Em junho de 2025, o CDS-PP entregou um projeto de resolução sobre as comemorações dos 900 anos da batalha de São Mamede, tema que hoje debatemos.
Sucede que esse projeto de resolução sofreu um inquietante percalço germinativo ao cabo de oito meses no alfobre parlamentar.
Passo a explicar:
Em junho de 2025, o CDS propôs que a Assembleia da República recomendasse ao Governo que fizesse antecipar para 2028 as comemorações do nono centenário da Batalha de São Mamede, ocorrida em 1129.
Sucede que, em fevereiro deste ano de 2026, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, uma Resolução que determinou a realização das comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede a partir de junho de 2026, ou seja, dois anos antes do ano pretendido pelo CDS como recomendável para a festiva antecipação.
Portanto, o Governo antecipou-se ao CDS. Ainda o CDS estava a partir, já o Governo, a que o CDS pertence, estava a voltar.
Não podendo o CDS reescrever a História, não lhe restava outra solução que não fosse reescrever o projeto de resolução, e foi o que fez:
Esqueceu a antecipação que já estava mais do que antecipada e passou a recomendar que se reforce a participação da sociedade civil e das autarquias nas comemorações, como se tal ideia não passasse sequer pela cabeça do Comissariado Nacional, que integra autarquias, universidades, academias e sociedades históricas – e pela própria Câmara de Guimarães.
Aprovemos, pois, a recomendação que já está mais que recomendada.
Mas é preciso dizer algo mais, aproveitando o estribo que o assunto oferece:
A Batalha de São Mamede é um momento pré-fundador da independência nacional que o PCP, como partido patriótico, enaltece, e considera que deve ser comemorado, relevando o papel histórico do Rei Fundador, Afonso Henriques.
O mesmo Afonso Henriques que, se hoje voltasse à Terra e visse a forma como este Governo envergonha a independência e a soberania nacional, pela sua subserviência perante a União Europeia e o poder imperial dos Estados Unidos, diria certamente ao CDS algumas coisas que o CDS não gostaria de ouvir.
Disse.







