Intervenção de Paulo Raimundo na Assembleia de República, Reunião Plenária

A vossa guerra serve a industria do armamento, os lucros da GALP, SONAEs, Jerónimo Martins e a banca, mas não os povos

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Senhor presidente,
Senhores deputados,

Portugal, tal como define a Constituição da República, só se pode assumir como intransigente defensor do direito internacional, construtor da paz e pugnar pela solução política dos conflitos.

Depois de duas guerras mundiais e de milhões de mortos, é fácil concluir que a guerra é para parar e tudo fazer para que não torne a vir.

É verdade que Portugal não pode sozinho impor a paz. 

Mas pode e deve com outros países, romper com o coro da loucura da guerra e da corrida aos armamentos.

Portugal não é uma província da União Europeia nem muito menos um apêndice dos EUA e da NATO, mesmo que o governo e Marco Rubio achem outra coisa.

Portugal tem de ter uma voz própria e soberana e que deve ser usada para defender os interesses nacionais e intervir no sentido da paz. 

Há doze anos despoletou a guerra na Ucrânia, há doze anos que o PCP alerta para a situação dramática e defende uma solução política para o fim do conflito.

Durante todos estes anos alguns aqui ignoraram o que se passava,  fizeram de conta que não era nada e depois aplaudiram e aplaudem de pé a continuação da guerra com os resultados que estão à vista. 

Aplaudem uma guerra que envolve outros, mas cinicamente não assumem as consequências das suas opções.

Alguns são os mesmos que fecham os olhos ao genocídio do povo da Palestina e que se vergam perante as ordens dos EUA e as suas chantagens, bloqueios, sanções e ameaças inclusive a países da União Europeia.

E é com enorme preocupação que se constata que PSD, CDS, Chega e IL apoiam a loucura da guerra que os EUA e Israel levam por diante contra o Irão, são entusiastas da corrida aos armamentos e como se não bastasse arrastam o País para a agressão transformando a base das Lajes numa plataforma para ataques ao Irão, ao Líbano, e à Palestina. 

Depois de há 23 anos também nas Lajes e também pelas mãos do PSD e CDS o País foi humilhado ao acolher a cimeira da mentira da guerra contra o Iraque, voltam hoje e pela mão dos mesmos protagonistas políticos a arrastar Portugal para uma guerra que só serve os que com ela fazem negócios milionários.
 
Colocar o território nacional ao serviço da guerra é uma incompreensível opção sobre a qual se exige o total esclarecimento e apuramento de responsabilidades e consequências.

A guerra é vossa mas a factura, essa querem sempre que sobre para o povo. 

O aumento do custo de vida tem a marca, também, do PSD, CDS, Chega e IL.

Quando pagarmos mais 20% por litro de gasóleo, mais de 16% por litro de gasolina, mais 18% por uma botija de gás, que já custa cerca de 40 Euros, podemos agradecer ao PSD, CDS, Chega e IL.

Um agradecimento que se estende aos preços nunca vistos nos alimentos ou nos novos aumentos das prestações mensais à banca nos empréstimos à habitação mas também com implicações dramáticas nos pequenos agricultores que, já há muito que estavam pressionados e hoje enfrentam aumentos que não aguentam, desde logo nos fertilizantes que custam mais  50%.

A vossa guerra serve a industria do armamento, serve os lucros da GALP, das SONAEs, da Jerónimo Martins, serve a banca, mas não serve os povos desde logo o nosso.

Os entusiastas da guerra, são os mesmos que querem privatizar tudo, atacar o direito à saúde, à educação, à segurança social, à habitação e que nesta situação em particular querem impor, pasme-se ainda mais exploração e ataque aos salários com o pacote laboral.

Ainda mais exploração, ainda mais baixos salários, ainda mais precariedade, mais desregulação dos horários, trabalho à borla, despedimentos sem justa causa, não serve aos trabalhadores nem ao país em nenhuma circunstância e muito menos numa altura em que enfrentam um brutal aumento do custo de vida.

O quadro internacional e a situação do País o que impõe é a defesa dos interesses nacionais e por fim à vergonhosa utilização do território ou espaço aéreo nacional para a continuação desta agressão de Trump e daqueles que o apoiam.

A situação exige coragem. 

Coragem para travar a loucura da guerra. 

Coragem para aumentar salários, regular preços, apoiar os sectores produtivos.

Coragem para afirmar Portugal como País soberano, promotor da paz e cooperação entre os povos.

Disse,

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