Intervenção de João Dias na Assembleia de República

Defender Barrancos e a sua língua é defender aquele território e aquele concelho

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Trata-se de um projeto de lei distinto – Que se diferencia por introduzir além do reconhecimento e proteção do Barranquenho reconhece, também, a sua identidade cultural! Os seus hábitos, os seus costumes, a sua tradição, a sua gastronomia a sua memória.

Mas, permitam-me Falar antes de Barrancos.

Barrancos é um povo onde o Encontro, o reencontro, a confraternização e sobretudo o saber viver é uma constante.

Qualquer canto de Barrancos pode nos contar uma História ou ensinar-nos uma lição. Há dois momentos históricos no Povo de Barrancos:

• Guerra Civil Espanhola – tendo o Povo de Barrancos acolhido os seus vizinhos espanhóis, refugiando-se em Barrancos, fugiram à morte certa da ditadura de Franco

• Rotas do Contrabando – Sendo um território onde um povo exposto à ditadura de salazar, encontrou no contrabando a forma de matar a fome.
O Barranquenho, uma fala mista – Do Português / variante Alentejano com o Espanhol / variante Andaluz e extremenha

Que resulta com continuo contato mantido entre a Vila de Barrancos e as Populações de Ensinasola, Frengenal de la Sierra, Higuera la Real e Oliva de la Frontera.

Tenho que referir-me ao decisivo contributo Município de Barrancos, que em 2008 – Aprovou a classificação do Barranquenho como Património Cultural Imaterial Municipal.

E já no verão de 2017 – Fomentou o Estudo do Barranquenho para Classificação Nacional e o ensino na escola local
Contudo não podemos olhar para Barrancos apenas pelo seu dialeto. Barrancos a cada dia que passa fica mais distante. Para o PCP todos os Povos interessam! Principalmente para aqueles em que o distanciamento social e económico é bem superior ao distanciamento físico!

Em Barrancos podemos com facilidade identificar os que Resistem e constroem todos os dias a sua cultura/ os custumes / os hábitos / as tradições / a gastronomia e o seu dialeto a sua língua. Também aqueles que lá vão disfrutar e usufruir de uma cultura impar/única!! E aqueles que só lá vão na altura das Feiras e Festas!

Neste debate não podemos esquecer os problemas de desenvolvimento económico e social. Barrancos tem sido abandonado à sua sorte:
Na saúde; Na Educação; Nas Acessibilidades; Nos transportes; Na Covid19 tendo sido encerrada a sua fronteira num tratamento desigual com outras zonas fronteiriças.

A importância do dialeto Barranquenho como fator de identidade e especificidade do povo de Barrancos, e principal gerador da diversidade cultural no seio da República Portuguesa, assume a responsabilidade de valorizar a sua função, de apoiar medidas que preservem a sua natureza, com intervenções adequadas junto dos mais jovens, e numa perspectiva inter-geracional, por forma a que não se perca este importante acervo linguístico, também enriquecedor da identidade nacional.

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