Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, Comício da CDU

«A quem nos diz "não importa, fica tudo na mesma", respondemos "não, ficou pior, faltou lá a CDU"»

«A quem nos diz

Camaradas e amigos,

Começo por trazer, em nome da direcção do PCP, uma fraternal saudação aos trabalhadores e ao povo de Guimarães, às gentes do Norte de Portugal.

Saudação que quero particularizar em todos aqueles que, com a sua generosa participação, asseguraram a candidatura da CDU a todos os órgãos do poder local em Guimarães, abraço que endereço directamente à Mariana Silva, do Partido Ecologista os Verdes, e que assume a tarefa de ser a candidata a Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, e ao Torcato Ribeiro primeiro candidato à Assembleia Municipal.

Se muitas vezes temos dito que enfrentamos esta batalha com confiança, estes candidatos dão razões de sobra para sublinharmos essa ideia.

Candidatos com um percurso de intervenção e conhecedores da realidade do concelho que são o rosto de um vasto colectivo, os mais de 700 candidatos que no concelho de Guimarães dão corpo ao distintivo projecto de trabalho, honestidade e competência que é o da CDU.

Temos confiança, sim, confiança que nos vem de um Programa que responde aos problemas dos trabalhadores, do povo e da juventude de Guimarães.

O projecto autárquico da CDU tem as respostas que as populações reclamam para os seus problemas.

Desde logo porque assenta na valorização da participação popular, num contacto próximo com as populações e com as colectividades e todas as expressões do movimento associativo.

Um projecto que tem confiança nas massas populares, na sua intervenção criadora, nas suas energias, na sua força colectiva. Uma confiança que vai beber ao conhecimento e à intervenção de todos para assumir as opções de política local e concretizar as melhores soluções e que não se resume nem a episódios esporádicos de participação, nem a pôr em disputa ideias soltas, sem articulação e estratégia.

Um projecto que atribui um particular papel aos trabalhadores das autarquias, assegurando-lhes as condições de trabalho dignas e o cumprimento dos seus direitos, pelos quais nos batemos, ao seu lado, aqui e na Assembleia da República.

Sabemos bem que, apesar dos baixos salários, os trabalhadores das autarquias assumem com empenho as suas tarefas de serviço às populações, cabendo-lhes um papel insubstituível.

Mas só agora, depois de uma longa luta do PCP, conseguiram ter direito ao suplemento de penosidade e de insalubridade, e mesmo assim, de forma limitada. Esta é uma batalha da qual não desistimos. Todos os trabalhadores que têm funções de risco devem ser compensados por isso.

Um projecto que encontra as soluções na defesa do serviço público na resposta aos problemas básicos e essenciais, seja na distribuição da água ou na recolha dos resíduos.

Dizem que os privados são mais eficientes, que não têm as dificuldades burocráticas da administração pública. Mas não há lengalenga que se sobreponha ao facto de um bem tão essencial à vida, como é a água, não poder estar sujeito à lógica cega do lucro.

Uma candidatura e um projecto que não temem comparações, pois colocam as populações no centro da sua acção.

Na mobilidade, batalha em que o colectivo de Guimarães da CDU se encontra particularmente empenhado, para que seja assegurado a todos os cidadãos, mesmo nas freguesias mais distantes dos centros, condições para a deslocação para cidade e entre freguesias, em transportes públicos de qualidade, com horários compatíveis com as necessidades e com o objectivo de caminhar para a sua gratuitidade.

Mobilidade regional que tem na criação da ligação ferroviária Braga-Guimarães um importante elemento. Na Assembleia da República já foram mesmo aprovadas iniciativas com esse objectivo, mas sem qualquer tradução prática. No plano local, PS, PSD e CDS falam de tudo para continuar a atirar areia para os olhos do povo. Mas esta ligação tem décadas de atraso!

São dois territórios com cerca de 400 mil pessoas, com uma Universidade partilhada com cerca de 25 mil alunos e milhares de trabalhadores, muitos que se deslocam entre Guimarães e Braga todos os dias.

Quando ouvimos o Secretário-geral do PS desdobrar-se em comícios do seu partido a fazer anúncios dos dinheiros do PRR, nós dizemos que já basta de anúncios e propaganda. O que é preciso é tomar decisões e lançar a obra, que já tarda!

Esta é uma candidatura que defende o poder local democrático, exigindo os meios para assumir as suas competências, rejeitando o empurrar de responsabilidades da administração central para cima das autarquias e que não desiste dessas grandes batalhas que são a da reposição das freguesias que o povo assim queira e da regionalização, com a instituição de um poder regional eleito pelo povo que trabalhe para o desenvolvimento regional.

Uma força que, junto do poder central, exige para as suas terras os serviços públicos que respondam às aspirações das populações, das escolas com meios técnicos e humanos, aos serviços de Segurança Social, de Finanças, e, naturalmente.

Que exige o reforço do Serviço Nacional de Saúde, com a contratação dos médicos, dos enfermeiros, dos técnicos e dos outros trabalhadores em falta, garantindo o funcionamento de todas as unidades, e desde logo nos cuidados primários de saúde, com a concretização dos investimentos em falta, em que se incluem os investimentos em falta no Hospital de Guimarães.

Estamos confiantes, aqui, para reconquistar o lugar de vereador na Câmara Municipal de Guimarães, uma presença de trabalho e uma voz em defesa dos trabalhadores e do povo.

