Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Comício

«Não há solução para os problemas nacionais sem o PCP, sem um PCP mais forte»

Começou mal o ano de 2008 para a vida da generalidade dos portugueses.

Dizia há dias o governo, em tempo de festas natalícias, que o ano de 2008 iria ser um ano melhor para todos. Mas o ano ainda mal começou e o que os portugueses vêm e sentem, particularmente os que vivem do trabalho e de uma reforma, é a vida a piorar.

Depois de um ano que ficou marcado pela mais violenta ofensiva contra os direitos sociais e pelo aumento do desemprego e da precariedade, o ano começou com um novo e brutal agravamento do custo de vida. É por isso que aqui estamos dando seguimento à nossa campanha nacional “Basta de injustiças, mudar de política para uma vida melhor”, reafirmando que não desarmaremos nesse combate que é preciso continuar a travar por um Portugal mais justo, mais igualitário e mais solidário.

A lista dos aumentos dos preços dos bens e serviços essenciais já anunciados neste inicio do ano, desde os produtos alimentares ao gás, da electricidade aos combustíveis, dos transportes à saúde, entre muitos outros, negam qualquer perspectiva de melhoria das condições de vida das pessoas, nomeadamente de quem vive de um salário ou de uma reforma. Aumentos de preços que põem em causa não só a credibilidade das projecções do governo para a inflação, como mais uma vez esta semana se verificou com a confirmação da errada previsão do governo para o ano que findou, mas o próprio método e critérios para estimar o seu valor.

Em relação às projecções, elas são cada vez mais um expediente para travar o justo crescimento dos salários e das reformas. Milhares e milhares de trabalhadores e reformados perdem todos os anos poder compra com a aplicação deste subterfúgio do governo.

Há quem, com tal ardil, venha a perder anos a fio e de forma sistemática o poder de compra do seu salário.

Em relação ao método e aos critérios, eles estão hoje postos em causa pela simples constatação dos elevadíssimos aumentos dos preços dos bens essenciais. Quem de entre nós é capaz de apontar um produto ou serviço daqueles que são básicos no cabaz de compras de uma família, cujo aumento tenha ficado pelo valor oficial da inflação?

Temos dificuldade em apontar. Não é fácil encontrar. Alguns aumentos são um autêntico escândalo, destinados a fazer crescer de forma inaceitável os lucros. Ninguém acredita que o actual cabaz de compras que serve para medir a inflação seja um instrumento de rigor.

Bastaria ver a evolução das despesas no último ano com a habitação, saúde, transportes e produtos alimentares, como o pão ou leite para suscitar as mais fortes reservas ao conteúdo do cabaz e concluir que os índices oficiais da inflação se tornaram uma ficção.
Em relação à habitação, só o aumento das taxas de juro, significam um agravamento de 20% do seu custo para mais de um milhão e seiscentas mil famílias. Aumentos que são a consequência de uma política monetária que tem tido a anuência do governo do PS.

É preciso pôr fim a estes expedientes e a esta forma encapotada de promover o empobrecimento dos trabalhadores e dos reformados. O governo não pode continuar a fazer de conta que não percebe, fugindo a prestar os esclarecimentos e discutir com transparência este problema.

Esperamos há um ano uma resposta clarificadora do governo acerca do conteúdo do cabaz!

Clarificação tanto mais necessária e inadiável quando se multiplicam as formas de desvalorização dos rendimentos do trabalho e diminui a sua participação no Rendimento Nacional. Veja-se o que está acontecer com as reformas e com a aplicação, já em 2008, da chamada “reforma” da Segurança Social e do seu novo cálculo de pensões. Aplicação que significará já uma quebra de 16% nas pensões de reforma mais baixas para os novos reformados.

É contra esta realidade que se agravará nos próximos anos que é preciso continuar a lutar. Luta que se alarga à exigência de aumentos dignos para as reformas e pensões e não reajustamentos de miséria como foram os concretizados pelo governo.

