Intervenção de Valdemar Madureira, Membro da Direcção do Sector Intelectual e da Direcção da Organização Regional do Porto, XIX Congresso do PCP

O trabalho com os Intelectuais

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Caros camaradas delegados

Caros camaradas e amigos convidados

Os intelectuais e quadros técnicos, em número crescente e constituindo um importante grupo social, não são uma ilha nesta sociedade em crise.

As suas funções são condicionadas pela natureza opressora e desumana do sistema capitalista e exercem-se num contexto de sério agravamento da exploração e das desigualdades, de fenómenos de desemprego, precariedade, instabilidade profissional e baixos salários.

O poder dominante conhece bem as potencialidades transformadoras do pensamento, da ciência e da criação cultural, daí a desconfiança e desprezo com que trata os seus intérpretes. Daí o esmagamento da investigação universitária e o investimento patético na cultura e nas artes, atestando o horror que a tecnocracia tem ao pensamento criador. Muitos jovens abandonam o País à custa desta política que desperdiça trabalho qualificado e formação superior: Bolonha, fundações, autonomia – tudo experiências que somam esta degradação organizada da inteligência das futuras gerações.

Não é difícil perceber a situação de desorientação, desalento, ou choque que atinge os intelectuais ou quadros técnicos que se confrontam com o beco sem saída que o capitalismo em crise lhes proporciona. Essa angústia dificulta a consciência do papel transformador que os intelectuais têm na sociedade. Igualmente a distância e o bloqueio do poder a tudo o que a Abril diz respeito não ajuda a que se veja claro o papel que os intelectuais tiveram no processo revolucionário e na consolidação das suas conquistas.

É esse reconhecimento que temem as classes dominantes, como temem a força da razão e da influência dos que querem pôr fim ao sistema em que vivemos e falam da alternativa necessária, do caminho que tem de ser conquistado para que uma democracia plena possa fazer reflectir no plano cultural, social, político e económico os frutos da criação intelectual, das artes, da ciência e do conhecimento.

E vão temer as classes dominantes sempre que nos dirigirmos aos intelectuais com uma palavra de estímulo e de apelo a que se envolvam nas soluções para a sociedade em que se inserem.

Vão temer as classes dominantes sempre que dermos confiança aos intelectuais para se organizarem além da lógica limitada dos interesses corporativos, para que criem essas organizações, para que fundamentem espaços de acção democrática organizada em torno das suas funções e que façam dessas organizações factores de progresso e luta pela melhoria das suas funções e das suas condições de vida.

Vão temer as classes dominantes sempre que conseguirmos ligar os intelectuais, quadros técnicos e as suas organizações consequentes ao Movimento Sindical Unitário e à luta de todos os trabalhadores.

Camaradas,

Ao longo da história do Partido sempre que conseguimos concretizar essa aproximação e essa unidade ficámos mais fortes e projectámos mais longe os nossos valores e ideais democráticos, e se tal unidade foi indispensável para que Abril se fizesse, mais importância e exigência assume face à violenta ofensiva contra o regime democrático que da Revolução nasceu.

Mais do que contactos pontuais e conjunturais, precisamos de uma unidade duradoura com os intelectuais, uma aproximação consequente, alicerçada na informação sobre a nossa actividade, posição, princípios e objectivos, mas, também, na obtenção da sua opinião sobre a situação do país e o posicionamento do Partido, tudo isto de forma a romper preconceitos com a mesma força com que, nesse movimento, rompe o cerco que nos silencia.

Mas o trabalho unitário não se pode esgotar naqueles que connosco têm estado, antes tem de ser alargado, neste momento é vital que tal aconteça, a todos os que estão contra esta política de direita e concordam que é urgente romper com ela.

Uma unidade que se construa também no movimento associativo e cultural e que compreenda o papel histórico insubstituível que ele tem na definição do que resta do conteúdo cultural do regime democrático em que vivemos.

Uma unidade que tenha como elementos de partida a defesa da rejeição do pacto de agressão e a ruptura com a política de direita; que assuma a luta por uma alternativa patriótica e de esquerda, que assuma os valores de Abril e os projecte no futuro de Portugal.

Mas dúvidas não pode haver que uma aproximação desta natureza não se faz de forma duradoura sem a presença e acção de uma forte organização partidária que permita uma intervenção estimulante e criativa dos intelectuais comunistas, a dinamização da actividade e a multiplicação da sua influência nos locais onde exercem as suas funções, seja nas escolas de todos os graus de ensino, nos hospitais, nas associações culturais ou no espaço de influência da sua criação. É a organização comunista que nos permite ter a força para construir a força colectiva e concretizarmos as grandes e pequenas orientações que podem construir as soluções patrióticas e de esquerda, o caminho do socialismo e do comunismo.

E daí o apelo fundamental aos intelectuais, particularmente aos jovens, um apelo que é um desafio: conheçam-nos; estudem-nos; percebam o nosso Partido; quem somos e o que queremos; o que querem os comunistas; que futuro queremos para Portugal; o que estamos dispostos a fazer para o alcançar; e juntem-se a nós nesta luta, neste momento por uma política patriótica e de esquerda, porque não há ideal tão justo e avançado como o socialismo e o comunismo.

Viva o XIX Congresso!
Viva o Partido Comunista Português!

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