Intervenção de Cátia Benedetti, Membro da Direcção da Organização Regional dos Açores, XXI Congresso do PCP

Organização da Região Autónoma dos Açores

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Camaradas
Em nome dos comunistas açorianos trago a quantos participam neste XXI Congresso a mais fraterna saudação.

Como sabem, o resultado eleitoral da CDU/Açores nas eleições de 25 de Outubro não nos foi favorável: embora tivéssemos concorrido em todas as ilhas, e procurado afirmar o nosso projecto através de uma campanha empenhada e participada, não conseguimos manter a nossa Representação Parlamentar. Os bons resultados conseguidos na ilha do Faial não foram suficientes a eleger um deputado, e a presença de novas forças políticas, desligadas do tecido social das ilhas, mas diariamente promovidas pela comunicação social nacional, fez com que ficássemos aquém do número de votos necessário para elegermos.

Vários factores pesaram neste resultado: é desde já claro que, mesmo região com problemáticas e realidades muito específicas, muito influi a violenta campanha anticomunista em curso. Tivéssemos nós tido uma organização mais forte, poderíamos ter limitado os danos de uma forma mais expressiva. Isto indica com clareza o caminho futuro: procurar acima de tudo o reforço do partido.

Como já aconteceu antes, teremos de compensar a nossa ausência do Parlamento Regional por uma acrescida actividade de contacto directo com os trabalhadores e as populações, procurando, por todos os canais possíveis, dar a conhecer as propostas do Partido e aumentar a sua influência ideológica, política e social.

A perda da maioria absoluta do PS, que constituía um dos nossos objectivos – para romper com um quadro de governação cada vez mais autocrática – não deu lugar ao espaço político que esperávamos, mas sim a um projecto de governação em que a direita se apoia à extrema direita para executar um programa naturalmente contrário aos interesses das populações. É então de prever um futuro próximo marcado pelo avolumar-se da inquietação, tanto dos trabalhadores cujos direitos vão ser ainda mais cerceados, como daquela grande quantidade de pessoas que sobrevivem num regime de extraordinária precariedade. Quando isto acontecer, nós teremos de estar ali, e esclarecer que as dificuldades e as privações não são fruto do acaso, e nem sequer de uma crise sanitária, mas sim o resultado de um modelo de economia e de sociedade que demasiadas pessoas se abstiveram de combater, ou, pior ainda, apoiaram, sem perceber quais são as intenções reais daquelas forças que, atrás do das propostas populistas e simplistas, quando não simplórias, mais novidade não trazem do que o endurecimento das práticas capitalistas.

Compete-nos a nós denunciar e propor mudanças reais: recordar como nenhuma política de direita, tanto as que agora se desenham como aquelas que o PS praticou, teve ou terá alguma vez a possibilidade de transformar os Açores num sentido positivo. Não será com certeza a nova governação quem procurará acabar com os baixos salários, com a enorme prevalência de salários mínimos entre os trabalhadores, e com a precariedade dos muitos açorianos que passam a vida a entrar e sair de programas que mais parecem esmolas, garantindo tão só a sobrevivência de quem é por eles abrangidos, mas traduzindo-se em grandes vantagens para poucos outros.

A nossa próxima preocupação, ao lado das eleições presidenciais e em vista das próximas autárquicas, será então intensificar o nosso trabalho junto da população das ilhas, procurando alargar e fortalecer a organização com mais camaradas a participar na actividade partidária.

Viva o XXI Congresso do PCP!
Viva a JCP!
Viva o Partido Comunista Português!

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