Comunicado do Comité Central do PCP

Comunicado do Comité Central do PCP de 1 e 2 Março de 2026

O Comité Central do PCP, reunido a 1 e 2 de Março de 2026, analisou a evolução da situação internacional e os desenvolvimentos da situação nacional, apontou as tarefas que se colocam para a intervenção, iniciativa e organização do Partido e aprovou a Resolução “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”

I - Situação internacional

1. A escalada de confrontação e agressão promovida pelo imperialismo, indissociável da crise estrutural do capitalismo e das dificuldades que as principais potências capitalistas enfrentam, representa a mais séria ameaça que está colocada aos povos do mundo.

O significativo incremento da agressividade do imperialismo norte-americano, em aberto confronto com os princípios da Carta da ONU e o direito internacional, está a ser responsável pelo sério agravamento da situação internacional.

Os EUA procuram, por todos os meios ao seu alcance, contrariar o seu declínio e assegurar o seu domínio no plano mundial, apostando no incremento da confrontação e no ataque à soberania e aos direitos dos povos, anunciando a sua intenção de impor tutelas neocoloniais e coloniais e o controlo de recursos, infraestruturas estratégicas e mercados.

Utilizando o seu poder militar, económico, político e de manipulação ideológica, os EUA, com o alinhamento dos seus aliados, intensificam a chantagem, a desestabilização e a agressão, visando particularmente os países e povos que resistem aos intentos do imperialismo e que afirmam a sua soberania e direitos, procurando impor o seu isolamento económico e político, impedir ou conter o seu desenvolvimento e obstaculizar as suas relações de cooperação no plano bilateral ou multilateral.

Uma violenta investida que, não deixando de traduzir dificuldades e limites à acção do imperialismo, põe em marcha todo um plano, aumentando a pressão – nomeadamente no plano militar –, para tentar conter e reverter tendências positivas no plano mundial e reunir as condições que melhor permitam aos EUA travar o embate contra a China, que apontam como seu adversário estratégico.

2. A escalada agressiva do imperialismo articula-se com uma brutal ofensiva do grande capital que visa a intensificação da exploração, o ataque aos direitos laborais e sociais, às liberdades e direitos democráticos, a promoção de concepções, forças e projectos antidemocráticos, reaccionários e fascizantes.

Mais do que um sinal de força, o incremento da violenta acção de confrontação conduzida pelos EUA, com o alinhamento e a subordinação das restantes potências imperialistas que integram o G7, a NATO e a União Europeia, é indissociável dos impasses e da falta de soluções para superar sérios problemas e contradições no plano interno. Problemas e contradições que traduzem uma realidade económica marcada pela financeirização, pelo parasitismo, por actividades rentistas, especulativas e criminosas, por processos de desindustrialização, pelo endividamento crescente, por uma cada vez maior centralização e concentração do capital e da riqueza e o brutal aumento das desigualdades sociais.

A cada vez maior aposta na confrontação, no militarismo e na guerra evidencia que os EUA não conseguem continuar a impor a sua hegemonia com as regras e os instrumentos económicos que eles próprios ditaram e impuseram no mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial e, sobretudo, após o fim da União Soviética.

3. A proclamação da primazia dos interesses do imperialismo norte-americano, desde logo sobre os seus aliados, tem exacerbado clivagens e evidenciado contradições entre os EUA e as restantes potências imperialistas que se reúnem no G7, levando a uma crescente desconfiança e mal-estar. Clivagens e contradições que, no entanto, não colocam em causa a sua concertação na política de confrontação, no militarismo, no aumento das despesas militares, na guerra, no agravamento da exploração e no ataque aos direitos e à soberania dos povos.

Neste contexto, assume particular gravidade a escalada belicista das potências europeias da NATO e da UE, intensificando a propaganda de guerra, agitando falsas ameaças externas para justificar a escalada armamentista, prolongando a guerra na Ucrânia e contrariando possibilidades de diálogo que possam abrir caminho a uma solução política para o conflito, à Paz e à segurança colectiva na Europa. Uma escalada belicista que desvia biliões de euros de recursos públicos para o complexo militar-industrial, principalmente dos EUA, à custa das condições de vida dos trabalhadores e dos povos e do endividamento dos países.