Aumentos dignos que permitam uma real valorização das reformas, como o fez o PCP com a sua proposta de aumento de 4% para a maioria das pensões. Proposta que o PS recusou, apesar do excedente de quase 700 milhões de euros garantidos na Segurança Social.

Recusa que o CDS-PP, sempre pronto a fazer o maior dos alaridos nos debates na televisão acompanhou, dando seguimento lógico à sua anterior posição que o levou a apoiar a “reforma” do governo que impõe a diminuição e degradação das reformas.

Mas se o ano começou mal com o agravamento das condições de vida dos portugueses, o governo do PS e José Sócrates, não começaram melhor, dando mais uma vez o dito por não dito, rasgando mais um compromisso assumido perante o povo português – o compromisso de realizar um referendo sobre o novo Tratado da União Europeia.

Para o governo do PS tornou-se corriqueira a fuga às suas promessas e compromissos.

Prometeram e assumiram o compromisso da criação de 150 mil novos postos de trabalho, mas o que cresce assustadoramente é o desemprego, lado a lado com a mais elevada precariedade laboral. Portugal é, juntamente com a Irlanda, o país onde mais cresce o desemprego, com a agravante de o nosso país ter das maiores taxas, 8,2% em Novembro como o confirmou recentemente o Eurostat.

Temos cada vez mais pessoas sem trabalho e mais emigração forçada. É por isso que temos que continuar a afirmar que não há justiça num país com o desemprego sempre a crescer!

Mas o que é trágico para a vida de milhares de trabalhadores é que o governo do PS se tenha resignado, por opção política, à aceitação da inevitabilidade do seu contínuo crescimento. Altíssimo desemprego que é consequência de uma política que abandonou a defesa e desenvolvimento do aparelho produtivo nacional.

Isso é muito evidente aqui no distrito de Santarém, onde assistimos ao paulatino encerramento de importantes unidades industriais e a um infindável número de explorações agrícolas.

O PS e José Sócrates prometeram e assumiram o compromisso de construir um país mais coeso. Prometerem combater as assimetrias regionais e promover o desenvolvimento dos concelhos do interior, mas o seu governo faz exactamente o contrário, agudiza todos os problemas com os drásticos cortes do investimento público que a sua ditadura do défice impõe.

Brutais cortes de investimento que, no caso do distrito de Santarém significa a redução do investimento público para cerca de ¼ do realizado há seis anos atrás, como se confirma com o PIDDAC deste ano.

A falta de uma política de apoio aos sectores produtivos, nomeadamente à agricultura, cuja crise se aprofunda, juntamente com os elevados cortes no investimento, são os fenómenos da desertificação, do envelhecimento e da degradação económica e social dos concelhos de interior que avançam, como se verifica aqui, também no distrito de Santarém. E é também por isso que nós dizemos que não há justiça num país que deixa aprofundar as desigualdades regionais!

O PS e o seu governo prometeram e assumiram o compromisso de rectificar as reconhecidas malfeitorias introduzidas pelo governo do PSD e CDS-PP no seu famigerado Código de Trabalho mas, ao contrário, o governo e José Sócrates preparam-se para concretizar a mais brutal das ofensivas contra os direitos laborais dos trabalhadores com a introdução da flexigurança à portuguesa.

A situação dos trabalhadores é já hoje muito difícil – desemprego, precariedade, baixos salários, profundas desigualdades, sistemática violação de direitos – e o governo quer alterar para pior a legislação que regula as relações de trabalho com a prevista revisão do Código de Trabalho.

Pôs em cima da mesa inaceitáveis propostas de destruição de direitos fundamentais dos trabalhadores, embrulhadas em ardilosas formulações sob a capa de negociador neutral. Propostas que quer concretizar já neste primeiro trimestre de 2008.

Propostas que visam facilitar e tornar baratos despedimentos individuais sem justa causa. Introduz o despedimento por inadaptação ao posto de trabalho e a possibilidade da prática do quase despedimento sumário com menores indemnizações.

