Intervenção de André Martelo, membro da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP, Comício comemorativo do 95º aniversário do PCP

"A hora é de luta! Ontem, hoje e amanhã! A luta não parou nem pode parar!"

Há 95 anos atrás nascia o Partido Comunista Português. O Partido da classe operária e de todos os trabalhadores. E há 95 anos atrás também nascia o Partido da Juventude. Porque desde 1921 até hoje este sempre foi o Partido da Juventude. Onde ela assumiu, mesmo nas horas mais difíceis, um papel decisivo simultaneamente de presente e futuro.

Em nome da JCP – orgulhosa organização de juventude do PCP – afirmo: hoje aqui estamos com o nosso Partido e amanhã aqui estaremos com uma inabalável confiança no nosso grande colectivo partidário, no nosso povo e no projecto que temos, de construir o Socialismo e o Comunismo em Portugal.

A juventude portuguesa atravessou, ao longo destes 95 anos, dias melhores e dias piores, avanços e recuos nos seus direitos, vitórias e derrotas na sua luta, e continua com a alegria, combatividade e criatividade que a caracteriza a ousar exigir a felicidade plena no seu País.

39 anos de politica de direita – de PS, PSD e CDS – puseram essa felicidade mais longe e atacaram direitos vários dos jovens portugueses, do trabalho à escola, da cultura à saúde, do desporto ao associativismo, de ter tempo a poder mover-se no território… enfim para onde se virar um jovem lá encontra uma dificuldade imposta pela política dos que optaram servir os poderosos e o grande capital.

Sublinhar pela centralidade que assumem na vida da juventude dois aspectos:

- O primeiro - o acesso à Educação. Direito universal que deve ser individual e colectivamente sinónimo de emancipação. Aprender, pensar, criticar, agir. A política de direita procurou e procura destruir a escola pública e o acesso de todos ao ensino.

São os custos de frequência – dos manuais às propinas – que poem em causa o que a revolução conquistou – o ensino gratuito, que defendemos e pelo qual lutamos todos os dias

São as condições nas nossas escolas – onde faz frio e chove, onde faltam materiais, onde faltam funcionários, professores e psicólogos, onde há amianto, onde há obras paradas há 4, 5 e 6 anos que transformam escolas em estaleiros com estudantes a ter aulas em contentores como na de Mem Martins ou na João de Barros no Seixal.

São os apoios sociais – que do Básico ao Superior escasseiam generalizando a fome nas escolas, o abandono dos estudos ou o trabalhar cada vez mais e mais cedo para pagar os estudos ou ajudar em casa.

São as duas vias de ensino impostas – uma para pobres e outra para ricos onde a carteira determina a capacidade para aprender e se ergue uma escola para formar mão-de-obra ao serviço do patronato e das estatísticas pomposas da união europeia

São os conteúdos pedagógicos e a avaliação – que dos exames nacionais ao Processo de Bolonha transformam a escola num espaço de formatação onde a Educação é uma mercadoria medida em euros e pensar é dispensável e perigoso.

- O segundo aspecto – o Trabalho. À juventude que quer trabalhar com direitos a politica de direita impõe a exploração, a miséria, o desemprego, a precariedade, a emigração. A incerteza do futuro e as dificuldades para quem trabalha adiam sonhos, de construir família e ter filhos, de viver no nosso País.

São milhares e milhares que todos os dias se levantam de manhã cedo para trabalhar por um salário de miséria, cumprindo funções permanentes todos os dias mas sem a estabilidade de sequer saber se para o mês que vem tem dinheiro para pagar a renda.

São milhares e milhares que não sabem que horário de trabalho têm para a semana e vêem a sua vida decidida conforme convenha ao patronato.

São milhares e milhares os que forçados por estas políticas se viram obrigados a emigrar, a sair do seu País porque aqui não viam futuro, a deixar amigos e família e ir embora.

Vive dias difíceis a juventude. Juventude essa que contribuiu e muito para 4 intensos anos de luta que levaram à derrota do governo do PSD e CDS.

