Nota da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP

Faleceu Henrique Espírito Santo

 Faleceu Henrique Espírito Santo

No falecimento de Henrique Espírito Santo, nascido em Queluz, em 1931, assinalamos o grande homem do cinema português. Produtor e director de produção, foi também actor, crítico, professor de cinema.

Henrique Espírito Santo é uma figura incontornável do cinema português. Pela sua participação no movimento cineclubista, descrito pelo próprio como “o grande movimento cultural de massas de resistência ao fascismo”, pelas dezenas de filmes que produziu, pelo seu papel no Novo Cinema Português – movimento de renovação estético, cultural e social, nas décadas de 60 e 70 do século XX, pelo contributo para a dignificação, valorização e difusão do cinema português. Trabalhou com todos os maiores nomes do cinema português da sua geração, nomeadamente através do Centro Português de Cinema e, posteriormente, da sua produtora, a Prole Filme.

Inicia a sua actividade profissional em 1966 e estreia-se como director de produção numa longa-metragem em 1971, no filme O Recado, de José Fonseca e Costa. Foi também director de produção do filme A Promessa (1972), de António Macedo, primeiro filme português a ser seleccionado para o Festival de Cinema de Cannes, e de O Bobo (1987), de José Álvaro Morais, primeiro filme português premiado no Festival de Cinema de Locarno.

Henrique Espírito Santo foi director de produção de 27 filmes, actor em 21, tendo colaborado ou participado, de diversas formas, em mais 19. Produziu filmes dos já referidos José Fonseca e Costa, António Macedo ou José Álvaro Morais, mas também de António da Cunha Telles, Alberto Seixas Santos, Manoel de Oliveira, Luís Filipe Rocha, Margarida Gil, Solveig Nordlund, João Mário Grilo ou João César Monteiro. Toda uma vida dedicada ao cinema, reconhecida com o Prémio Sophia, atribuído pela Academia Portuguesa de Cinema, em 2014, e com a publicação de um catálogo sobre a sua vida cinematográfica por parte da Cinemateca Portuguesa, em 2016.

O reconhecimento que lhe é devido vai muito para lá destas referências de carreira: Henrique Espírito Santo formou várias gerações de homens e mulheres do cinema e foi um extraordinário exemplo de amor a esta arte, de dedicação, capacidade de trabalho e, simultaneamente, de uma generosidade, solidariedade e fraternidade por todos reconhecidas. Características que, no plano do cinema, tiveram também expressão na sua integração no Colectivo dos Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, com o seu envolvimento no retrato artístico feito no filme As Armas e o Povo, filmado entre 25 de Abril e 1 de Maio de 1974.

Membro do Partido Comunista Português desde Maio de 1957, participou activamente na resistência e luta contra o fascismo, no plano cultural e político. Integrou a Célula do Cinema do PCP, criada após o 25 de Abril, de cuja actividade se destaca a criação de As Desventuras do Drácula Von Barreto nas Terras da Reforma Agrária. Filmado e realizado durante a segunda Festa do Avante!, em 1977, no âmbito de sessões de divulgação e esclarecimento sobre o trabalho do cinema desenvolvidas pela Célula de Cinema do PCP, o filme retrata, de um modo cómico, o processo da Reforma Agrária e o seu ataque dirigido pelo Ministro António Barreto.

A sua participação na vida e militância do PCP verificou-se até ao fim da sua vida, estando actualmente integrado no Sector Intelectual da Organização Regional de Lisboa do PCP, dando aí o seu contributo para a construção de uma outra sociedade, de progresso, cultura, fraternidade, solidariedade e liberdade.

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