Intervenção de Margarida Botelho, membro da Comissão Política do Comité Central, Encontro Nacional do PCP sobre as eleições autárquicas

Características e dinâmica da campanha

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Camaradas e amigos,

Organizar a campanha eleitoral para a batalha das eleições autárquicas, planificá-la de acordo com os nossos objectivos é meio caminho andado.

Quando dizemos “objectivos” não estamos só a pensar nos resultados estritamente eleitorais que queremos atingir – e esses são muitíssimo importantes. Estamos a pensar também que a forma de construir esse resultado deve ir ao encontro dos objectivos mais gerais do Partido, para reforçar o trabalho colectivo, a afirmação, implantação e alargamento da influência política do PCP, que é indispensável à luta mais geral dos comunistas.

Queremos fazer desta uma campanha eleitoral de esclarecimento democrático. De participação popular. De envolvimento da organização do Partido e do PEV e de muita gente unitária. Uma campanha de massas, que mobilize para o voto e que deixe raízes para o nosso trabalho depois de 1 de Outubro. Que nos permita colectivamente conhecer mais sobre a vida dos trabalhadores e do povo em cada localidade, e que esse conhecimento enriqueça as nossas propostas políticas. Que nos dê a oportunidade de encorajar cada vez mais pessoas a construírem o seu futuro e o das suas comunidades, envolvendo-se, discutindo, lutando. Que nos permita conhecer os homens e as mulheres que em cada sítio são as pontas que ficam para o trabalho para o futuro.

Precisamos de construir uma campanha dinâmica, afirmativa, clara. Não é preciso ter uma bola de cristal para saber já agora que as forças políticas com que nos defrontaremos mais directamente terão – todas! – mais meios materiais do que nós. Saber isso não quer dizer que baixemos os braços na incontornável tarefa de encontrar os meios financeiros para fazer face à campanha. O que torna é ainda mais claro que nós temos uma enorme vantagem que os outros não têm: gente convicta, organizada, esclarecida, ligada às massas.

O principal elemento da nossa campanha são as pessoas - os militantes do PCP, do PEV, da JCP, os activistas da CDU. Para isso precisam de se sentir mobilizados, impelidos a serem agentes de mobilização de outros. Nas conversas com amigos e colegas, nos empregos e nos momentos de lazer, no apoio expresso numa comissão de apoio ou no uso de um autocolante, na participação nas acções de campanha.

Reforçar a organização do Partido e a sua base militante, promover encontros, reuniões e iniciativas que envolvam candidatos e activistas são linhas de trabalho decisivas nesta primeira fase até à jornada de afirmação da CDU, que se inicia a 18 de Maio. Pelo mesmo motivo, é fundamental garantir que uma parte significativa dos candidatos assumem o compromisso de tirar o tempo para a campanha que a lei permite aos trabalhadores por conta de outrem. Isso permite alargar muito a nossa capacidade de intervenção no mês anterior às eleições.

Precisamos de construir uma campanha que vá em crescendo.

Que em cada fase afirme e valorize o projecto autárquico da CDU e o seu carácter distintivo.

No momento em que estamos, além do processo de construção das listas, é preciso dar atenção à prestação de contas, divulgar o trabalho da CDU nas freguesias e nos concelhos. Ao contrário do que às vezes se ouve, o trabalho, a obra, não falam por si. Temos que falar da obra, do mandato inteiro, nos casos onde somos maioria, ou relembrar as propostas e as denúncias que fizemos, nos casos em que somos minoria.

Precisamos de reforçar a ligação às populações e aos trabalhadores, nomeadamente aos trabalhadores das autarquias. Conhecer os seus problemas, opiniões, aspirações. Ouvir muito, para intervir bem, com acerto. Precisamos de avaliar periodicamente a evolução do ambiente político e a situação das forças políticas e sociais.

Precisamos de reforçar a intervenção unitária, alargar a CDU, o que passa pelo envolvimento de amigos nas listas, mas não só. Existem boas experiências em todo o país de reuniões de activistas da CDU, encontros com associações e entidades, para recolher contributos para os programas eleitorais, construídos de forma participada. Existem igualmente experiências muito positivas de constituição de comissões de apoio à CDU, em empresas, por sectores, por freguesia.

Dinamizar a reivindicação, organizar e desenvolver a luta, em torno de questões concretas, da defesa dos serviços públicos, do património, do ambiente, dos problemas que as populações em cada local mais sintam, é um caminho certo na linha que defendemos para esta campanha.

Do mesmo modo que valorizar as iniciativas e propostas do PCP e dos eleitos apresentadas ao poder central ajuda à compreensão do papel do poder local democrático, confirma que a CDU tem uma só voz em todas as circunstâncias, dá elementos distintivos do nosso projecto face ao de outros, em particular do PS. Reforçar a intervenção e a iniciativa do Partido é uma condição essencial para o reforço da influência social, política e eleitoral.

Estamos na altura de definir e pôr a funcionar a estrutura com que vamos construir a campanha, que comissões e grupos de trabalho precisamos, quem é responsável por cada colectivo.

Estamos igualmente num período em que estão a ocorrer muitas apresentações de candidatos aos diversos órgãos. Não é de mais sublinhar que o momento da apresentação deve ser cuidadosamente escolhido, particularmente tendo em conta que não basta apresentar as candidaturas. É preciso que haja um calendário, uma programação, que dê sequência à expectativa que a apresentação cria.

Os meses desde o final da jornada de afirmação da CDU até ao período oficial da campanha serão complexos. Porque é altura de férias e de final de ano lectivo, porque é uma fase muito exigente de entrega de candidaturas, de elaboração de propaganda, etc. Mas não podem ser meses de pousio da campanha: é um período propício à presença da CDU nas festas populares, à concretização de iniciativas de rua, festas e convívios, e isso também tem de ser planificado.

A Festa do Avante! marcará o início da campanha propriamente dita. A participação no comício de domingo deve ser preparada desde já como o maior momento de massas da campanha.

As quatro semanas que decorrerão da Festa até às eleições têm de ser preparadas com antecedência, de forma a que aspectos como a elaboração da propaganda ou a fiscalização do acto eleitoral não impeçam a presença dos candidatos e dos activistas na rua e nos locais de trabalho, no contacto directo com as populações.

É esse o nosso maior trunfo, tem de ser essa a base da nossa campanha.

Viva a CDU!
Viva o PCP!

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