Intervenção de Filipe Costa, Membro do Comité Central

Abertura da XII Assembleia da Organização Regional de Viseu

Abertura da XII Assembleia da Organização Regional de Viseu

Camaradas e Amigos,

A realização desta nossa Assembleia tem a marca do trabalho colectivo que caracteriza o funcionamento do nosso Partido. Tem a alegria que marca a nossa luta. Tem a força das ideias que por via da acção transforma dificuldades em possibilidades, debilidades em potencialidades e fragilidades em energia para continuar.

Esta nossa assembleia tem a marca da dedicação, empenho e trabalho militante de quem durante meses tratou do envio das convocatórias, dos telefonemas e mensagens, da reserva dos espaços para eleição dos delegados, da elaboração dos documentos, da colagem dos cartazes, da decoração da sala, da preparação das reuniões, dos contributos recolhidos, dos convites enviados entre tantas outras tarefas. Aos delegados e convidados desde já uma fraterna saudação pela vossa presença. Uma saudação extensível a todas as organizações e membros do Partido que, país fora, constroem as soluções para um PCP mais forte, ao IPDJ e aos seus trabalhadores, pela disponibilidade manifestada e condições criadas para esta realização, aos eleitos da CDU nas autarquias locais do distrito de Viseu, aos nossos companheiros do Partido Ecologista “Os Verdes”, aos convidados institucionais, particularmente do Movimento Sindical, que aqui se fazem representar e aos órgãos de comunicação social local.

A realização desta nossa Assembleia Regional é inseparável do contexto em que se realiza. É inseparável do quadro internacional e da sua instrumentalização para atacar e ofender quem fala verdade. É inseparável da situação sanitária que se vive no país e que marcou profundamente os últimos dois anos. É inseparável do quadro político saído das eleições legislativas e do agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

Mas a realização desta nossa Assembleia é essencialmente inseparável da acção, da intervenção, iniciativa e do papel insubstituível do PCP ao longo dos últimos anos, mais concretamente desde 2015, pelo que alcançou para os trabalhadores e o povo, pelo que impediu de retrocesso, pelo que alterou na perspectiva de luta dos trabalhadores e das populações.

O contexto em que se realiza esta nossa Assembleia é inseparável da denúncia do PCP sobre o despedimento de trabalhadores na Borgesthena e na Camisaria Sagres, inseparável da luta dos trabalhadores da Brintons, em Vouzela, contra a deslocalização da empresa e a saída de teares, dos trabalhadores da PSA, em Mangualde, contra a desregulação dos horários e da sua vida familiar, dos trabalhadores da Berrelhas por melhores salários, dos trabalhadores do call-center da Altice, em Lamego, dos trabalhadores do SMAS pela atribuição do suplemento de insalubridade e penosidade, dos trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Viseu e Castro Daire, dos trabalhadores da administração pública pelo aumento dos salários e progressão na carreira, dos trabalhadores da Eberspacher e da HUF, em Tondela, pelo aumento dos salários, dos trabalhadores da Brose contra a repressão dentro da empresa, da luta dos moradores do Bairro da Nossa Senhora do Castelo, em Mangualde, pela exigência de obras nas habitações, dos utentes dos centros de saúde de Nelas, Mangualde e Sátão, pelo alargamento dos horários e mais profissionais, dos ex-mineiros da Urgeiriça pela requalificação das casas, dos utentes das ex-scuts contra as portagens na A24 e A25, dos utentes e sobreviventes do IP3 pelas obras de requalificação, dos trabalhadores da SUCH no hospital de S. Teotónio, da população da Lapa do Lobo por obras no apeadeiro da CP, da luta dos agricultores pela exigência do pagamento das indeminizações pelos estragos provocados por javalis e outros animais selvagens, dos viticultores durienses pela devolução da Casa do Douro, dos moradores de Rio de Loba pela ligação do saneamento e abastecimento de água, do movimento sempre os mesmo a pagar contra o aumento do custo de vida.

Camaradas e Amigos,

Não tivesse este Partido assumido cumprir com o seu compromisso de sempre estar ao lado dos trabalhadores e do povo, repondo e conquistando direitos e rendimentos, de resistir às limitações que tentaram impor durante a epidemia, desde o 25 de Abril em 2020, passando pelo 1º de Maio, a Festa do Avante!, o centenário da sua luta e história e o XXI Congresso, de afirmar a sua posição sem tibiezas em relação à guerra e à paz e estaríamos, hoje, num contexto diferente.

