há muito deveriam estar ao serviço das populações – estejam parados, avancem lentamente, sofram de indefinições e ausências de estratégia que comprometem o seu correto aproveitamento ou sirvam para obscuras negociatas.

Não bastava terem acabado com o comboio direto Intercidades Beja-Lisboa e as ligações ferroviárias ao Algarve, como agora param as obras no IP2 e no IP8, adiam a conclusão da construção de Alqueva com promessas nebulosas e incertas, mantêm o Aeroporto de Beja em suspenso.

Beja pode dar um contributo para o desenvolvimento do País, para a criação de emprego com direitos, para a produção de riqueza, e para reduzir a nossa dependência do exterior, produzindo muito do que hoje é importado. O PCP tem soluções e propostas nesse sentido.

Propostas que partem da necessidade da criação de uma base económica diversificada e integrada assente principalmente na agricultura e nas agroindústrias, que valorize a produção e a qualidade dos produtos regionais. Hoje volta a impor-se uma profunda reestruturação fundiária através de uma nova reforma agrária, assim como um Plano Estratégico de Desenvolvimento para Alqueva, e uma gestão pública da água para regadio.

Defendemos a exploração planificada dos recursos mineiros (designadamente das Minas de Neves-Corvo e Aljustrel) e a valorização na região da sua produção, com uma intervenção determinante do Estado, aproveitando um dos maiores filões de cobre na Europa. E defendemos igualmente a aposta na indústria transformadora -tradicional e emergente (como a das energias renováveis) –, no turismo e no sector cooperativo e social.

Com noção das responsabilidades que temos hoje e das que queremos assumir amanhã, defendemos um Poder Local que não se limita a gerir, mas que seja parte integrante da transformação e do desenvolvimento social, económico e cultural que o distrito precisa, afirmando-se na defesa das suas terras e das suas gentes, honrando os valores e as conquistas de Abril.

Aqui está a alternativa que tem esbarrado nas opções políticas nefastas do PS e do PSD. A intensificação da luta de massas, a par do reforço da influência social, política e eleitoral do Partido é determinante para pôr fim ao desastre, rejeitar o pacto de agressão, por uma política patriótica e de esquerda, pela democracia avançada, pela transformação revolucionária da sociedade e na afirmação do ideal e projeto comunista.

Viva o XIX Congresso!
Viva a JCP!
Viva o PCP!

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