4. O Comité Central do PCP condena veementemente a continuação da política genocida de Israel contra o povo palestiniano, com o apoio e a cumplicidade dos EUA e da UE; a agressão militar dos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela e o sequestro do seu Presidente, Nicolás Maduro; a escalada de agressão dos EUA contra Cuba socialista, com o agravamento do bloqueio; assim como a agressão militar dos EUA e Israel contra o Irão, que desestabiliza ainda mais toda a situação no Médio Oriente e acarreta graves consequências.

O Comité Central do PCP condena o vergonhoso alinhamento e subordinação do Governo português à estratégia e aos propósitos do imperialismo norte-americano e das potências imperialistas da NATO e da UE – de que é exemplo a permissão da utilização da Base das Lajes, nos Açores, em operações de agressão contra outros povos, nomeadamente o Irão –, que afrontam os princípios da Constituição da República Portuguesa e do direito internacional e são contrários aos interesses do povo português.

5. Face à escalada agressiva dirigida pelo imperialismo norte-americano, com as ameaças que comporta, incluindo para o futuro da Humanidade, afirma-se como decisiva a luta dos trabalhadores e dos povos em prol da Paz, dos direitos, da soberania, da solidariedade internacionalista; o fortalecimento dos partidos comunistas e da sua cooperação no âmbito do movimento comunista e revolucionário internacional; a convergência de uma ampla frente anti-imperialista que contenha e faça recuar o imperialismo e abra caminho à construção de uma nova ordem internacional de paz e progresso social.

O Comité Central do PCP apela ao prosseguimento e ampliação da luta pela Paz e o desarmamento, pela dissolução da NATO e a rejeição da militarização da UE, pelo estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, assim como da solidariedade com a luta do povo palestiniano pela concretização dos seus direitos nacionais e pelo fim da política de genocídio que continua a ser praticada por Israel, com a cumplicidade dos EUA e da UE; com Cuba socialista e pelo fim do bloqueio imposto pelos EUA e a escalada do seu agravamento; com a Venezuela bolivariana e a luta do povo venezuelano em defesa da sua pátria e pela libertação do Presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores do cárcere nos EUA; com os povos da América Latina e Caraíbas, do Médio Oriente, da Europa e de todo o mundo, que resistem às ameaças, à ingerência e à agressão do imperialismo, defendendo a sua soberania e direitos.

II - Situação Nacional

1. A situação nacional, no seguimento de um ciclo eleitoral e da configuração institucional dele resultante, é marcada por uma intensa luta de classes, por um aberto conflito entre os que ambicionam concluir o processo contra-revolucionário – em confronto com a Constituição da República – e as forças que lhe resistem. Conflito que, acompanhado de uma intensa ofensiva ideológica para sustentar a agenda de exploração das classes dominantes, expõe a contradição insanável entre os interesses da burguesia monopolista e os que com a sua luta se lhes opõem, os trabalhadores, a juventude, o povo, cada vez mais sujeitos à exploração e às injustiças.

O actual quadro institucional e a relação de forças dele decorrente favorecem o domínio de um poder económico presente em todas as esferas da vida nacional, que beneficia, para a condução dos seus objectivos, da acção do Governo e de outras forças políticas e encontra acolhimento nos principais órgãos de soberania. É neste quadro, que comporta em si a intensificação da agenda retrógrada, neoliberal e anti-social, de ataque aos direitos, às liberdades democráticas e à Constituição da República Portuguesa, que o Partido e os trabalhadores são chamados a intervir. Intervenção que é decisiva para resistir e combater retrocessos, mas também para afirmar, garantir e conquistar direitos, provando que se o poder dos que dominam não deve ser subestimado, também a força e a luta dos trabalhadores e do povo aí está para se lhe opor.

2. A política de clara opção pelo favorecimento dos interesses dos grupos económicos prosseguida pelo Governo PSD/CDS, que beneficia do comprometimento e apoio do Chega e da IL e que conta com a activa cumplicidade e permissividade do PS, é acompanhada de uma ofensiva no plano político, económico, social e cultural.