Eventualmente um contexto menos pesado no que ao recurso à mentira, à calúnia, à deturpação, ao silenciamento, ao ódio e ao anti-comunismo concerne. Seguramente um contexto com os trabalhadores mais desprotegidos e vilipendiados nos seus direitos, com os pensionistas e reformados com menos rendimentos, com os serviços públicos mais depauperados, o regime democrático enfraquecido e as liberdades limitadas e este Partido a questionar-se sobre o seu papel histórico e o seu compromisso com os trabalhadores e o povo.

No contexto em que se realiza esta Assembleia e no período que decorre desde a última, o Partido cumpriu com o seu papel, no distrito de Viseu e em todo o território nacional.

Camaradas,

A realização desta nossa Assembleia não corresponde apenas a mero cumprimento de princípios estatutários, mas sim ao reconhecimento da importância do Partido na vida de cada um dos presentes, independentemente da nossa disponibilidade para as tarefas e circunstâncias na ligação à organização.

O debate realizado nestes últimos meses revelou, por um lado, uma organização preparada para a luta e capaz de responder às tarefas mais imediatas, por outro, a uma genuína preocupação com a necessidade de se dar mais força a este Partido e reforçar a sua intervenção.

É esse o sentido do lema desta nossa Assembleia, “Reforçar o Partido: Organizar, Intervir e Lutar” e é esse o sentido dos objectivos e linhas de trabalho que nos propomos assumir para os próximos anos, pois reconhecemos à cabeça que sem um Partido mais forte, mais difícil será intervir e desenvolver a luta.

Não esvaziando a discussão que se prolongará durante a tarde mas procurando contribuir para o debate que realizaremos, há 3 elementos determinantes e transversais ao vasto conjunto de medidas que nos propomos concretizar.

A elevação da militância de cada um dos membros do partido determina o grau de participação nas reuniões, nas iniciativas e na actividade mais geral do colectivo partidário, determina as possibilidades de distribuição de mais tarefas por mais membros do partido e assim alarga as possibilidades de mais trabalho a realizar, determina as condições que o partido tem para responder ao vasto conjunto de necessidades nas frentes em que está envolvido, determina um melhor conhecimento dos quadros e por essa via decisões mais acertadas quanto à atribuição de responsabilidades, determina, por via da participação mais regular na vida do partido, uma maior ligação entre os militantes e reforça os laços de camaradagem, importantes para a alegria que se transporta para luta.

O aprofundamento da democracia interna, desde logo, com o funcionamento regular dos organismos e a realização de plenários e Assembleias, a prestação de contas e controlo de execução relativamente às tarefas de cada um, a responsabilização de mais militantes por mais tarefas de direcção, a criação de mais organismos e organizações de base a funcionar, determina as possibilidades de evoluir a estruturação do trabalho de organização, contribui para a necessidade de uma planificação mais cuidada do trabalho, integra e enquadra os novos membros do Partido desenvolvendo a sua consciência e formação politica e ideológica.

A independência financeira da organização é determinada pela capacidade de realização de receitas próprias e estas determinam ou condicionam o desenvolvimento da actividade do Partido. É fundamental a compreensão dos membros do partido para a importância desta tarefa e o papel que ela desempenha na resposta a muitos problemas que se identificaram no processo de preparação desta nossa Assembleia.

Camaradas,

Ao longo da sua história o Partido, que nos enche de orgulho e felicidade, deu provas de encontrar as soluções mais variadas para a resolução dos problemas em cada momento. Foi assim na resistência ao fascismo, na revolução de Abril, na defesa das suas conquistas e na resposta à epidemia.

Saibamos nós, com a alegria que nos caracteriza, a criatividade que nos é reconhecida, com o conhecimento e experiência acumulados, estar à altura do momento actual, cumprir com o papel histórico que nos cabe, reforçar este Partido: Organizar, intervir e lutar por uma vida melhor para os trabalhadores e o povo deste distrito e do país.

Viva a luta dos trabalhadores!

Viva a XII Assembleia da Organização Regional de Viseu!

Viva o PCP!

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