Propostas para desregulamentar ainda mais os horários de trabalho, em prejuízo da vida pessoal e familiar dos trabalhadores com admissão de horários de 10 horas diárias e 50 semanais.

Propostas de destruição da contratação colectiva, eliminando direitos por caducidade forçada das convenções.

Propostas que põem em causa, em numerosas matérias, o princípio do tratamento mais favorável para o trabalhador.

Propostas com novos entraves ao exercício dos direitos de reunião e de actividade sindical nas empresas.

Propostas que só podem ter uma resposta – a intensificação da luta dos trabalhadores portugueses!

O PS, José Sócrates e o seu governo também assumiram o compromisso de não aumentar os impostos, mas mal tinham chegado ao governo e já restavam a faltar ao prometido. Não escassearam na altura abundantes explicações, como agora não faltam as mais cínicas das argumentações, para recusar o referendo sobre o Tratado europeu, mas elas não iludem o carácter de classe das suas opções.

O compromisso a que faltaram não foi com os grandes e poderosos. Esses continuaram a pagar menos impostos do que o devido e a receber mais benefícios fiscais pela via dos off-shores e fora dos off-shores.

O compromisso a que faltaram foi com os sacrificados de sempre. Foi com os trabalhadores, os reformados, os pequenos e médios agricultores e empresários, com a população em geral em cima dos quais caiu o aumento do IVA, do imposto petrolífero, do IRS, nomeadamente nos reformados.

É por isso que também nesta matéria é preciso reafirmar: Basta de Injustiças! Basta de Injustiça Fiscal!

Prometeram e assumiram o compromisso de apoiar os jovens e melhorar as condições de vida da juventude. Mas também aqui o que vimos foi o contrário. Mais dificuldades de emprego. O desemprego entre jovens já ultrapassa os 16%. Mais precariedade. Mais limitações e novas discriminações no acesso ao subsídio de desemprego.

Tinham prometido aperfeiçoar e desburocratizar o Incentivo ao Arrendamento por Jovens e afinal acabaram com ele criando o “Porta 65”. Este novo programa é além de insuficiente, retrógrado, praticamente impossível de obter. Entretanto, acabou com a participação dos estudantes nos órgãos de gestão das instituições do ensino superior.

O PS e José Sócrates prometeram e assumiram o compromisso de pôr a economia a crescer 3% no seu mandato, mas estamos a pouco mais de um ano e meio do fim da legislatura e esse é já outro objectivo abandonado.

Era possível crescer mais e criar mais emprego, mas o governo colocou a sua política ao serviço do grande capital e não dos portugueses e fez do défice das contas públicas o problema central do país. É por isso que agora fazem revisões do crescimento económico em baixa e adiam o seu grande objectivo de crescimento para o início da próxima década.

O “El Dourado” prometido é sempre adiado para um futuro que nunca chega. Prometeram a modernização da economia, mas continuamos a perder quota no mercado externo e a produção nacional continua a ser substituída pela produção estrangeira.

O país continua frágil e dramática e perigosamente endividado e dependente. É a modernidade com “pés de barro” do PS pronta a ruir ao mais pequeno abalo.

Temos afirmado e ainda recentemente o demonstramos na nossa Conferência Nacional sobre Questões Económicas e Sociais que Portugal precisa de outra política que permita mudar o rumo do país, na base de um modelo de desenvolvimento que potenciando os nossos recursos, promova a valorização do trabalho nacional e afirme a capacidade produtiva do país. Outra política alternativa tanto mais necessária quanto sopram os ventos da crise do capitalismo especulativo.

Quando no verão passado rebentou a bolha bolsista da especulação imobiliária, o PCP contrariando os bem-pensantes que a minimizaram, desde o Banco de Portugal até ao Ministério das Finanças, afirmou com clareza que esta crise era uma crise profunda, longa, sistémica, que atingiria a “economia real” e que com grande probabilidade levaria à recessão nos Estados Unidos e ao abrandamento da economia na União Europeia.

