Intervenção de Paulo Raimundo, Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, XIX Congresso do PCP

A luta de massas - valor, evolução e perspectivas

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Camaradas

Daqui saudamos todos aqueles que dão corpo ao extraordinário movimento de luta desenvolvido nos últimos anos.

Saudamos os homens, mulheres e jovens que não se resignam perante as injustiças e a exploração, e travam uma luta imensa nas empresas, localidades e nas ruas.

Saudamos particularmente a classe operária e os trabalhadores que lutam lá, onde é mais difícil, lá, onde é necessário toda a coragem e unidade, nas empresas e locais de trabalho. Lutas que muitas vezes afastadas da comunicação social, são decisivas.

Decisivas, porque são a expressão maior da luta de classes, porque condicionam e em muitos casos travam as pretensões do patronato. Decisivas, porque elevam a consciência de classe dos trabalhadores e criam as condições para as grandes acções de convergência, como as que realizamos nestes últimos quatro anos.

Grandes acções de convergência que foram buscar forças às pequenas lutas, e que, simultaneamente deram animo e confiança para intensificar e prosseguir a luta nas empresas e locais de trabalho.

A determinada e persistente luta da classe operária e dos trabalhadores constituiu o mais consequente e permanente factor de resistência à política de direita.

Foi o motor da luta de massas que animou e deu confiança a sectores e camadas também elas alvo da ofensiva em curso.

Sectores e camadas diversas, muitas que pela primeira vez vieram à rua, e que, independentemente da sua evolução, já trouxeram novas energias à luta.

Gente nova que de aqui saudamos, que se junta ao vigoroso movimento de luta em curso. Nova gente a quem apelamos a que se mantenha e alargue a sua participação na luta.

Uma luta para ampliar e intensificar nas empresas e locais de trabalho.

Uma luta para alagar de forma mais consequente a todos os visados pelo caminho de destruição que está em curso.

Esta política que destrói o país e que leva o desemprego, a miséria e a fome a milhares de pessoas.

Milhares de pessoas com as vidas arruinadas e destroçadas muitas delas empurradas para o desespero.

A todas elas dizemos: Não desistam, não percam a esperança, reforcem a nossa que é a vossa luta, sejam também construtores da alternativa.

Não confundimos sentimentos de desespero, angústia e acções que dai possam decorrer, com provocações e acções orquestradas.

Damos e daremos firme combate a todas e quaisquer iniciativas cujo o resultado se traduza em prejuízo para a luta dos trabalhadores.

Não confundimos atitudes provocatórias com coragem necessária para dinamizar a luta. Coragem física é aquela que colocamos todos os dias na luta.

Violento! Violento é ter de enfrentar hoje o patronato nas empresas e locais de trabalho e amanha voltar ao confronto.

Não embarcamos em voluntarismos nem em actos isolados, mas daqui reafirmamos que em momento algum abdicaremos do direito à resistência, e que levaremos esse direito tão longe quanto for necessário.

Empenharemos todas as nossas forças na intensificação e convergência da luta de massas, com todos os desenvolvimentos e expressões que ela possa assumir.

Não estamos nem ficamos à espera de um acto qualquer para construir a alternativa.

Estamos a construi-la em cada luta que travamos.

Estamos a cimentá-la na base, criando unidade na acção.

Estamos a afirmar a sua possibilidade, em cada vitória alcançada.

Cada processo desenvolvido é, em si mesmo, um passo em frente na concretização da alternativa política tão urgente e necessária.

Quando se lutou pela defesa dos postos de trabalho, na Bordalo Pinheiro, na SPDH/Groundforce, na TNC, na Cerâmica Valadares, lutou-se pelo aparelho produtivo nacional.

Na luta contra a precariedade, na Lisnave, na Tempo Team, na Bosch, no Jumbo, na Portucel, na Isipe, os direitos, a valorização do trabalho e dos trabalhadores é também o que está em causa.

A luta desenvolvida pelos trabalhadores do Metro de Lisboa e Porto, na Transtejo, na Soflusa, na Carris, na STCP, na CP, é também a luta pelo sector público de transportes.

A luta dos enfermeiros, dos médicos, dos profissionais da saúde, é uma grande afirmação da luta pelo Serviço Nacional de Saúde.

Quando os professores defendem na rua a carreira docente, estão simultaneamente a defender o direito à educação pública, gratuita e de qualidade.

A luta dos trabalhadores dos CTT, da ANA, da TAP, da RTP, dos Estaleiros Navais de Viana, constitui um contributo fundamental na luta contra as privatizações.

A luta desenvolvida pelos trabalhadores da administração pública central e local, com as suas acções próprias, insere-se na luta mais geral pela defesa dos serviços públicos.

As vitórias já alcançadas, no processo de contestação à tentativa de aproveitamento do patronato das alterações ao código de trabalho, demonstram as reais possibilidades dessa luta.

Quando a 11 de Fevereiro e a 29 de Setembro o Terreiro do Paço se transformou no Terreiro do Povo, ou quando por todo o país se marchou contra o desemprego, revelaram-se novas disponibilidades para intensificar a luta.

Disponibilidades já demonstradas nas Greves Gerais desenvolvidas nos últimos anos, mas que foram particularmente evidentes nessa poderosa jornada de luta que foi a Greve Geral de 14 de Novembro.

Greve Geral que abriu uma nova fase da luta, e onde a coragem e determinação de todos quantos nela participaram, muitos pela primeira vez, reafirmou a urgência de derrotar a política em curso, derrotar o seu instrumento central que é o pacto de agressão, derrotar o governo que a executa.

Uma demonstração dessa urgência, e acima de tudo uma demonstração de que existem as forças para concretizar esse objectivo.

Temos uma confiança inabalável nessas forças, e é com essas forças que vamos avançar neste caminho exigente.

Toda a força à acção reivindicativa nas empresas e locais de trabalho, pelo aumento dos salários e defesa da contratação colectiva, contra as tentativas de aproveitamento do patronato das alterações ao código do trabalho, contra o desemprego e a precariedade.

Todo o engenho em trazer para a luta mais gente e nova gente.

Todo o esforço para a mobilização para dia 8, no Porto e para 15 em Lisboa.

Todo o empenho no reforço das organizações e movimentos unitários de massas.

Toda a dinâmica à unidade da classe operária e dos trabalhadores e outros sectores e camadas anti-monopolistas.

Toda a força ao alargamento da frente social, num impetuoso movimento de luta, capaz de impor a ruptura com esta política, e de abrir caminho à política alternativa.

Camaradas

Não ficamos à espera nem surfamos na onda da luta. Somos dinamizadores do processo, somos seus protagonistas, somos parte integrante desse movimento de luta, dessa onda, dessa força imensa, dessa luta imensa.

Uma luta que travamos com os trabalhadores e o povo que temos e que somos.

Gente que, tal como em outros momentos da história, mais cedo ou mais tarde assumirá nas suas próprias mãos os seus destinos e o rumo do país.

Vamos à luta, que a luta é o caminho!

Pela ruptura, pelos valores de Abril no mundo do trabalho e no futuro de Portugal!

Viva a luta dos trabalhadores
Viva a JCP
Viva o PCP

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