Pergunta ao Governo

Sobre os constrangimentos na urgência de ginecologia e obstetrícia no Hospital Garcia de Orta

Destinatário: Ministrério da Saúde

Aquando do anúncio do Governo da criação de urgências regionais na Península de Setúbal, o PCP expressou a sua oposição, porque esta não é a solução para garantir às grávidas os cuidados de saúde que têm direito.

Apenas três meses depois, a vida está a demonstrar, como era previsível e o PCP alertou, que o Hospital Garcia de Orta não tem capacidade para dar resposta a toda a Península de Setúbal. Já tínhamos alertado que no Hospital Garcia de Orta não seria possível realizar um número de partos na ordem de 4500/5000 partos por ano (que corresponde ao número de partos anual na Península de Setúbal nos últimos anos), número superior ao número de partos realizado pela Maternidade Alfredo da Costa. E consequentemente alertámos que as grávidas iriam continuar a percorrer quilómetros para serem atendidas.

Na semana passada, veio a público que mulheres grávidas da Península de Setúbal estavam a ser encaminhadas para hospitais na região de Lisboa, porque o Hospital Garcia de Orta não conseguia dar resposta. Devido aos constrangimentos que se verificaram em diversos períodos, devido à falta de profissionais de saúde, o serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital Garcia de Orta esteve encerrado para o exterior, recebendo apenas as grávidas encaminhadas pelo CODU.

Contrariamente ao que o Governo afirmou, a concentração das urgências de ginecologia e obstetrícia na Península de Setúbal e o encerramento do serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital do Barreiro, não trouxeram estabilidade. Perdeu-se proximidade, perdeu-se capacidade, não se resolveu nenhum problema e as grávidas continuam a ser encaminhadas para hospitais de Lisboa e até para hospitais privados, estes últimos, os grandes beneficiados desta decisão do Governo.

Ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, solicitamos ao Governo que por intermédio do Ministério da Saúde, nos sejam prestados os seguintes esclarecimentos:

  1. Desde a entrada em funcionamento das urgências regionais quantas mulheres grávidas foram encaminhas para hospitais fora da Península de Setúbal?
  2. Quais os hospitais para onde são encaminhadas as mulheres grávidas?
  3. Quantos médicos e enfermeiros asseguram o funcionamento das urgências regionais e qual o seu local de trabalho de origem?
  4. Quantos médicos da especialidade de ginecologia e obstetrícia tem o Hospital Garcia de Orta, o Hospital de Nossa senhora do Rosário e o Hospital de São Bernardo, e quantos deveriam ter? Solicitamos informação por unidade hospitalar.
  5. Houve saída de médicos da especialidade de ginecologia e obstetrícia destes três hospitais desde o início do ano? Em caso afirmativo, qual o motivo? Solicitamos informação desagregada por unidade hospitalar.
  6. Quantos médicos da especialidade de ginecologia e obstetrícia iniciaram funções e quantos saíram destes hospitais nos últimos cinco anos? Solicitamos informação desagregada por hospital.
  7. Que medidas foram adotadas para reforçar o número de médicos especialistas de ginecologia e obstetrícia nestes hospitais?
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