Dissemos também que no cerne da crise estava o facto de há muito se ter substituído salários decentes por crédito fácil para garantir uma falsa procura efectiva, gerando a partir dela pirâmides de títulos com valores artificiais, na roleta da economia de casino que domina a acumulação capitalista.

Chamámos ainda a atenção para o facto de o nosso país ser dos mais atingidos na União Europeia quer pelo encarecimento e contracção do crédito, quer pela valorização do euro e retracção económica dos nossos principais clientes (Alemanha, Espanha, Reino Unido…) penalizando as nossas exportações muito sensíveis ao factor preço.

Dissemos ainda que o governo devia rever com realismo as suas previsões, tomar medidas internas e pressionar o BCE (Banco Central Europeu) e o Conselho para se atenuarem o mais possível os efeitos desta crise.

Tudo isto foi ignorado com arrogância e sobranceria.

Agora que a crise dita financeira é uma evidência, não tarda que aqueles que com ela beneficiaram e aqueles que têm vulnerabilizado o país com as suas políticas venham de novo utilizar a crise para imporem novos e mais sacrifícios e para se desculpabilizarem por não atingirem as suas fantasistas metas de crescimento, investimento, emprego, inflação.

O PCP com todo o sentido de responsabilidade acusa os governos do Bloco Central de serem os principais responsáveis pela fragilização do aparelho produtivo nacional, pelo crescente endividamento das famílias, das empresas e do país.

O PCP entende que está em causa o sistema monetário internacional tal como ele foi concebido e que a política de afirmação do Euro como moeda internacional, disputando a primazia ao Dólar não pode ser feita à custa dos povos e dos países com economias mais débeis.

É grande o rol das promessas e dos compromissos não cumpridos, mas permitam-me ainda algumas considerações acerca da última reviravolta e da cínica argumentação utilizada para negar o compromisso de referendar o novo Tratado europeu, “clonado” do derrotado Tratado Constitucional e rebaptizado de Lisboa.

Disse José Sócrates, negando tudo o que tinha dito nos últimos três anos que a sua recusa do referendo se deve ao facto do Tratado de Lisboa ser diferente do Tratado Constitucional.

Não será preciso aqui reproduzir tudo o que foi dito por José Sócrates para avaliar da profunda hipocrisia de tal justificação. Bastaria recordar o que há uns meses respondeu a uma pergunta que lhe fizeram. Perguntavam-lhe então: “Mantém o objectivo de referendar o Tratado qualquer que seja o resultado deste processo institucional? Mantenho” disse Sócrates.

Não manteve, o que manteve foi uma “fita de suspense” até à última. Se Sócrates tinha esta opinião, porque é que andou a “enrolar” o seu segredo todos estes últimos meses? O problema de José Sócrates e de todos os outros dirigentes da União Europeia que acordaram entre si não submeter o Tratado a referendo, não é o da diferença entre os tratados, que é mínima, mas o receio que os povos conheçam o seu conteúdo e o recusem!

O problema de José Sócrates e dos outros dirigentes é o temor do voto NÃO dos povos europeus e acham, por isso, mais seguro ratificar o Tratado à sua revelia, pela via parlamentar.

O que temem é que o projecto neoliberal, militarista e federalista que o Tratado encerra seja discutido e questionado pelos povos.

O que faz mudar de opinião José Sócrates é o receio de que os portugueses saibam e discutam a quem serve o Tratado e qual a profundidade do novo golpe que com ele se prepara na soberania nacional.

José Sócrates acossado com a justa crítica à fuga das suas responsabilidades vem criticar o PCP porque é a favor do referendo sobre o Tratado e foi contra o referendo sobre a IVG. Já tivemos a oportunidade de lhe dizer que não se limpa das suas responsabilidades com tal habilidade.

E, dissemos-lhe que não se limpa, primeiro porque nem nós nem ninguém, por ser a favor de um referendo tem que ser a favor de todos! Depois, não mentimos em nenhuma circunstância, nem escondemos a nossa opinião. Dissemo-lo muito claramente aos portugueses no nosso compromisso eleitoral.