Uma ofensiva que visa agravar a exploração e atacar os direitos laborais, fazer regredir direitos sociais, degradar os serviços públicos, de saúde, educação e segurança social, promover privatizações, ou fragilizar estruturas e capacidades públicas por via da chamada reforma do Estado, reconfigurando-o consoante os interesses dos grupos económicos, acentuando as injustiças e as desigualdades e comprometendo o desenvolvimento económico e a afirmação soberana dos interesses nacionais.

Ofensiva que é caracterizada, no plano ideológico, por uma intensa e articulada acção de manipulação e demagogia que, a partir de poderosos meios, visa a promoção de concepções favoráveis à agenda e objectivos do grande capital e das forças reaccionárias, mas que não apaga as profundas injustiças, fragilidades, constrangimentos e dependências que marcam a vida nacional.

Uma situação em que, por via da submissão às imposições da União Europeia e do Euro, soçobra o investimento público e a resposta aos problemas, e em que a opulência dos lucros e dos benefícios fiscais dos grupos económicos contrasta com os baixos rendimentos da esmagadora maioria dos trabalhadores e do povo, desde logo, para fazer face ao brutal aumento de preços de serviços e bens essenciais, em particular os alimentos.

A resposta aos problemas do País não será alcançada pelo recorrente recurso à chantagem do “mal menor”, que não só não tem resolvido os problemas dos trabalhadores e do povo, como os tem agravado, ao mesmo tempo que tem aberto caminho à deriva reaccionária.

3. O Comité Central do PCP reitera a particular gravidade do Pacote Laboral, projecto que ataca os direitos laborais e que constitui uma declaração de guerra do Governo PSD/CDS e do grande capital aos trabalhadores, que foi rejeitado com o extraordinário êxito da Greve Geral de 11 de Dezembro, assim como com as grandes manifestações e outras acções de luta que prosseguem tendo como objectivo a sua derrota.

Aprofunda-se a degradação do Serviço Nacional de Saúde, com o encerramento de serviços, atrasos na resposta, falta de valorização dos seus profissionais, transferência de recursos públicos para os grupos privados, nomeadamente com a criação de novas PPP na saúde, visando favorecer o negócio da doença; prossegue, no plano da habitação, uma política de favorecimento da actividade especulativa, com consequências no aumento dos seus preços – cerca de 30% em apenas três anos – e na crescente negação desse direito que a Constituição consagra; e continua o ataque à Escola Pública, abrindo caminho aos interesses dos grupos privados neste sector.

A política que o Governo PSD/CDS pretende prosseguir e agravar tem ainda expressão: nos projectos de assalto à Segurança Social a pretexto das deliberações da União Europeia; na privatização da TAP e de parte da SATA ou na intenção de privatização das linhas mais rentáveis da CP; na absorção da Galp pela Moeve (ex-Cepsa), com o beneplácito do Governo; na aceitação da ameaça e chantagem dos CTT em relação ao serviço postal; ou na anunciada renovação das PPP rodoviárias. Intentos e medidas que confirmam uma agenda que tem por objectivo não a resposta aos problemas do País mas a submissão aos interesses do grande capital.

É igualmente clarificadora da opção em prol dos interesses do grande capital o desvio para os principais grupos económicos de milhares de milhões de euros de receitas fiscais – por via da descida do IRC, de benefícios e perdões fiscais, entre outras medidas –, quando, ao mesmo tempo, se afirma não existirem recursos para satisfazer as necessidades colectivas do País e o investimento público continua a estar muito aquém das necessidades, não tendo sido executado o que havia sido previsto tal como se verificava nos governos PS.

O Comité Central do PCP alerta ainda para as consequências da subordinação às políticas e imposições da UE e aos interesses das grandes potências, bem expressas no recente acordo UE/Mercosul, que constitui uma séria ameaça aos sectores produtivos, com destaque para a pequena e média agricultura e a agricultura familiar; no debate sobre o orçamento e os fundos comunitários após 2027, incluindo da PAC; no arrastamento de Portugal para o aumento das despesas para a indústria de armamento e a escalada de guerra; ou nas inexequíveis regras de aplicação do PRR, instrumento que não só ficou aquém do que sobre ele se propagandeou, como também serviu para canalizar mais uns largos milhões de euros para os grupos económicos e as multinacionais.

4. O País está confrontado, em consequência de décadas de política de direita, com défices estruturais e problemas que vieram de novo à luz do dia com particular evidência.