Perante a nova correlação de forças existente na Assembleia da República e as consequências que dela se retiraram – com um papel insubstituível do PCP – com a formação de um governo do PS com um programa do PS, que continua amarrado à politica de direita, às suas opções de fundo e constrangimentos externos, a luta é – como sempre - o caminho certo para defender e conquistar direitos. Sublinhamos que será com muita e intensa luta que a juventude arrancará cada um dos direitos que conquistar. Aliás sempre assim foi.

E a hora é de luta! Ontem, hoje e amanhã! A luta não parou nem pode parar!

Não pararam os estudantes da escola secundária de Palmela que mesmo perante os impedimentos da direcção realizaram uma enorme reunião geral de alunos com mais de duzentos a dizer presente e a conquistar esse direito de Abril: o de reunir e aprovar acções para defender os seus direitos.

Não pararam os estudantes da FCSH que com luta conquistaram o prolongamento dos horários das salas de estudo.

Não pararam os jovens trabalhadores da Teleperformance que conquistaram a reversão da intenção do patrão em retirar o prémio de assiduidade depois de o ter retirado ilegalmente como medida de retaliação ao aumento do Salário Mínimo Nacional.

A luta não parou, não vai parar e tem de ser maior. Aqui nós comunistas temos, como há 95 anos atrás, um papel insubstituível.

Não pára e é já dia 10 que os estudantes do ensino secundário e básico saem por todo o país à rua.

Não pára e logo depois no dia 15 saem os estudantes do ensino superior com uma manifestação nacional em Lisboa, ponto alto de uma vasta campanha em curso que reivindica mais acção social escolar e em seu torno tem tido uma grande unidade.

Não pára e dia 31 são os jovens trabalhadores a comemorar o dia da juventude em luta com uma manifestação nacional em Lisboa convocada pela Interjovem

A ofensiva diversificada contra a juventude e as condições para esta se organizar são complexas e têm em si elementos novos. A resposta da juventude, com a JCP como sua vanguarda revolucionária, tem de ser o ânimo e a confiança na sua organização, mobilização e luta. É neste quadro que o reforço da JCP se reveste de uma importância decisiva para que a organização seja mais forte e mais ágil, voltada para a intervenção e mais ligada à juventude.

Neste contexto a Direcção Nacional da JCP decidiu o desenvolvimento de uma ambiciosa campanha de reforço de organização durante o ano de 2016, com o lema «Mais JCP, mais luta – Avante com Abril!», com o objectivo de reforçar a organização da JCP na sua estruturação, elevando a militância e alargamento da assunção de responsabilidades e intensificação da intervenção dos seus militantes, alargando a sua influência junto da juventude e a sua análise e intervenção própria, criando melhores condições para uma maior, mais profunda e mais intensa acção política junto da juventude. Reforçar a acção organizada dos jovens comunistas é o objectivo a que nos propomos.

A JCP teve e tem uma actividade intensa – do contacto regular com a juventude de que foi exemplo a intensa campanha para as presidenciais ou um recente documento sobre a complexa situação internacional; editando o nosso jornal – o AGIT - e levando-o às massas juvenis ou lançando em breve um novo sitio na internet; de contribuir para erguer a Festa do Avante e o nosso concurso de bandas para o palco novos valores; de participar na construção do acampamento pela paz, este ano realizado em silves; e no panorama internacional com uma prestigiada acção em torno da Federação Mundial da Juventude Democrática e do Festiva Mundial da Juventude e dos Estudantes.

95 anos do nosso partido são 95 anos cheios de exemplos de luta incansável, firme e corajosa. 95 anos onde resistir foi tarefa sempre levada à letra. Custou muito. A clandestinidade, a prisão, a tortura, a morte. Nem o fascismo impediu os comunistas de resistir. Saberemos honrar a história resistindo e conquistando o futuro.

Por muito que alguns queiram não verão este Partido vergado. Este é um Partido de futuro. Pronto para conquistar o futuro. Porque se há sonho e o sonho tem Partido um dia vencermos.

Viva a Juventude Comunista Portuguesa!
Viva o Partido Comunista Português!

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