Apenas defendemos o referendo para o Tratado, porque o seu conteúdo implica questões de soberania. Diferentemente, o PS assumiu o compromisso no seu programa eleitoral de realizar o referendo sobre a IVG e sobre o Tratado e para a realização do qual promoveu antecipadamente uma revisão constitucional.

Não há malabarismos, nem “golpes de asa” de última hora que reabilite mais esta “pirueta” de um PS que há muito banalizou a quebra dos seus compromissos.

As consequências do Tratado para Portugal não podem subestimadas. Portugal com este Tratado de Lisboa perde força e capacidade de defesa dos seus interesses, enquanto outros reforçam o seu papel e poder de decisão.

Portugal perde em todos os níveis nas instituições: perde deputados no Parlamento, perde influência no Conselho e na Comissão perde um comissário permanente. Perde peso no sistema de votação. Todo o processo de decisão é concebido em detrimento dos países como Portugal e a favor dos “seis grandes”, que agora se constituem em “Directório” e que em grande parte passa a determinar as políticas europeias.

Os países como Portugal passam com o novo Tratado a pesar menos e a contar menos.

Contam menos e pesam menos na definição das políticas que tratam de matérias que são essenciais no exercício da acção soberana dos Estados e que foram transferidas em momentos anteriores, como é o caso da política monetária e da política comercial comum, entre outras.

Contam menos e pesam menos nas decisões do vasto conjunto de competências que estão hoje condicionadas pela decisão da União Europeia e que agora são definidas também como competências partilhadas, nomeadamente a política económica, agrícola e de pescas, mas também nos sectores dos transportes, energia, justiça e na política social.

Contam menos e pesam menos no novo leque de competências que são transferidas para a União Europeia com o novo Tratado. Competências que vão desde os domínios do controlo das fronteiras à política de asilo e imigração, a novos poderes de regulação na área da energia, nos transportes, na negociação de acordos com países terceiros ou os da conservação dos recursos biológicos do mar, esta transferida como competência exclusiva da União.

Vastas e amplas competências que esvaziam o Estado-nação, grande parte a decidir por maioria qualificada e em relação às quais se perde o direito de veto.

É o futuro independente e soberano de Portugal que está em causa.

É contra este Tratado e contra esta construção da União Europeia, que põe em causa os princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos e da igualdade entre Estados, que é preciso prosseguir a luta!

Luta pela exigência de um amplo debate nacional e pelo legítimo e democrático direito do povo português de se expressar relativamente a um Tratado com tão profundas implicações e consequências para o seu futuro colectivo. Um tratado contrário à soberania e aos interesses nacionais, à causa do progresso social e da paz na Europa e no mundo.

Nestes últimos dias a ofensiva global contra os serviços públicos, os direitos sociais e o regime democrático prosseguiu em várias frentes.

Na saúde, o Governo prossegue uma política de abandono por parte do Estado das suas responsabilidades constitucionais de garantir a todos os portugueses o acesso aos cuidados de saúde, independentemente do seu estatuto social e económico. O país continua a assistir ao encerramento de SAP, de urgências hospitalares, de maternidades e extensões de saúde.

As alterações que têm vindo a ser impostas na rede de urgências, sem que se criem alternativas credíveis que assegurem a assistência atempada a todos aqueles que dela necessitam, não podem deixar de ter a sua quota parte de responsabilidade em alguns acontecimentos trágicos que se têm vindo a suceder.

Não! Não nos aproveitamos politicamente das fatalidades mas não podemos deixar de avaliar responsabilidades! É caso para perguntar quantos portugueses mais terão de morrer por falta de assistência para que este Governo mude de política?