As graves consequências das tempestades e intempéries e a resposta tardia, descoordenada e insuficiente do Governo PSD/CDS expõe não só as suas inadequadas opções e acção, como um País com graves problemas de segurança de infraestruturas críticas e de soberania, com o poder político às ordens do poder económico e um Estado desprovido de meios e instrumentos para responder à devastação que atingiu o território.

Denunciando a operação de propaganda de sucessivos anúncios, em que se insere o chamado PTRR, sem identificação exacta das medidas a adoptar e dos meios para suportar os investimentos a realizar, o Comité Central do PCP sublinha a urgência de, sem prejuízo da exigência de que as seguradoras cumpram com todas as suas obrigações, se darem respostas: às populações, para que reconstruam as suas habitações e retomem as suas vidas; às empresas, para que retomem a laboração salvaguardando a totalidade dos salários, os postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores; às autarquias, para que reponham equipamentos e infraestruturas ao serviço das populações; às empresas públicas e entidades desconcentradas da Administração Pública, para que procedam a intervenções urgentes e estruturais; às estruturas do movimento associativo, para que retomem as suas actividades.

Neste sentido, o PCP tem-se batido por um plano integrado de resposta aos impactos das tempestades, que cobre todo o território nacional afectado, garantindo a protecção de salários e direitos aos trabalhadores, apoios e rendimentos a PME, agricultores e pescadores, garantindo a reconstrução de habitações, equipamentos e infraestruturas, bem como a reposição da capacidade produtiva, visando superar as insuficiências da resposta apresentada pelo Governo PSD/CDS.

O Comité Central do PCP insta igualmente à disponibilização dos meios indispensáveis para as intervenções e obras de fundo que previnam os efeitos de catástrofes, chamando particularmente a atenção para as medidas necessárias com vista à preparação do País para prevenir e enfrentar o perigo dos incêndios florestais.

5. As condições nas quais o Partido, as organizações e movimentos de massas, os democratas e patriotas, os trabalhadores e o povo são chamados a intervir e a lutar são hoje mais exigentes. Intensifica-se a tentativa de condicionamento da opinião, das atitudes e dos posicionamentos à escala de massas através da disseminação da mentira, do anticomunismo, da xenofobia e do racismo, da promoção de preconceitos e estereótipos, da divisão, do isolamento e da fragilização da acção e da organização dos trabalhadores e do povo perante os interesses do capital. Incrementam-se concepções contrárias à liberdade e à democracia, a reescrita da história, o ataque aos valores e às conquistas de Abril, a apologia da guerra. Apresenta-se como novo o que o capitalismo tem de mais retrógrado e ultrapassado, com o exacerbar do individualismo, da quebra de laços de solidariedade, da desvalorização e questionamento do imprescindível papel do Estado na promoção dos direitos sociais e do desenvolvimento do País. Normalizam-se discursos, forças, intervenções reaccionárias que não podem ter lugar no Portugal democrático.

O Comité Central do PCP reafirma que a superação dos problemas dos trabalhadores, do povo e do País exige clareza, coragem e iniciativa. Clareza na denúncia das injustiças, da natureza dos grupos económicos, no esclarecimento do papel central do confronto entre trabalho e capital. Clareza na identificação do Chega e da IL com os interesses do grande capital e a política do Governo PSD/CDS. Clareza na denúncia dos compromissos do PS com o Governo PSD/CDS e o apoio à viabilização da sua política. Coragem na defesa da liberdade, da democracia, do cumprimento da Constituição. Coragem no combate à política de direita e na exigência de ruptura com o rumo de desastre nacional. Coragem para enfrentar as imposições da UE e para denunciar a acção agressiva do imperialismo e defender a Paz. Iniciativa na dinamização da luta, no reforço das organizações de massas, na acção convergente dos comunistas com outros democratas e patriotas. Iniciativa na acção e reforço do PCP, com o seu papel insubstituível. Iniciativa na afirmação da alternativa patriótica e de esquerda, e não a sua diluição, que serviria os interesses do capital e alimentaria ainda mais os projectos e forças reaccionárias. Iniciativa na denúncia do capitalismo, que é a base dos principais problemas com que os trabalhadores, o povo e o País se confrontam, e no apontar do caminho para a sua superação revolucionária.

