Intervenção de Jéssica Pereira, Membro da Comissão de Freguesia de Coina (Barreiro), Sessão «O PCP e a emancipação da mulher - Luta secular do presente e do futuro»

Tomar Partido

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As mulheres trabalhadoras têm sido a força motriz das transformações sociais ao longo dos tempos, assumindo as fileiras da luta de classes nas fábricas, nos campos, nas universidades, nas empresas, na rua, em casa e na vida.

A luta pela emancipação das mulheres, pelo fim das desigualdades e discriminações tem encontrado no Partido Comunista Português exemplos heróicos, de força e de resistência. Mulheres que nos momentos mais difíceis tomaram Partido e que, mesmo muito novas, escolheram lutar pela liberdade, a sua e a de todo um país. Mulheres que entraram na clandestinidade com pouco mais que uma década e meia de vida, deixando a família, a sua casa, o seu trabalho, a sua vida para lutar contra o fascismo. Outras juntaram-se aos seus companheiros, tiveram filhos, e algumas separaram se deles, sem deixarem de lutar para abrir as portas de um Abril que veio mas que continua por cumprir.

Mulheres comunistas operárias e camponesas, pequenas agricultoras e aprendizes; mulheres pobres e analfabetas; mulheres engenheiras e intelectuais; mulheres corticeiras e costureiras. Mulheres do norte e do sul; muitas de quem conhecemos o rosto e o nome, tantas mais que ficaram por conhecer. Mulheres de um povo que resistiu, demonstrando o seu valor revolucionário na clandestinidade, nas «greves de braços caídos», nas prisões, e sob tortura. E que hoje em dia nos dizem que fariam «tudo outra vez».

Mulheres de Abril que tomaram as ruas em liberdade, que lutaram pelo processo revolucionário, pela construção de uma sociedade democrática, livre e independente, de um país socialista, mais justo e igual; que participaram na defesa das nacionalizações e da laboração nas empresas; na construção e defesa da Reforma Agrária, sob o lema «a Terra a quem a trabalha»; nos sindicatos e no poder local democrático. Mulheres que reivindicaram a democratização do ensino e da cultura, os direitos da mulher, dos jovens, em manifestações e marchas de oposição à política de direita, em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos seus direitos.

Mulheres que continuam a ser precisas no presente e no futuro de uma luta secular que exige que se tome Partido por um futuro que as políticas das últimas décadas têm teimado em roubar. Na luta contra a exploração e a opressão, o PCP está sempre ao lado dos trabalhadores, a lutar por melhores condições no trabalho e na vida.

Camaradas, tomei Partido em Setembro do ano passado, quando fiz vinte e seis anos. Tomei Partido porque não podia continuar em cima do muro, era preciso estar organizada, juntar os meus esforços aos vossos.

Nasci vinte anos após Abril e fui a primeira de três gerações a entrar para a universidade. Prossegui com os estudos enquanto trabalhava, como muitos outros jovens. Envolvi-me na luta unitária pelos serviços públicos, contra a construção do aeroporto no Montijo e contra a venda da Braamcamp no Barreiro. E o Partido sempre presente, sempre lá.

Sou neta de trabalhadores camponeses do Alentejo, que se tornaram operários industriais no Seixal. Sou filha dos ainda enormes esforços da sua mais nova. Lia e ouvia sobre a luta antifascista, as histórias das mulheres na monda, a repressão e a pobreza. Mas foi a intervenção diária, combativa, certeira que fui vendo e presenciando que me fez chegar onde me esperavam.

Como jovem e mulher a responsabilidade em tomar nas mãos o nosso destino aumentava. Já não me bastava ajudar com acções, queria estar com os que não desarmam, com quem mostrou que os direitos não se confinam quando as vozes reaccionárias se levantam.

Vimos ao Partido de muitos lados e certamente por muitos motivos, no meu caso fui eu que fui chegando, porque vocês já lá estavam.

Aderi a um Partido que com 100 anos tem muito mais futuro do que história; convicta de que hoje, enquanto aqui estamos, mais homens e mulheres, jovens e mais velhos, estão a fazer esse caminho. Porque o futuro tem Partido!
Viva a luta emancipadora das mulheres!
VIVA O PCP!

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