Estamos num concelho marcado pela realidade dos baixos salários, dos atropelos aos direitos dos trabalhadores e da precariedade.

Um concelho onde as mulheres trabalhadoras da indústria têxtil, uma boa parte dos operários das indústrias metalúrgicas, como as cutelarias ou os trabalhadores das IPSS, em virtude do bloqueamento da contratação colectiva por parte das associações patronais, se viram aumentos salariais, foram os do Salário Mínimo Nacional pelo qual não cansámos de nos bater.

Os trabalhadores sabem que podem contar com o PCP, com a CDU, na justa luta pela valorização do trabalho e pelo aumento dos salários.

Aumento geral dos salários que inclua o aumento do Salário Mínimo Nacional para 850€ e do salário médio e a valorização das carreiras, que deve estar no centro de qualquer política social do Governo. E o Governo pode intervir, desde logo fixando o valor do Salário Mínimo, mas também assegurando o aumento dos salários dos trabalhadores da Administração Pública, dando o exemplo a todos os outros sectores.

Os ataques aos direitos dos trabalhadores, têm sido facilitados por um conjunto de normas gravosas no Código de Trabalho, por cuja revogação nos temos batido, ataques tão visíveis na desregulação dos horários, na pressão sobre as condições de trabalho, na intensificação da precariedade, no recurso abusivo aos despedimentos colectivos, para acentuarem a exploração.

O PS tem insistido em não revogar essas normas gravosas, e particularmente a caducidade da contratação colectiva, relativamente à qual voltámos ontem mesmo a apresentar um projecto de lei, juntamente com outros como o projeto relativo à aprovação do princípio do tratamento mais favorável, com consequências que os trabalhadores têxteis sentem bem.

Com a caducidade do contrato do sector, o grande patronato tem em vista o roubo de 3 dias de férias, os feriados municipal e de carnaval e o subsídio de amas. O Governo e o PS não podem ignorar esta realidade.

Aliás, o Governo PS multiplica-se em anúncios, em livros verdes e em roteiros a propósito do trabalho e dos trabalhadores.

Mas as medidas que o PCP propôs na Assembleia da República, que poderiam responder a essa ofensiva, o Governo e o PS não assumem o compromisso de aprovar.

Hoje choram lágrimas de crocodilo perante os despedimentos colectivos, mas rejeitaram as propostas do PCP para o impedir.

Mas ainda estão a tempo de emendar a mão! aprovando o projecto que acabámos também de apresentar na Assembleia da República.

Dizem-se preocupados com os trabalhadores em teletrabalho. Então apoiem a aprovação da regulação do regime de trabalho em teletrabalho, que está em apreciação na Assembleia da República ou o projecto do reforço dos direitos de maternidade e paternidade.

Apoiem o nosso projecto que visa a generalização das 35 horas semanais para todos os trabalhadores sem perda de remuneração, ou o que reforça os direitos dos trabalhadores em trabalho nocturno e por turnos.

Os trabalhadores da Antrol-Alfa sabem bem da penosidade desse trabalho.

E os trabalhadores sabem bem com quem podem contar. Os trabalhadores da Coelima e da António Almeida e Filhos souberam quem esteve com eles quando as empresas, aproveitando o pretexto da epidemia, se apresentaram à insolvência, e foram os trabalhadores os primeiros a assumir a defesa da empresa e de todos os postos de trabalho, contribuindo para que ambas se mantenham e tenham futuro.

A valorização do trabalho e dos trabalhadores é um eixo central da política patriótica e de esquerda que propomos aos povo português, pela qual nos batemos, e cuja concretização será tanto mais próxima quanto mais força tiver a CDU, já a partir destas eleições autárquicas.

Camaradas e amigos,

Estamos a entrar na derradeira semana de campanha eleitoral.

Este belo comício dá-nos energias renovadas para esta recta final.

Vamos daqui com a confiança de que está ao alcance o objectivo de fazer voltar a CDU à Câmara de Guimarães e de retomar posições nas Juntas de Freguesia.

E se pedimos aos trabalhadores e ao povo de Guimarães que renovem e reforcem a confiança nos candidatos e no projecto da CDU, é porque a nossa força é a força que encontrarão para defender os seus direitos e interesses.

É para, a partir de cada voto, de cada eleito, juntarmos força à luta para encontrar os caminhos para a resposta aos seus problemas, direitos e aspirações.

É este o objectivo primeiro da CDU e de cada um dos seus eleitos, e não o de servir os seus próprios interesses ou interesses particulares.

Mas não posso deixar de sublinhar que o trabalho que temos pela frente não é apenas para a Mariana Silva e para o Torcato Ribeiro.

Nem mesmo um trabalho que possa ser levado a cabo apenas pelos candidatos, por muitos que eles sejam.

Até dia 26 de Setembro, há trabalho para todos. Falar com um vizinho, com um colega de trabalho, com um familiar.

Lembrar a cada um que possa estar mais reticente, que nos diga que não vale a pena, que no fim fica tudo na mesma, que a Câmara de Guimarães mostra bem que que não ficou tudo na mesma. Ficou pior porque lá faltou a voz da CDU.

A todos e a cada um está colocada a tarefa de, até ao último minuto, ganhar mais um voto, pois como diz o nosso povo, grão a grão, enche a galinha o papo.

Com o vosso generoso empenhamento, com o apoio dos trabalhadores e do povo, podermos afirmar que daremos futuro e confiança a Guimarães.

Viva a CDU!

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