Intervenção de João Ferreira no Parlamento Europeu

Medidas contra o bloqueio geográfico e outras formas de discriminação com base na nacionalidade, local de residência ou de estabelecimento dos clientes

O comércio, mesmo na sua forma dita electrónica, parte de processos de produção e distribuição concretos e de relações sociais de produção concretas, reais e não virtuais, não desmaterializáveis.

A venda de bens e serviços no mercado único, mesmo pela via electrónica, exprime uma ligação que se estabelece, por via desse mercado, entre os diversos produtores, entre os trabalhadores dos diferentes países, postos em concorrência directa, aproveitando as diferenças salariais e de direitos para forçar uma desvalorização geral da sua força de trabalho.

Numa integração capitalista é este o sentido da tão propalada livre circulação de mercadorias e serviços. Nivelar por baixo. Aumentar a exploração, conquistar mercados e aumentar lucros. Em linha ou fora dela.

Obviamente que está ainda por libertar todo o potencial do comércio electrónico, como em geral, o enorme potencial das aquisições da ciência e da técnica em benefício dos trabalhadores, mesmo quando designados de consumidores.

É verdade que há hoje obstáculos no ambiente em linha que frustam naturais expectativas dos consumidores. Mas trabalhar para os superar não nos deve fazer perder de vista este quadro mais geral.

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