As razões que têm levado o povo a manifestar-se um pouco por todo o país contra os encerramentos de serviços públicos de saúde não se encontram nem na falta de comunicação do Governo, nem na falta de transportes rápidos para os doentes, como alguns insinuam. A razão de fundo está no facto de as populações estarem cansadas de uma política que despreza as pessoas e que lhes vai retirando a pouco e pouco aquilo que foi conseguido com muitos anos de luta e sofrimento.

Mais uma vez o PCP assume, de forma responsável, a exigência ao Governo: pare imediatamente o encerramento de serviços e reabra o que encerrou, dando início a um debate nacional sobre as medidas necessárias ao reforço do Serviço Nacional de Saúde, este sim o instrumento que pode assegurar o direito à saúde para todos os portugueses.

Em nome desse bem da vida que é a saúde, não há solução justa sem um serviçi se saúde de proximidade às populações e não é aceitável fechar primeiro e as ver as alternativas depois! A saúde dos portugueses não pode estar sujeita a experiências.
Neste sentido, o Grupo Parlamentar do nosso Partido decidiu requerer o agendamento potestativo, com a máxima urgência, de uma audição com o Ministro da Saúde e desta forma impedir que este continue a invocar incompreensíveis dificuldades de agenda como forma de fugir às responsabilidades que tem nos resultados da política de saúde.

Na educação um novo salto qualitativo foi dado na ofensiva de ataque à Escola Pública no ensino não superior com o anúncio da alteração à gestão democrática. A intenção de fazer regressar o velho director e acabar com a eleição para os órgãos de gestão das escolas que hoje é feita por professores, pais, estudantes e pessoal não docente é mais uma solução que é a cópia fiel das soluções dos partidos da direita.

Entretanto, esta semana PS e PSD impuseram a aprovação da alteração da lei eleitoral para as autarquias locais que constitui uma verdadeira subversão do regime de funcionamento e do carácter democrático do Poder Local.

Unidos na indisfarçável ambição e projecto comum (também presente na alteração da Lei Eleitoral para a Assembleia de Republica que ambos cozinham nos bastidores) de favorecer um sistema assente em dois partidos, PS e PSD, visam eliminar a eleição directa das Câmaras Municipais e garantir, de modo artificial e administrativo, uma maioria absoluta a quem detém a presidência.

Esta iniciativa testemunha a profunda identificação de objectivos e políticas que une estes dois partidos, deita por terra todas as encenadas tentativas do PSD para se apresentar como força de oposição ao actual governo e às suas políticas e confirma a rendição do PS à direita e a sua opção em prosseguir no caminho da progressiva adulteração do regime democrático.

A opção agora partilhada por PS e PSD assume o indisfarçável objectivo de construir um sistema assente numa visão de poder absoluto e de personalização extrema com prejuízos pela representatividade política e pelo funcionamento colegial do órgão executivo municipal.

O que, com todas as letras, PS e PSD querem, sob o falso pretexto da estabilidade e governabilidade das autarquias, é assegurar o esmagamento da representação das forças políticas minoritárias, atribuir ao presidente da Câmara um poder absoluto e discricionário na escolha dos membros que integram o executivo (sem respeito pelo ordenamento da lista sufragada) e reduzir à expressão mínima a pluralidade da composição dos órgãos com inevitáveis consequência no empobrecimento democrático do poder local e nas garantias de fiscalização e controlo democráticos do funcionamento da autarquia.

Com este projecto de constituição de executivos municipais o que se verificará é um efectivo empobrecimento democrático do poder local e uma deslegitimação da vontade directa das populações. Cai assim a máscara daqueles que em discursos enchem a boca de preocupações com a qualidade da democracia e a transparência da vida pública.

É inquestionável que a democracia está a ser alvo de um violento ataque. Ataque que não se confina apenas à redução da representação das opções políticas dos portugueses nas instituições, mas que atinge no quotidiano da nossa vida colectiva as mais variadas expressões.

São as limitações à liberdade de expressão e propaganda, a repressão ao protesto das populações, a crescente policialização da sociedade, a governamentalização da Justiça, o ataque aos direitos dos trabalhadores, as restrições à liberdade de organização e funcionamento dos partidos com a existência e aplicação da Lei dos Partidos e da Lei do Financiamento.