III - Luta de massas

A situação nacional e a vida dos trabalhadores e do povo confirmam a importância do desenvolvimento da luta de massas, com a sua intensificação, ampliação e convergência, como factor decisivo para enfrentar e derrotar os objectivos de agravamento da exploração, de degradação dos serviços públicos, de ataque aos direitos que a Constituição consagra.

No seguimento da grande Greve Geral de 11 de Dezembro, o Comité Central do PCP salienta a importância das lutas desenvolvidas nos locais de trabalho, nas empresas e nas ruas, a partir da acção reivindicativa, e que teve como momentos marcantes a jornada nacional contra o Pacote Laboral; a manifestação de 13 de Janeiro, em que foram entregues ao Primeiro-Ministro mais de 190 mil assinaturas; e a acção geral de mobilização “Abaixo o Pacote Laboral. É possível uma vida melhor. Mais salário, Direitos e Serviços Públicos”, que culminou nas grandes manifestações de 28 de Fevereiro, em Lisboa e no Porto – iniciativas promovidas pela CGTP-IN.

Perante a ofensiva em curso, que tem no Pacote Laboral a expressão mais visível, o prosseguimento da luta pela sua derrota e pela revogação das normas gravosas da legislação laboral é decisivo e deve prosseguir, articulado com acção e luta reivindicativa, pelo aumento dos salários e pelos direitos, a partir das empresas e locais de trabalho, nomeadamente na mobilização para a Manifestação Nacional da Juventude Trabalhadora de 28 de Março, promovida pela CGTP-IN/Interjovem, e na preparação da grande jornada de luta do 1.º de Maio.

Salienta-se ainda a luta das mulheres em torno do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, com expressão destacada para a manifestação nacional convocada pelo MDM em dezenas de localidades e para a Semana da Igualdade promovida pela CGTP-IN/CIMH, de 2 a 8 de Março.

Assumem importante significado as lutas das populações; dos utentes da saúde em defesa e pelo reforço do SNS; pelo direito à habitação, desde logo as acções convocadas para 21 de Março; assim como dos estudantes a 24 de Março, Dia Nacional do Estudante.

Valorizam-se também as acções promovidas pela Confederação Nacional da Agricultura, para alertar a Assembleia da República e o Governo para a difícil situação que os agricultores enfrentam e a acção dos produtores de leite e carne no distrito de Aveiro, convocada para 4 de Março.

Perante a escalada de confrontação, ingerência e agressão promovida pelo imperialismo norte-americano e os seus aliados, destaca-se ainda a acção pela Paz que tem sido desenvolvida e que se impõe prosseguir, desde logo nas manifestações convocadas por diversas organizações para 14 de Março, em Lisboa e no Porto, em prol da “Paz, soberania e solidariedade. Fim às ameaças e às agressões do EUA”.

IV - Intervenção do Partido

1. O quadro político, económico e social e a evolução da situação internacional confirmam a necessidade de uma intervenção de acordo com as prioridades decididas no XXII Congresso do Partido.

Intervenção que exige, como então se sublinhou, a concretização de forma integrada da iniciativa política, da luta de massas, do fortalecimento das organizações unitárias de massas, da acção com outros democratas e patriotas, do reforço do Partido.

Num contexto de uma intensa ofensiva ideológica, onde se insere o apagamento e a deturpação das posições e intervenção do PCP, visando facilitar o agravamento da exploração e das injustiças, o retrocesso democrático e a subordinação do País, impõe-se a denúncia e o combate à desinformação, à mentira e à censura, bem como a tomada de medidas que aprofundem a ligação do Partido às massas e que enfrentem as tentativas de silenciamento do PCP.

2. O Comité Central do PCP sublinha a importância da iniciativa política das organizações do Partido centrada nos problemas dos trabalhadores e das populações e articulada com a afirmação do seu projecto e identidade.

Neste sentido, exigem a iniciativa do Partido, bem como uma resposta específica e ao mesmo tempo convergente por parte dos trabalhadores e do povo: a acção reivindicativa nas empresas e locais de trabalho e o desenvolvimento da luta de massas contra o Pacote Laboral e pela valorização dos salários e direitos dos trabalhadores; os 50 anos da promulgação da Constituição da República Portuguesa; a defesa dos serviços públicos e a denúncia da chamada Reforma do Estado e dos processos de privatização de empresas estratégicas, como a TAP, a SATA ou a CP; o direito à habitação; os interesses dos pequenos e médios empresários, agricultores e pescadores; a luta em defesa da paz e a solidariedade internacionalista, contra a ofensiva do imperialismo.

