Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Nos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial - Lutar pela paz e o desarmamento!

A 1 de Setembro de 1939 teve início a Segunda Guerra Mundial, a mais mortífera guerra da História. Escassas duas décadas após o fim da Primeira Grande Guerra entre grandes potências capitalistas – que disputavam colónias, mercados e matérias-primas –, o mundo foi de novo mergulhado numa guerra devastadora pela Alemanha e a Itália fascistas e pelo Japão imperial militarista, que procuravam alterar pela força a partilha imperialista do mundo.

Os combates da Segunda Guerra Mundial tiveram lugar em numerosas regiões do mundo, mas foi sobretudo na frente Leste europeia que a barbárie nazi-fascista foi travada e derrotada. Durante um longo período após Junho de 1941, a União Soviética enfrentou sozinha o grosso dos exércitos da Alemanha nazi e seus aliados. Foi nesse período que as épicas batalhas na frente Soviética – Moscovo, Leninegrado, Estalinegrado, Kursk e tantas outras, anteriores ao desembarque anglo-americano na Normandia de Junho de 1944 – decidiram o curso da guerra e determinaram a derrota do nazi-fascismo.

A Vitória na Segunda Guerra Mundial foi alcançada com o custo de inenarráveis sacrifícios e de mais de 20 milhões de mortes da União Soviética. Nenhuma reescrita ou falsificação da História pode esconder a resistência heróica da URSS, do povo soviético, do seu Exército Vermelho sob a direcção do Partido Comunista da União Soviética, que contrastou com a aceitação e o colaboracionismo das classes dirigentes de muitos países. A par das vitórias da União Soviética e por elas encorajadas, desenvolveu-se uma Resistência popular generalizada ao agressor fascista, da Europa ao Extremo Oriente, na qual os comunistas desempenharam papel decisivo e que deu importante contributo para a libertação dos povos. A Humanidade deve muito à URSS e ao povo soviético, bem como à Resistência popular anti-fascista, pelo seu papel decisivo na Vitória sobre o nazi-fascismo.

As lições de há oito décadas não podem ser ignoradas nem esquecidas. O fascismo foi a expressão mais violenta e brutal dum capitalismo em profunda crise económica, corroído pelas suas contradições, e confrontado com a luta dos trabalhadores e dos povos. O seu ascenso foi alimentado e apoiado pelo capital monopolista, e não apenas nos países onde acabaria por chegar ao poder. O colaboracionismo das potências capitalistas com as agressões fascistas – patente na infame traição à República Espanhola, em 1936, ou no vergonhoso conluio anglo-francês com a destruição da Checoslováquia na Conferência de Munique, em 1938 –, não foram meros erros. Foram a expressão de uma política que procurava orientar as potências fascistas contra a URSS socialista, e que encarava o fascismo como preferível à transformação social e a que os trabalhadores e os povos tomassem na sua mão a definição dos seus destinos. Essa política das classes dominantes abriu caminho à guerra, com pesadas consequências para os seus próprios países. Uma política que prosseguiu no pós-guerra, com a reciclagem de fascistas – exemplificada pela participação da ditadura fascista portuguesa na NATO como seu membro fundador – para a cruzada contra os avanços sociais e de libertação nacional, com a derrocada dos impérios coloniais, alcançados pela luta dos trabalhadores e dos povos.

Na actualidade, o capitalismo enfrenta o aprofundamento da sua crise estrutural, para a qual não encontra solução. As múltiplas contradições e clivagens; as guerras económicas e militares; o ataque aos direitos dos trabalhadores e dos povos; o desprezo pelo direito internacional e o rasgar de importantes acordos por parte da Administração norte-americana de Trump – incluindo o acordo nuclear sobre o Irão e o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF) – espelham essa profunda crise. Mas a via da agressão e da guerra não começou com Trump, nem é característica exclusiva do imperialismo norte-americano. A profunda alteração da correlação de forças mundial resultante da destruição da URSS e das derrotas da construção do socialismo no Leste da Europa ficou marcada, desde o primeiro momento, por um violento ataque aos direitos dos trabalhadores e por uma brutal política de guerra do imperialismo, nas quais participaram activamente as potências da União Europeia, que nos seus próprios Tratados se define como o pilar europeu da NATO. Quando há 20 anos a Administração Clinton e a social-democracia europeia violaram abertamente o direito internacional com a guerra da NATO contra a Jugoslávia, abriram portas à espiral de arbítrio e violência que fez o seu caminho de devastação e morte até aos nossos dias, como o demonstram as guerras de agressão das potências imperialistas – quantas vezes por intermédio de exércitos terroristas alimentados, armados e financiados por essas mesmas potências – contra o Afeganistão, o Iraque, a Líbia ou a Síria. Na Ucrânia e outros países, os bandos ao serviço do imperialismo glorificam abertamente o colaboracionismo com o nazismo e os protagonistas do extermínio de comunistas e judeus, ao mesmo tempo que cometem massacres e destroem monumentos aos combatentes anti-fascistas e ao Exército Vermelho. O apoio dos EUA e da UE a essas forças, não só espelha o colaboracionismo com o ascenso do fascismo no Século passado, como alimenta o perigoso avanço de forças de extrema-direita e fascistas que se está a verificar na Europa, nos EUA e outros países.

A Segunda Guerra Mundial foi desencadeada pelas potências imperialistas que visavam redefinir pela força a partilha do planeta. Hoje, o perigo principal de guerra provem das velhas potências imperialistas – com destaque para os EUA, mas também europeias – que querem preservar pela força uma dominação política que cada vez menos corresponde à realidade económica mundial, em acelerada transformação. É essa a razão de fundo da sua perigosíssima escalada militarista, de agressão e provocação contra qualquer país e povo que afirme a sua soberania e direitos e de confrontação contra a China e a Rússia. O capitalismo em crise ameaça conduzir de novo a Humanidade para o autoritarismo e a guerra que, na era nuclear, representaria uma catástrofe planetária.

É imperativo travar a corrida para o abismo. É possível cortar o passo aos fautores do fascismo (com velhas e novas vestes) e da guerra.

Portugal tem de recusar colaborar com o belicismo agressivo dos EUA/NATO/UE. O governo português tem de cumprir as suas obrigações constitucionais e tomar partido activo pelo respeito da Carta da ONU e dos princípios consagrados do Direito Internacional, princípios de paz e recusa de guerras e ingerências, de respeito pela soberania dos povos e países. É urgente rejeitar a corrida aos armamentos da NATO e a militarização da UE, recusando aumentos de despesas militares, a destruição dos tratados de desarmamento ou a militarização do espaço, e assinando o Tratado pela Abolição das Armas Nucleares. Portugal tem de ser solidário com todos os povos que resistem às agressões, subversões e guerras do imperialismo, como na Venezuela, na Síria ou na Palestina.

Oitenta anos depois da eclosão da Segunda Guerra Mundial e num momento em que no País e no mundo se procura branquear os crimes do fascismo e animar concepções e forças de extrema-direita, os crimes do fascismo e do belicismo imperialista não podem ser esquecidos.

Os trabalhadores e povos, principais vítimas da guerra, são os protagonistas activos desta luta para travar o passo aos partidários da guerra e impedir que se repita a tragédia vivida no século passado.

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