Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

PCP condena os planos belicistas da Cimeira da NATO

A Cimeira da NATO que hoje se realiza em Bruxelas representa um novo passo na perigosa estratégia que visa reforçar este bloco político-militar como um instrumento de ingerência e agressão ao nível mundial, para a imposição do domínio hegemónico dos EUA e de outras potências imperialistas sobre os povos do mundo.

Longe de ser um factor de estabilidade e segurança, a NATO tem sido responsável por décadas de guerras e agressões – da Jugoslávia à Líbia –, em violação sistemática da Carta da ONU e do Direito Internacional, que a NATO pretende desmantelar e substituir, de forma cada vez mais explícita, por uma denominada era baseada em regras definidas de forma unilateral pelos EUA e outras potências capitalistas, nomeadamente no âmbito do G7.

Na actual Cimeira estarão em discussão o Conceito Estratégico e a denominada ‘Agenda NATO 2030’, particularmente centrados no objectivo da confrontação com a China e a Rússia. São evidentes os sérios riscos de uma tal estratégia, que é alimentada pelos sectores mais belicistas e reaccionários das potências imperialistas, incapazes de aceitar as novas realidades económicas e políticas no plano mundial.

A NATO, que contou com a ditadura fascista de Salazar entre os seus membros fundadores, tem um longo historial de apoio ao fascismo e a golpes de Estado, hoje patente na Ucrânia onde, com o apoio da NATO, assumidos herdeiros e admiradores dos crimes do nazi-fascismo desempenham um papel instrumental na estrutura de poder após o golpe de 2014.

Em declarações proferidas nas vésperas da Cimeira, o Secretário-Geral da NATO orgulha-se de os seus países membros terem «acrescentado mais 260 mil milhões de dólares aos seus orçamentos de defesa desde 2014», e isto quando as despesas militares dos países da NATO já excedem as do conjunto de todos os outros países do mundo.

Num tempo de profunda crise económica, social e no plano da saúde pública, a NATO é um sorvedouro de gigantescos recursos, que não só são subtraídos à resolução dos graves problemas que os povos enfrentam, como são desviados para servir o militarismo, a produção de novos e mais modernos armamentos – incluindo nucleares – e a guerra.

Para os trabalhadores e os povos, sistematicamente confrontados com o argumento de que ‘não há dinheiro’ para acudir a graves problemas sociais, fica patente que para o complexo militar-industrial, como para o capital monopolista em geral, há sempre recursos públicos disponíveis. É imperioso dizer não à guerra e a quem a promove e com ela lucra.

O Governo português assume uma grave responsabilidade ao associar-se ao perigoso projecto do reforço da NATO, objectivo e política que está em afronta à Constituição da República Portuguesa que consagra a paz, o desarmamento, a dissolução de todos os blocos político-militares.

O PCP apela ao reforço da luta pela paz e contra a NATO, desde logo com a participação nas acções que hoje se realizam em Lisboa e no Porto.

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