Linhas de trabalho e objectivos de intervenção que, tendo o PCP como elemento impulsionador, reclamam uma acção dirigida para o envolvimento, a participação e a convergência dos vários sectores antimonopolistas e que integre, para além dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, dos agricultores e pescadores, as mulheres, a juventude, os idosos, os utentes dos serviços públicos, nomeadamente do SNS, e o conjunto dos democratas e patriotas.

Perante as exigências que estão colocadas ao trabalho do Partido, o Comité Central do PCP aponta as seguintes linhas de trabalho:

  • o desenvolvimento da acção nacional "Outro rumo para o País. Rejeitar o Pacote Laboral, a exploração e as injustiças", desde logo pela sua contribuição para o desenvolvimento da luta de massas;
  • o desenvolvimento da acção “Intempéries 2026 – Responder, resolver e prevenir”, de denúncia da incapacidade do Governo para responder a situações como a devastação provocada pelas sucessivas tempestades, das opções que estão na origem das dificuldades sentidas, e de afirmação das propostas para a resolução dos problemas e a exigência da sua concretização, em estreita ligação com os trabalhadores e as populações afectadas;
  • a defesa do direito à habitação, face ao aumento dos seus custos e à promoção da especulação imobiliária;
  • a defesa do SNS, sublinhando a importância da mobilização do povo português, convocando para o dia 21 de Abril, em todos os distritos do País, acções de protesto e luta em defesa do SNS;
  • a iniciativa no âmbito da Assembleia da República e do Parlamento Europeu com vista à solução dos problemas dos trabalhadores, do povo e do País, à defesa da soberania nacional, da paz e cooperação;
  • as comemorações do 105.º aniversário do PCP, que se assinala a 6 de Março, sob o lema “Projecto. Luta. Confiança”;
  • o esclarecimento e mobilização em defesa da Paz e pelo fim da guerra, pela solidariedade com a Palestina, Cuba, Venezuela e outros povos que enfrentam a acção do imperialismo norte-americano e dos seus aliados;
  • as comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, que se assinalam a 2 de Abril, e as comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril, fazendo convergir os que compreendem a necessidade de afirmar, defender e cumprir a Constituição – nomeadamente no que consagra em matéria de direitos laborais, na saúde, na habitação ou na educação, que vão ao encontro dos interesses e aspirações da população – e o desenvolvimento do trabalho político unitário, com vista à ampliação da participação de democratas e patriotas na defesa do regime democrático;
  • a preparação da jornada de luta do 1.º de Maio, inserida na dinâmica do desenvolvimento da luta de massas, nomeadamente da luta contra o Pacote Laboral;
  • a preparação da 50.º Festa do Avante! que se realiza a 4, 5 e 6 de Setembro, nomeadamente com a dinamização dos vários aspectos da sua organização, afirmação, divulgação e venda da EP.

3. O Comité Central do PCP aprovou a Resolução “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”, sobre o Partido e o reforço da sua organização e intervenção. Reiterando a avaliação de que o PCP desenvolve a sua acção em condições difíceis, suportada na intervenção de um abnegado colectivo militante, com coragem política, ideológica e de intervenção e perante a consciência das exigências e desafios a enfrentar, ali se definem as tarefas e medidas necessárias para cumprir o papel do Partido nas condições actuais e futuras.

★★★

Ciente das exigências que estão colocadas ao Partido e das circunstâncias complexas em que os comunistas e outros democratas e patriotas intervêm, o Comité Central do PCP sublinha as potencialidades que a situação actual apresenta para o desenvolvimento da acção e da luta. Sublinha, em particular, a confiança no colectivo partidário, na sua capacidade, dedicação e coragem, e apela ao empenhamento militante na iniciativa e intervenção por objectivos de luta imediatos, pela ruptura com a política de direita e a afirmação da alternativa patriótica e de esquerda, no caminho de uma democracia avançada com os valores de Abril, tendo como perspectiva o socialismo e o comunismo.

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