Leis fabricadas pelo PS e PSD para imporem o seu próprio modelo de organização e funcionamento aos outros, particularmente ao PCP e na qual incluem essa norma aberrante da prova da existência de um número mínimo de 5 000 militantes inscritos e que tem como pressuposto a devassa dos ficheiros partidários.

Norma esta que trouxe para a actualidade, face à solicitação do seu cumprimento pelo Tribunal Constitucional, a necessidade de ampliar a luta pela exigência da revogação de tais Leis.

O PCP que há muito afirmou tal exigência, decidiu e anunciou esta semana a convocação para o próximo dia 1 de Março em Lisboa de uma marcha em defesa do direito à liberdade de organização partidária e de defesa de todas as outras liberdades democráticas.

Daqui queremos apelar a todos os militantes comunistas e a todos os outros democratas e anti-fascistas para a sua participação nessa importante iniciativa, que desejamos seja uma grande acção de protesto contra todos os abusos e exigências ilegítimas à luz da Constituição da República.

Estes anos de governo do PS transformaram-se em anos de escandalosa apropriação de uma grande parte da riqueza nacional por uma minoria que vive à custa do sacrifício dos trabalhadores e do povo. Cada ano de governo do PS é um ano de escandaloso favorecimento dos grandes grupos económicos e do grande capital especulativo e de reforço do seu domínio sobre a economia nacional e a sociedade portuguesa, que tem conduzido o país ao atraso, à estagnação e ao agravamento das injustiças sociais.

Contra esta política se levantaram centenas de milhares de portugueses no ano que agora findou. Foram milhares e milhares de portugueses que nestes doze meses fizeram ouvir por todo o país o seu descontentamento, o seu protesto, a sua exigência de mudança. Milhares de eleitores que votaram no passado no PS e que vieram também à luta contra a política de direita do Governo de José Sócrates.

O enorme caudal de luta de 2007 diz-nos que nada está definitivamente perdido, que é possível romper com esta política injusta. Que é possível fazer as coisas mudar e construir um País à medida das necessidades e aspirações do povo português, intensificando e ampliando a luta.

A todos aqueles que vêm a sua esperança traída por uma política injusta que agrava os problemas e fecha as portas ao futuro, nós dizemos: È possível travar a ofensiva e vencer!

O governo, o grande capital, os seus ideólogos querem convencer os portugueses que não há alternativa à política de direita que há tantos anos fustiga os portugueses e desgraça o País. De que estamos condenados à pena perpétua da política única do PS, PSD e CDS/PP!

O país não está amarrado e condenado a uma só solução e a um só caminho. Há alternativa e há outras soluções capazes de resolver os problemas nacionais e garantir o desenvolvimento do país e melhores condições de vidas aos portugueses.

Alternativa que se afirma com o reforço social, político e eleitoral do PCP. É na ampliação da luta de massas e de resistência contra a política de direita e na afirmação no seio das massas de uma política alternativa, verdadeiramente democrática e de esquerda que o caminho se abre à mudança.

É na luta e com a luta que se altera a correlação de forças a favor da mudança e de uma verdadeira alternativa que tem que contar com o PCP. Digam o que disserem uma realidade se comprova ao longo dos anos, não há solução para os problemas nacionais sem o PCP, sem um PCP mais forte.

É por isso que dizemos: apoiem o PCP e lutem com o PCP. Apoiem este Partido que se opõe à exploração, à pobreza, à cada vez maior concentração da riqueza e teremos aberta uma nova janela de esperança.

Neste momento difícil para tantos portugueses queremos dizer a todos, aos trabalhadores, ao povo do distrito de Santarém, aos portugueses que podem contar com o PCP na solução dos seus problemas, por que este é um Partido que não desiste do combate às injustiças, não desiste da concretização de um Portugal de progresso para todos!

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