Intervenção de Paula Santos na Assembleia de República, Reunião Plenária

O Chega pretende manipulação e mentira e ocultar a ação terrorista bombista, entre 1975 e 1977

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A pretexto da desclassificação de documentos, com esta iniciativa o propósito do Chega é ocultar a ação terrorista bombista, entre 1975 e 1977, desencadeada contra o processo de institucionalização do regime democrático.

Sobre isto, nem uma palavra do Chega, muito pelo contrário, o deputado André Ventura apoia.

O terrorismo bombista das organizações de extrema-direita que não se conformavam com Abril e que ambicionavam o regresso à ditadura, o MDLP, o ELP, o Movimento Maria da Fonte, a FLA, a FLAMA, elegeram o PCP como alvo político principal a liquidar. Não conseguiram!

Estas organizações terroristas que foram responsáveis por 566 ações, de entre as quais, 310 atentados bombistas, 136 assaltos, 58 incêndios, 36 espancamentos, 16 atentados a tiro, mais de 10 pessoas foram assassinadas. Recordamos o José Costa Lima, assassinado quando defendia o Centro de Trabalho do PCP em Ponte de Lima; António Almeida e Silva, dirigente sindical vidreiro, assassinado a tiro à porta do sindicato; o Padre Maximino de Sousa e a estudante Maria de Lurdes Pereira, mortos à bomba em Vila Real; Manuel Joaquim do Vale Silva espancado até à morte em Ponte de Barca; Maria Rosinda de Sousa Moreira, assassinada à bomba em São Martinho do Campo; ou os dois diplomatas cubanos assassinados à bomba na Embaixada de Cuba, entre outros.

Este agendamento do Chega é parte da operação de subversão dos factos e acontecimentos, de manipulação e mentira, numa atitude revanchista e de ajuste de contas com Abril.

E para que fique claro, quanto às FP 25, a posição do PCP foi e é clara, condenámos sempre e condenamos a sua atuação.

Na verdade, o PCP foi vítima do terrorismo bombista de extrema-direita após o 25 de Abril, que pretendiam desestabilizar, criar o caos, para colocar em causa a liberdade e democracia conquistada com o 25 de Abril.

Há ainda muito por revelar relativamente a este período, por isso estamos de acordo com a desclassificação dos documentos, quer quanto ao terrorismo bombista das forças reacionárias contra o 25 de Abril, quer quanto às FP 25. Haverá certamente muitas informações que ajudarão a compreender quem é quem e que poderão surpreender os mais incautos, mas também deixará cair a máscara a muitos que compactuaram, direta ou indiretamente, com as ações bombistas e terroristas.

 

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